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A "pandemia silenciosa" de dor na coluna e como evitar que ela avance

Por| Editado por Luciana Zaramela | 19 de Agosto de 2023 às 10h00

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digitalstormcinema/envato
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A dor de coluna, também conhecida como dor na lombar ou lombalgia, caminha para se tornar uma espécie de pandemia não oficial. Em 2050, a condição debilitante vai afetar 843 milhões de pessoas, segundo estimativas publicadas na revista científica The Lancet Rheumatology.

No pior dos cenários, até 933 milhões de casos de dores na coluna — que duram pelo menos 24 horas — poderão ser registrados em 2050, daqui a menos de 30 anos. Em 2020, o número de episódios de lombalgia foi estimado em 619 milhões, conforme aponta o estudo financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates.

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Neste futuro próximo, a previsão é que o mundo seja habitado por 9,7 bilhões de humanos, conforme indica a Organização das Nações Unidas (ONU). Algo entre 8,6% e 9,6% da população terá um episódio de dor na coluna debilitante em 2050. Embora a porcentagem seja alta, pode estar subestimada, já que os dados, hoje, são coletados quase que exclusivamente em países ricos.

O que provoca a dor na coluna?

A dor na lombar pode ser provocada por diferentes fatores, como explica o ortopedista André Evaristo Marcondes, do Núcleo de Medicina Avançada do Hospital Sírio-Libanês, para o Canaltech. O especialista não participou do estudo.

"A lombalgia pode ser específica, quando decorre de alguma fratura ou doença mais grave — que precisa de intervenção cirúrgica e medicamentosa”, comenta o médico especializado em coluna. Além disso, “pode ser inespecífica, decorrente de postura incorreta, sedentarismo, erro ao praticar exercícios e envelhecimento”, por exemplo.

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Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a maioria dos casos de dor na coluna (90%) é inespecífica. Para o médico Marcondes, “as alterações na rotina para corrigir o vício postural pode ajudar muito [nestes casos]”.

Como prevenir as dores na coluna?

Para o médico, “a boa notícia é que pequenas mudanças na postura já ajudam a prevenir e aliviar os sintomas” da dor na coluna, como:

  • Praticar alongamentos simples, como se esticar ao acordar;
  • Ter cuidado ao deitar e ao levantar;
  • Adotar uma postura correta para pegar e carregar pesos;
  • Evitar passar longos períodos sentados enquanto trabalha;
  • Praticar atividades físicas regulares;
  • Buscar formas de fortalecer os músculos abdominais e das costas (lombar), o que pode ser feito com a musculação.
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Pensando nas pessoas que trabalham diariamente em escritórios, presencialmente em uma empresa ou remotamente dentro de casa, o Canaltech já elaborou um manual com alguns passos básicos para preservar a saúde da coluna, como a altura ideal para o monitor.

O impacto da lombalgia no mundo

“A alta taxa de prevalência de dor lombar observada em todas as regiões do mundo pode ter consequências sociais e econômicas importantes, considerando o custo substancial do tratamento dessa condição”, afirma a equipe internacional de pesquisadores no artigo.

Se o cenário previsto pelo estudo internacional se confirmar, uma onda de casos de dor na coluna será esperada, com diferentes graus de complicações. Por exemplo, o problema irá impactar fortemente pessoas em idade produtiva, entre os 40 e os 50 anos, o que deve ter efeitos diretos na economia e na queda de produtividade.

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Atualmente, 15,4% da mão-de-obra estadunidense tem, em média, 10,5 dias de trabalho perdidos por ano devido à dor crônica na lombar. Em casos extremos, afastamentos e aposentadorias compulsórias poderão ser esperados, sobrecarregando os sistemas de saúde e previdenciário.

No outro ponto, o risco debilitante das dores de coluna é maior para os idosos, já que essa condição implica na perda de mobilidade e de independência, o que pode criar uma necessidade adicional de cuidadores — quase sempre familiares do sexo feminino. De modo geral, os sistemas de saúde não estão prontos para acolher esses indivíduos.

Quando buscar ajuda para a coluna?

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O médico Marcondes lembra que “toda dor nas costas que for recorrente ou incapacitante merece o parecer de um especialista, tendo em vista que o diagnóstico precoce das patologias que afetam a coluna vertebral são fundamentais para o tratamento eficaz”. Para casos mais graves, existem novas tecnologias e terapias emergentes, como a neuroestimulação.

Aqui, é importante destacar que os mais jovens, na faixa dos 20 e 30 anos, também podem sofrer com o problema e devem se atentar para a saúde desde cedo. Até a postura ao usar o celular pode ter impactos. De forma profilática, manter o corpo ativo e em movimento pode evitar as dores na velhice.

Fonte: The Lancet Rheumatology, OMS e ONU