Epic Games deixa de anunciar no YouTube após polêmica com pedofilia

Por Rafael Rodrigues da Silva | 20 de Fevereiro de 2019 às 15h33

Nesta quarta-feira (20), a Epic anunciou que está acabando com todo tipo de publicidade que a empresa fazia do jogo Fortnite na plataforma de vídeos YouTube. Essa publicidade era feita no estilo de pre-roll ads (aqueles comerciais que passam antes do início do vídeo), e a empresa cancelou esses anúncios após descobrir que eles estavam sendo divulgados em vídeos usados por pedófilos para molestar crianças.

A decisão foi tomada após um vídeo do YouTuber Matt Watson revelar a existência de um “circuito” de pedolifia softcore no YouTube, com os algoritmos da plataforma servindo para auxiliar que pedófilos mantenham contato e troquem informações entre si através dos comentários de certos vídeos.

Na investigação feita por Watson, o YouTuber demonstrou que buscar na plataforma por termos como “bikini haul” — que leva a vídeos onde mulheres mostram diversos maiôs e biquínis que elas compraram — retornava vídeos que, ainda que não tenham nenhum conteúdo sexual (como, por exemplo, uma criança de maiô brincando na praia), são acessados por pedófilos que sexualizam o conteúdo desses vídeos e utilizam o espaço de comentários para manter contato. E, por conta dos algoritmos do YouTube, ao acessar um desses vídeos a plataforma passa a sugerir outros vídeos do mesmo tipo, criando uma “rede de pornografia infantil leve” onde a seção de comentários se torna um “local seguro” para que pedófilos discutam suas preferências sexuais e até mesmo compartilhem links para conteúdos de pornografia infantil mais pesada.

Além da Epic, outras empresas que também se viram envolvidas em vídeos que faziam parte deste “circuito de pedofilia” do Youtube foram a Grammarly e a própria Google, que anunciava seus Chromebooks em diversos dos vídeos revelados por Watson.

Perguntado sobre o caso, um porta-voz do YouTube garantiu que, ao receber a denúncia, os moderadores do YouTube rapidamente já se envolveram e deletaram diversas das contas e canais que utilizavam o espaço de comentários para práticas pedófilas, e já entrou em contato com as autoridades legais para denunciar esses usuários.

Após a revelação, diversas empresas já estão ameaçando deixar o YouTube. Isso já aconteceu há pouco tempo, quando diversos anunciantes abandonaram o YouTube após terem seus produtos vinculados a vídeos da plataforma que propagavam preconceito e discursos de ódio. Conhecido como “adpocalipse”, o evento foi desencadeado quando o YouTuber PewDiePie divulgou em seu canal um vídeo com mensagem anti-semita.

Desde então, o YouTube tem trabalhado em maneiras de dar aos anunciantes maior controle sobre onde seus produtos serão vinculados. Hoje, é possível que um anunciante escolha passar seus produtos apenas em vídeos de certos temas (como esportes e musicais) e não em outros (como política ou videogames). Provavelmente todas as empresas que se viram envolvidas nessa nova polêmica tinham direcionado seus anúncios para vídeos voltados a um público infantil.

Vale lembrar também que todos os vídeos que faziam parte desse “circuito de pedofilia” não tinham nenhum tipo de teor sexual e eram todos conteúdos bem inocentes que foram sexualizados pela mente doentia de uma parte do público. Assim, não é como se o YouTube estivesse propositalmente vinculando essas marcas a vídeos ligados à pedofilia, mas a empresa tem culpa ao deixar que pedófilos de todo o mundo transformassem o espaço para comentários em um ambiente seguro, não tomando medidas preventivas para evitar a proliferação desses comentários e permitindo que a plataforma se tornasse um local para o compartilhamento de conteúdos de pedofilia entre seus membros.

Por enquanto, a Epic ainda não divulgou se esse desligamento dos anúncios de Fortnite será apenas temporário.

Posicionamento do YouTube

Através de sua assessoria, o YouTube entrou em contato com o Canaltech e afirmou que tem políticas claras que proíbem esse tipo de conteúdo na plataforma. "Nós reforçamos essas políticas ativamente, reportando às autoridades, removendo conteúdos de nossa plataforma e encerrando contas. Nós continuamos a investir fortemente em tecnologia, equipes e parcerias para resolver este problema."

Algo semelhante foi dito sobre os anúncios, que são guiados por políticas rígidas que determinam onde eles serão exibidos. "Nós colocamos essas regras em prática com vigor. Quando encontramos conteúdo que viola nossas políticas, nós imediatamente paramos de exibir anúncios junto a esses conteúdos ou removemos os vídeos completamente".

Fonte: The Verge

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