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Adoçante sucralose reduz atividade do sistema imunológico em roedores

Por| Editado por Luciana Zaramela | 15 de Março de 2023 às 21h15

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Towfiqu barbhuiya/Unsplash
Towfiqu barbhuiya/Unsplash

Apesar dos inúmeros estudos e testes de segurança, os cientistas ainda se impressionam com algumas descobertas envolvendo adoçantes. Este é o caso de pesquisadores do Francis Crick Institute, no Reino Unido, que descobriram a capacidade da sucralose em reduzir a atividade do sistema imunológico em camundongos — o que pode ser positivo.

Para ser mais preciso, o adoçante artificial sucralose reduz o nível de atividade das células T, uma parte fundamental das defesas do organismo contra agentes infecciosos. "Os achados sugerem que uma alta ingestão de sucralose pode atenuar as respostas mediadas por células T", afirmam os autores no estudo, publicado na revista científica Nature.

Por outro lado, a descoberta abre uma nova possibilidade terapêutica envolvendo o uso da sucralose: o controle de doenças autoimunes. Se o mesmo mecanismo for confirmado em humanos, tratamentos envolvendo a redução da atividade das células T podem ser desenvolvidos para pacientes específicos, nos quais o sistema imunológico ataca o próprio organismo.

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Sucralose: um tipo de adoçante artificial

Vale explicar que a sucralose é um adoçante artificial, considerado 600 vezes mais doce que o açúcar. Bastante utilizado em bebidas e alimentos industrializados, este é um derivado da cana-de-açúcar com zero calorias por grama, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abiad).

Apesar das evidências emergentes obtidas pelos cientistas britânicos, o consenso da comunidade científica é de que o uso de adoçantes, como a sucralose, é seguro dentro dos limites estabelecidos de consumo diário. Inclusive, a aprovação de um produto do tipo envolve a análise de diferentes órgãos internacionais, como Organização Conjunta da Alimentação e Agricultura (FAO), da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Usar sucralose faz mal para humanos?

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Outro fato importante é que, durante o estudo, os camundongos foram alimentados com concentrações de sucralose equivalentes ao limite aceitável da ingestão diária por humanos, baseando-se nas agências europeias e norte-americanas. No entanto, estas doses dificilmente seriam replicáveis dentro do consumo "normal" de uma pessoa. Isso quando se considera uma dieta balanceada, onde apenas alguns alimentos e bebidas são ricos em sucralose.

Como a sucralose afeta o sistema imunológico dos roedores?

Para medir os efeitos de uma dieta com altas doses de sucralose, os roedores foram alimentados com este tipo de adoçante artificial. Segundo os autores, foi possível identificar apenas a menor capacidade de ativação das células T em resposta ao câncer ou a uma infecção nas cobaias.

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A principal hipótese é de que a taxa elevada de sucralose limite a liberação intracelular de cálcio e, como efeito da falta do mineral, as células T são afetadas negativamente. No entanto, nenhum outro efeito foi observado nas demais células do sistema imune.

No mesmo estudo, foi possível identificar que a dieta rica em sucralose era benéfica para camundongos com alguma doença autoimune relacionada com as células T, como o diabetes tipo 1. Nestes casos, o adoçante mitigou os efeitos nocivos das células T superativas, ajudando a controlar o quadro.

Novas pesquisas no campo das doenças autoimunes

“Mais pesquisas e estudos são necessários para ver se esses efeitos da sucralose em camundongos podem ser reproduzidos em humanos", afirma Karen Vousden, bióloga e autora sênior do estudo, em comunicado. "Se essas descobertas iniciais foram iguais em pessoas, elas poderão um dia oferecer uma maneira de limitar alguns dos efeitos nocivos das condições autoimunes”, acrescenta.

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O estudo coincide com uma série de novas investigações sobre os efeitos dos adoçantes no organismo de roedores. Recentemente, pesquisadores norte-americanos identificaram que o eritritol pode aumentar risco de ataque cardíaco e AVC, mas os impactos para os humanos não foram avaliados.

Fonte: NatureFrancis Crick Institute e Abiad