Senado norte-americano sugere regular atuação do Twitter e Facebook

Por Jessica Pinheiro | 07 de Setembro de 2018 às 19h09

Nesta semana, a COO do Facebook, Sheryl Sandberg, e o CEO do Twitter, Jack Dorsey, depuseram ao Comitê de Inteligência do Senado dos Estados Unidos sobre a utilização de suas redes sociais durante as eleições presidenciais norte-americanas de 2016 para manipular a opinião pública.

A Alphabet, empresa mãe do Google, também foi convocada para a audiência, mas recusou o pedido e se limitou a entregar um testemunho escrito. Quanto a Sandberg e Dorsey, presentes na ocasião, eles responderam a perguntas sobre operações de suas redes sociais durante o pleito de dois anos atrás.

Conspiração russa

De acordo com os dois representantes, os esforços de suas empresas tinham como objetivo combater a influência estrangeira, em especial dos russos, nas eleições. “As ações que tomamos em resposta mostram nossa determinação em fazer tudo o que pudermos para impedir que esse tipo de interferência aconteça”, afirmou Sandberg.

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A vice-presidente do Facebook também comentou que a empresa está melhorando e continua removendo conteúdo “inautêntico”, com mais de 20 mil pessoas trabalhando na área de segurança.

Esta não é a primeira vez que executivos do setor tecnológico testemunham ao Congresso. Em 2017, as atividades que estavam causando influência política foram abordadas, bem como preocupações com a privacidade dos usuários. Isso porque o Comitê de Inteligência do Senado vem estudando como a opinião pública norte-americana está sendo influenciada.

À direita, a COO do Facebook, Sheryl Sandberg e, à esquerda, o CEO do Twitter, Jack Dorsey. Os dois compareceram à audiência na quarta-feira (5), pela manhã. (Imagem: Vox)

Em junho de 2016, aconteceu uma polêmica reunião de Donald Trump, na época candidato, com um advogado russo conhecido por ter ligações com funcionários de alto escalão do governo de Vladimir Putin. Desde então, a mídia alega que um acordo foi feito entre os dois lados para derrubar a outra candidata, Hillary Clinton, nas eleições.

Moscou negou envolvimento e recentes investigações indicam que o encontro pode ter sido uma armadilha.

Soluções ou mais problemas?

A intenção do Senado com a convocação era encontrar soluções para o problema, ou seja, os esforços estrangeiros para influenciar as eleições dos Estados Unidos e, assim, semear discórdia política.

Pelo lado do Twitter, Dorsey foi menos polido em suas respostas, mas testemunhou alegando que a empresa “não usa a ideologia política para tomar qualquer decisão”. O executivo ainda acrescentou: “A partir de uma perspectiva de negócios simples e para servir a conversa pública, o Twitter é incentivado a manter todas as vozes na plataforma”.

Enquanto Dorsey reforçou que o Twitter suspendeu 770 contas que violavam as políticas da plataforma de microblogs, além de noticiar a polícia em agosto sobre contas suspeitas que pareciam localizadas no Irã; Sandberg apontou a remoção de “centenas de páginas e contas envolvidas em comportamento não-autêntico coordenado – o que significa que eles enganaram os outros sobre quem eram e o que estavam fazendo”.

Os republicanos conservadores do Congresso criticaram as práticas de remoção de contas e de conteúdos. As acusações pesaram mais para Dorsey, com críticas relacionadas à maneira como o Twitter lidou com preconceito. O executivo foi auxiliado por legisladores democratas, que acusaram o outro lado de “tentar agregar seus ideais fabricando um problema que simplesmente não existe”.

Facebook e Twitter foram questionadas por suas ações durante as eleições quanto à suposta interferência dos russos. A audiência também aflorou para questões de segurança e privacidade. (Imagem: teleSUR)

Enquanto isso, Richard Burr, presidente do Comitê, não pareceu satisfeito com o que foi feito até então pelas redes sociais: “Infelizmente, o que eu descrevi como ‘vulnerabilidade de segurança nacional’ e ‘risco inaceitável’, em novembro, continua sem solução”.

Promessa de uma atitude

Com isso, a audiência, que tinha como tema a “Influência estrangeira e o seu uso das redes sociais”, rumou para questões relacionadas, em especial, à coleta de dados (e relatórios de transparência para com os usuários), bem como combate às fake news – ainda mais agora que uma ameaça chamada DeepFakes, os vídeos e áudios alterados para fazer distorcer o que os criadores desses conteúdos disseram ou fizeram, estão em ascensão.

Por fim, os senadores deixaram claro aos executivos que, daqui em diante, haverá uma regulação contínua. Contudo, ainda não se sabe exatamente quando nem como isso acontecerá, mas especula-se que as regulamentações sejam relacionadas às eleições em específico. Felizmente, ambos os representantes concordaram que a proteção da privacidade pessoal é uma prioridade de segurança nacional.

Além disso, depois da audiência do comitê no Senado, o procurador-geral Jeff Sessions anunciou que deverá se reunir com procuradores-gerais para investigar se as empresas de tecnologia estão “prejudicando a concorrência e intencionalmente sufocando a livre troca de ideias em suas plataformas”.

Fonte: Reuters, IGD Now, Technology Review

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