Netflix tem resultado abaixo do esperado e ações despencam

Por Felipe Demartini | 17 de Julho de 2018 às 12h16
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Os tempos de Netflix navegando de vento em popa chegaram ao fim e, agora, é hora de desaceleração e manutenção. Pelo menos, essa foi a noção inicial de investidores e analistas com a queda de mais de 10% nas ações do serviço de streaming após o anúncio de números bem abaixo do esperado na aquisição de assinantes tanto nos Estados Unidos quanto no mercado internacional.

No relatório referente ao segundo trimestre de 2018, a empresa anunciou a chegada de 670 mil novos membros no território americano, o principal mercado da Netflix, e 4,5 milhões no restante do mundo. Olhando assim, são números que podem parecer positivos, se não estivessem bem abaixo das expectativas da própria companhia, que era de 5,1 milhões de novos assinantes internacionalmente e 1,2 milhão apenas nos EUA.

São números, também, que contrastam com os exibidos no trimestre anterior, com a Netflix acumulando 7,4 milhões de novos usuários nos três primeiros meses de 2018, mais do que batendo a projeção inicial, que era de 6,5 milhões. A queda no valor das ações também encerra uma sucessão de altas astronômicas, que fizeram com que os papéis mais do que dobrassem de valor ao longo do último ano.

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Para o CEO Reed Hastings, entretanto, os números abaixo do esperado representam uma anomalia e não uma tendência para o futuro. Ele afirma que a Netflix jamais esteve tão forte e que a ideia da empresa, atualmente, é trabalhar com totais anuais, e não mais trimestrais, aliando essa métrica aos cronogramas de marketing e lançamento de produções originais.

O executivo também apontou que o segundo trimestre do ano é, tradicionalmente, mais “duro” que os outros, mas que a empresa jamais conseguiu encontrar uma razão para isso. Mesmo com ampla divulgação e produções próprias estreando quase semanalmente, os números, ainda assim, costumam ser mais modestos, com os resultados de 2018, por exemplo, ecoando à negatividade encontrada, também, no mesmo período de 2016.

Em faturamento, entretanto, as quedas não foram tão grandes assim, com a Netflix acumulando US$ 3,91 bilhões entre abril e junho de 2018, contra US$ 3,94 bilhões esperados pelos analistas de mercado. Para Hastings, essa é uma prova de que a visão corporativa da companhia está alinhada com a realidade do mercado e, novamente, que a redução no ritmo de novos assinantes é algo pontual.

Ainda assim, a preparação é para trimestres ainda mais modestos, com a companhia reduzindo a expectativa de novos assinantes para o terceiro trimestre, dos originais seis milhões em todo o mundo para cinco milhões. O segundo semestre de 2018 deve marcar o retorno de shows consagrados como Orange is the New Black e House of Cards, que chega em sua temporada final sem o protagonista, interpretado por Kevin Spacey, acusado de múltiplas instâncias de assédio sexual.

Produções de nomes como Ryan Murphy (American Horror Story) e Shonda Rhimes (Scandal) também devem ajudar o motor a continuar rodando ao longo dos próximos meses e anos. Para Ted Sarandos, diretor de conteúdo da Netflix, as 112 indicações ao Emmy 2018 e os mais de 40 shows originais já anunciados ou em andamento são uma prova de que o tanque da empresa ainda está bem cheio.

Além disso, no relatório, a Netflix não considerou rivais como a Disney e a HBO como ameaças, mesmo com o foco cada vez maior dessas companhias na distribuição por streaming. Para Hastings, esse tipo de competição é “normal” e não vai alterar o curso da companhia no momento, que continua focada em trazer o melhor conteúdo para todos os tipos de público.

A análise dos acionistas, compartilhada pelos investidores que levaram as ações da Netflix à baixa, é quanto ao que está sendo chamado de “teto” – o momento em que os usuários interessados na assinatura do serviço já fizeram isso, levando o crescimento nesse total a ser cada vez menor. Além disso, claro, a competição com rivais desse mercado é sempre levada em conta, com a proliferação de serviços de streaming proprietários levando as pessoas a escolherem melhor a quem desejam entregar sua fidelidade.

Fonte: The Washington Post

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