A ciência mostra: muita coisa está acontecendo na sua língua neste exato momento

Por Nathan Vieira | 29 de Abril de 2020 às 14h59
Pexels

O corpo humano nunca deixa de nos surpreender, e a ciência constantemente busca compreendê-lo. E foi com esse ímpeto em mente que cientistas norte-americanos conseguiram desenvolver uma técnica que consegue registrar, ao mesmo tempo, todas as bactérias que vivem na lingua. O principal músculo da boca ainda permanece um mistério para os cientistas. A verdade é que existe todo um ecossistema de bactérias — conhecido como microbioma — que chamam nossa boca de lar. Agora, os pesquisadores conseguiram fotografar essa imensa comunidade microscópica com mais detalhes do que nunca.

Gary Borisy, pesquisador do Forsyth Institute e da Harvard School of Dental Medicine, publicou recentemente seu trabalho sobre o microbioma da língua na revista Cell Biology. Os pesquisadores sabem há algum tempo que nossas línguas (assim como nossas entranhas, pele, umbigo e todas as outras fendas de nossos corpos) estão cheias de micróbios. Ao coletar amostras, conseguimos até conhecer as espécies exatas que vivem na gente. Mas até agora, não tínhamos conseguido ver como todas essas espécies interagem entre si em tempo real.

Para visualizar onde os micróbios da língua vivem e como eles interagem, os pesquisadores usaram uma técnica relativamente nova, desenvolvida no laboratório de Borisy, chamada Rotulagem Combinatória e Imagem Espectral – Hibridização por fluorescência in situ (CLASI-FISH), que envolve a rotulação de vários microorganismos e permite que muitas espécies diferentes de bactérias e outros micróbios presentes na língua se iluminem de uma só vez quando fotografadas. Ao fazer isso, os pesquisadores foram capazes de obter uma imagem de como as comunidades microbianas vivem. Veja que organizado:

Comunidade de bactérias que vivem na língua do ser humano (Steven Wilbert e Gary Borisy, The Forsyth Institute)

Os especialistas explicam o que podemos ver na imagem acima: a parte cinza que se encontra no meio da língua é o tecido epitelial que reveste a parte externa dos músculos da boca. Enquanto isso, os pontos vermelhos que saem dessa porção cinza são Actinomyces, bactérias inofensivas que também são encontradas na garganta, bem como nos tratos digestivo e urinário.

Os vizinhos mais próximos, que vemos como pontinhos roxos, são as Veillonella. Tanto Actinomyces quanto Veillonella podem transformar nitrato — encontrado em alimentos como espinafre e outros vegetais — em nitrito, o que permite que nossas células produzam óxido nítrico, o que ajuda em funções vitais, como o controle da pressão arterial.

Na imagem, a bactéria Streptococcus é destacada em verde e reside nas bordas externas de nossas línguas. Outras cepas bacterianas — Rothia em ciano, Neisseria em amarelo — repousam em aglomerados e faixas saindo do núcleo central do tecido humano, o que sugere que esse epitélio é um substrato fundamental para o crescimento dessas bactérias. A imagem indica que as bactérias assumem pontos específicos na língua e se organizam por grupos.

Agora, os pesquisadores querem entender melhor por que isso acontece, como isso ajuda as bactérias a prosperarem e como os componentes anatômicos de nossas línguas (como aquelas pequenas protuberâncias) ajudam a promover esse crescimento.

Fonte: Popular Science

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