Vídeos infantis no YouTube escondem instruções sobre como cometer suicídio

Por Rafael Rodrigues da Silva | 25 de Fevereiro de 2019 às 22h40
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Depois de na semana passada um vídeo ter revelado toda uma “rede de pedofilia” existente em comentários do YouTube, uma nova descoberta na plataforma deixou os pais de crianças ainda mais preocupados quando foi revelado que alguns vídeos infantis estavam sendo editados com a inserção de instruções para a prática do suicídio.

O conteúdo macabro foi descoberto por médicos pediatras que administram o site pedimom.com, e divulgado no último domingo (24) pelo jornal Washington Post. A descoberta foi feita por uma pediatra (que preferiu não se identificar) quando ela estava assistindo a um desenho com seu filho no YouTube Kids (app que, teoricamente, é “protegido” por um algoritmo que só libera a visualização de conteúdos próprios para crianças) para distraí-lo de um sangramento no nariz causado pela baixa umidade do ar. A mãe conta que, na marca de quatro minutos e quarenta e cinco segundos de vídeo, o desenho foi interrompido pela aparição de um homem que caminha até bem próximo da câmera e simula movimentos do pulso sendo cortado, pedindo ainda que as crianças lembrem sempre de fazer os cortes paralelos se quiserem só chamar a atenção, mas longitudinais se quiserem um resultado mais satisfatório. Após as instruções sobre como cortar os pulsos, o vídeo então retorna para o desenho que estava sendo transmitido anteriormente.

Após ser denunciado, o vídeo foi prontamente retirado da plataforma, mas ao ficar sabendo do caso as mães passaram a prestar mais atenção aos desenhos que seus filhos assistiam no YouTube e descobriram uma dezena de vídeos que seguiam a mesma fórmula, com o vídeo sendo interrompido depois de quase cinco minutos de reprodução por alguém que ensinava as crianças a como cometer suicídio — sendo que todos eles já foram removidos após serem denunciados.

Nadine Kaslow, ex-presidente da Associação de Psicólogos dos Estados Unidos e professora de psicologia na Escola de Medicina da Universidade Emory, afirmou para o Washington Post que simplesmente remover os vídeos da plataforma não é o suficiente da parte do YouTube, já que a simples remoção não irá ajudar as crianças que já foram expostas a esses conteúdos, e que a plataforma precisa de algum jeito alcançar essas crianças e explicar a elas por que fazer aquelas coisas mostradas no vídeo não é correto — não apenas para preveni-las de cometer um suicídio não intencional, mas também de impedir que elas decidam testar os métodos aprendidos em outras crianças.

Em nota oficial sobre o caso, o YouTube se defendeu afirmando que se esforça para que todos os vídeos disponíveis no YouTube Kids sejam de conteúdos que possam ser assistidos por toda a família, que está sempre revisando qualquer denúncia sobre o conteúdo vídeos e que tem trabalhado no desenvolvimento de novas ferramentas para que os pais possam ter um controle ainda maior sobre os conteúdos que os filhos podem acessar com o app.

Esconder guias para o suicídio em meio a conteúdos infantis é apenas a mais nova tática usada por pessoas para “envenenar” o conteúdo infantil da plataforma de vídeos. Como já explicamos em outra matéria, o YouTube não é um espaço seguro para crianças já há um bom tempo, e os pais precisam ficar muito atentos com todos os conteúdos que os filhos costumam acessar por lá.

Fonte: Ars Technica

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