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Anticoncepcional: terapia genética controla a natalidade de gatos

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  | 

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Franz W/Pixabay
Franz W/Pixabay

Cientistas testam nova terapia genética com hormônios como método anticoncepcional em gatas. A estratégia de controle de natalidade impede a gravidez por pelo menos dois anos, mas ainda deve ser melhor investigada. No futuro, poderá substituir as alternativas mais comuns de castração, como a remoção cirúrgica dos ovários e do útero.

A pesquisa que busca de novas alternativas anticoncepcionais para gatos é desenvolvida por pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts (MGH), nos Estados Unidos. Os resultados otimistas da terapia genética com hormônios foram descritos em artigo na revista científica Nature Communications.

Em paralelo, pesquisadores brasileiros desenvolvem uma nova linha de pesquisa para castrar gatos e animais domésticos, sem cirurgia. Nesse caso, o pet recebe uma injeção de nanopartículas de óxido de ferro e duas técnicas diferentes, em fase de validação, que podem ser aplicadas: o uso de um campo magnético ou da luz de LED. A estratégia foi bastante promissora em roedores.

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Como funciona a nova terapia genética?

O tratamento para o controle de natalidade felina consiste em uma única dose da nova terapia genética com hormônio anti-Mülleriano (AMH). Este é um hormônio não esteroide que, na natureza, é produzido pelos ovários em mulheres e em outros mamíferos, como as gatas. Em excesso, impede a formação do folículo ovariano, a ovulação e qualquer possibilidade de gestação.

Para induzir o aumento dos níveis de AMH nas gatas, a equipe usa a estratégia do vetor viral, ou seja, um adenovírus capaz de introduzir um novo gene terapêutico naquele organismo. Neste caso, é levada uma versão ligeiramente alterada do gene AMH, responsável por aumentar a produção do hormônio nos animais.

“Uma única injeção do vetor da terapia genética faz com que os músculos da gata produzam o AMH, que normalmente é produzido apenas nos ovários, e eleva o nível geral de AMH cerca de 100 vezes acima do normal”, explica David Pépin, autor sênior do estudo e diretor associado do MGH, em nota.

Anticoncepcional é melhor que a castração em gatos?

Ainda não é possível afirmar se a terapia genética é mais eficaz que a castração, mas os resultados do pequeno experimento com nove gatas são animadores. No estudo, seis delas receberam a terapia genética, enquanto as outras três integraram o grupo controle.

Após o uso do método anticoncepcional, um gato foi trazido para testes de acasalamento, que duraram quatro meses. Aquelas que foram medicadas não engravidaram, diferente das outras, que se tornaram mães.

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Sem gerar filhotes, as gatas tratadas foram acompanhadas por mais de dois anos pelos cientistas. Nesse intervalo, o método que impede a formação do folículo ovariano não afetou a concentração de outros hormônios importantes no corpo, como o estrogênio. Além disso, efeitos adversos graves não foram identificados.

Hoje, as gatas mantêm os níveis elevados do hormônio há mais de dois anos, o que impede a gestação. Só que a pesquisa ainda continua e esse período de efeito da medicação pode ser ainda maior.

Origem do novo anticoncepcional para gatos

O curioso é que os primeiros estudos envolvendo o hormônio AMH foram feitos em mulheres, como método de preservar a capacidade de gerar filhos após o tratamento oncológico (quimioterapia). Neste momento, é descoberto o efeito oposto, ou seja, de que altas taxas impedem a ovulação. É possível que, um dia, a estratégia anticoncepcional seja avaliada também para humanos, completando esse ciclo.

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Fonte: Nature Communications e Hospital Geral de Massachusetts