Agência federal dos EUA alerta para riscos do uso de ivermectina contra COVID-19

Por Fidel Forato | Editado por Claudio Yuge | 11 de Março de 2021 às 22h40
Christine Sandu/Unsplash

No combate ao novo coronavírus (SARS-CoV-2), a agência federal de saúde Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, emitiu um alerta sobre o uso da invermectina para o tratamento ou a prevenção da COVID-19. O parecer é de que a droga não é recomendada para este uso e grandes quantidades podem acarretar riscos para a saúde do paciente. 

Segundo a nota divulgada pela FDA, os comprimidos do vermífugo ivermectina não são considerados antivirais — tipo de medicamento recomendado para auxiliar no tratamento da COVID —  e são aprovados em doses específicas para alguns vermes parasitas, como piolhos, e para outras doenças como a rosácea (uma doença inflamatória crônica da pele). "Tomar grandes doses dessa droga é perigoso e pode causar sérios danos", alerta a agência.

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Agência federal dos EUA emite alerta sobre os riscos do uso de ivermectina contra a COVID-19 (Imagem: Reprodução/ Freestocks.org/ Pexels)

Ivermectina é aprovada para o uso contra a COVID-19?

"A FDA não aprovou a ivermectina para uso no tratamento ou prevenção de COVID-19 em humanos", destaca a nota da agência federal dos EUA. De acordo com os critérios da FDA, a droga é aprovada "em doses muito específicas para alguns vermes parasitas, e existem formulações tópicas (na pele) para piolhos e doenças da pele como a rosácea. A ivermectina não é um antiviral (um medicamento para o tratamento de vírus)".

Além disso, a FDA explica que "até mesmo os níveis de ivermectina para usos aprovados podem interagir com outros medicamentos, como anticoagulantes" e causar efeitos não esperados nos pacientes. "Também pode haver uma overdose de ivermectina, o que pode causar náuseas, vômitos, diarreia, hipotensão (pressão arterial baixa), reações alérgicas (coceira e urticária), tonturas, ataxia (problemas de equilíbrio), convulsões, coma e até morte", pontua. 

Outra questão levantada é que os produtos de ivermectina para animais podem se diferir dos produtos de ivermectina receitados para pessoas. "Nunca use medicamentos destinados a animais em você. As preparações de ivermectina para animais são muito diferentes das aprovadas para humanos", destaca a FDA. 

Nesse cenário, o alerta sobre o uso da ivermectina contra a COVID-19 foi emitido após "vários relatórios de pacientes que necessitaram de suporte médico e foram hospitalizados após se automedicarem com ivermectina destinada a cavalos", explica a agência federal dos EUA.

FDA e outras entidades não recomendam o uso de ivermectina

Sobre o alerta do uso de ivermectina, a agência dos EUA lembra que "o trabalho da FDA é avaliar cuidadosamente os dados científicos sobre um medicamento para ter certeza do que é seguro e eficaz para um uso específico e, então, decidir se o aprova ou não. O uso de qualquer tratamento para COVID-19 que não seja aprovado ou autorizado pela FDA, a menos que seja parte de um ensaio clínico, pode causar danos graves".

Sem um medicamento oficialmente eficaz para a prevenção da COVID-19, a FDA afirma que "maneiras eficazes de limitar a disseminação da COVID-19 continuam a ser usar máscara, ficar a pelo menos 2 metros de distância de outras pessoas que não moram com você, lavar as mãos com frequência e evitar multidões".

Pelo mundo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também tem posição similar para a não recomendação da ivermectina contra a COVID-19 e defende que  "as indicações aprovadas para a ivermectina são aquelas constantes da bula do medicamento".  Além disso, a Merck (MSD), que fabrica comprimidos de ivermectina, se posicionou de forma contrária ao uso fora da bula, ressaltando a inexistência de evidências científicas para o seu uso contra o coronavírus.

Fonte: FDA e R7  

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