"Experiência Arkave" pode ser o ponto de massificação da realidade mista no país

Por Rafael Arbulu | 03 de Agosto de 2019 às 08h40
(Imagem: Divulgação/Arkave)

Headsets como o HoloLens, Oculus Rift ou mesmo o PlayStation VR (PSVR) possuem inúmeras qualidades: a primazia visual de suas experiências de realidade virtual realmente fazem com que você se sinta imerso em um outro ambiente. O problema: todos eles são caros, inacessíveis a um público de massa e destinado especificamente a jogadores com maior compreensão da indústria gamer e com um poder aquisitivo maior.

Existe um vazio nesse meio, e é nesse espaço que a chamada “Experiência Arkave” pode prosperar. Durante a Game XP, no Parque Olímpico do Rio de Janeiro, o Canaltech teve a chance de testar, mais uma vez, o maquinário desenvolvido pela YDreams Global a fim de conferir o que eles podem trazer ao mercado.

Compreender o que é de fato o Arkave exige uma pequena extensão dos conhecimentos comuns de RV: não é a mesma coisa de ligar um PSVR na sua sala e ter uma experiência majoritariamente visual. Mas também não é a “Matrix”, com vivacidade de cores, cheiros e sensações. A YDreams Global refere-se ao produto como “arena”, o que faz jus à experiência: até três jogadores simultâneos em uma partida, atravessando corredores e desempenhando papéis de longo trajeto, que requerem mais do que simples movimentos de controlar joysticks — você caminha, olha e gira em 360º a fim de avaliar um cenário inteiro, na busca por objetivos.

“É meio esquisito”, “na primeira vez você fica com medo de bater em algo”, “o chão não acaba” foram alguns testemunhos que ouvimos na fila de visitantes da feira. Todos sorridentes. Alguns momentos depois, alguns destes mesmos comentaristas acabaram por elogiar a experiência a amigos e parentes que lhes aguardavam do lado de fora.

A premissa de se jogar no Arkave continua a mesma: um equipamento consideravelmente grande deve ser utilizado pelo usuário — além do headset, há todo um aparato de mapeamento corporal e um sem número infindável de fios e plugues, tudo conectado a computadores centrais, que reproduzem a experiência de realidade mista (mixed reality, ou simplesmente “MR”), posicionando o jogador em títulos de tiro, música, esportes... tudo depende do que a experiência tiver disponível no momento.

(Imagem: Divulgação/Arkave)

Em nossa demonstração na Game XP, jogamos The Last Squad, um dos carros-chefes do Arkave (mas, pela página oficial, já são nove opções de jogos). É um jogo bem interessante por ser objetivo, sem muita enrolação: você e seus parceiros na partida são supersoldados armados que têm como objetivo deter uma invasão inimiga. Nos comandos e gameplay não há praticamente nenhuma diferença de qualquer outro shooter genérico que se vê por aí. O que adiciona à experiência, porém, é a amplitude de movimentos: em um headset para uso caseiro, por mais aberto que seja o seu cômodo, ainda há uma limitação com o que você pode fazer — você depende de ter imagem e movimentos capturados, afinal.

Com o Arkave, a arena de aproximadamente 28m² permite não apenas que você se mova com mais liberdade, mas também que crie estratégias com os usuários que compartilham da sessão com você. Ademais, o “grosso” do equipamento de captura e reprodução está acoplado ao usuário: além de um headset e dois joysticks, temos uma espécie de “mochila” hi-tech nas costas, à qual alguns dispositivos estão conectados. Em um canto, laptops de alta capacidade rodam diagnósticos, controlam o início e o término das sessões e reproduzem o que enxergam os jogadores nos telões exteriores à arena, para o público.

MR em tamanho família

A graça do Arkave não está em usar a tecnologia de realidade mista para jogos. Isso outros produtos o fazem e, em maior ou menor grau, tem alguns que até são melhores. The Last Squad não tem o primor visual que vemos, por exemplo, em Resident Evil 7: os soldados da experiência Arkave parecem mais blocos que simulam humanos, não muito diferentes da época do Nintendo 64.

Mas o modelo de negócios aplicado pela YDreams Global não almeja um prêmio “Game of the Year”. A ideia é outra: agregar famílias e amigos em um momento breve de diversão, a sessões de baixo custo em grandes centros comerciais.

O Arkave, inclusive, esteve disposto no Shopping Parque Dom Pedro de Campinas, em uma estrutura de mais ou menos 300m². A intenção casa perfeitamente com o que se vê em quaisquer outros centros comerciais de grande trânsito ou eventos de grande porte: seja na Game XP ou em algum shopping em São Paulo, é possível montar a estrutura. Hoje, a empresa está se concentrando em instalar a experiência no exterior (a YDreams também possui nacionalidade e base instalada no Canadá).

Ademais, o Arkave agrega valor de levar para um ambiente gamer, um público que não necessariamente é gamer. Por ser mais acessível e conter preços atraentes (segundo o site oficial, os valores vão de R$ 15 até R$ 40), é fácil pensar em um pai ou mãe querendo agradar o filho em um passeio de domingo, marcando uma ou duas sessões e passando a tarde em família.

Falta é alguém abraçar a ideia e chamar a YDreams Global para fazer negócio. Público para isso, já tem.

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