Quem vence o duelo entre Twitter e Facebook?

Por Douglas Ciriaco | 23 de Março de 2016 às 09h11
photo_camera Reprodução/Adweek

Excluindo países como China e Rússia, que possuem redes sociais “próprias” bastante populares, não é absurdo afirmar que as duas principais rivais atualmente no âmbito das mídias sociais são o Facebook e o Twitter — desconsideremos o Instagram, afinal ele pertence ao Facebook, e o Google+, pois apesar do grande número de usuários, ele nem de longe é a preferência de boa parte das pessoas que usa redes sociais.

Sendo assim, é justo imaginar um duelo entre ambas as plataformas, apesar da notável diferença entre quantidade de membros e estabilidade financeira entre elas. De qualquer maneira, o Twitter acabou de completar 10 anos e, apesar dos pesares, segue firme e adorado por milhões de pessoas espalhadas por várias partes do mundo, o que o credencia a “bater de frente” com o serviço criado por Mark Zuckerberg.

Recursos e valores

Em grande medida, o Facebook é uma espécie de “pequeno” simulacro dentro de um simulacro maior, que seria a própria internet. Aos poucos, a rede social de Zuckerberg agrega recursos que permitem a seus usuários passarem cada vez mais tempo ali. Inclusive, ele poderia muito bem ser definido como um agregador de serviços, afinal você consegue encontra ali um pouco de tudo aquilo que há na web: postagens, fotos, vídeos, jogos, publicações de revistas e jornais, transmissões ao vivo, fóruns de discussão e chat para bate-papo são alguns dos exemplos.

Quando se fala em número de recursos, não há nada na web atual que possa superar o Facebook — e não é à toa que a página é o terceiro site mais visitado do planeta, de acordo com o Alexa, atrás apenas do Google e do YouTube, e conta com mais de 1,5 bilhão de usuários ativos todos os meses.

Por sua vez, o Twitter reúne poucos serviços — serve basicamente para postar textos de até 140 caracteres, fotos e vídeos, conversas privadas e realização de transmissões ao vivo (via Periscope). O domínio twitter.com é o 10º mais visitado do mundo, e a rede social tem pouco mais de 320 milhões de usuários ativos mensalmente (quase cinco vezes menos do que o Facebook). Em termos de estimativa de valores, o Twitter também perde de lavada para o rival: US$ 10 bilhões contra US$ 320 bilhões.

Quem usa e para que usa

Segundo o Bloomberg, apenas 19% dos usuários do Twitter têm mais de 50 anos — 44% dos usuários têm entre 30 e 49 anos e 37% se incluem na faixa etária entre 18 e 29 anos de idade. No Facebook, 31% dos usuários têm mais de 50 anos — 38% estão entre 30 e 49 e 30% contam com idade entre 18 e 29 anos. Estes números indicam que, no geral, o público do Twitter costuma ser mais jovem, o que talvez explique a dinâmica de ambas as redes sociais.

Dados Twitter vs Facebook

População de ambas as redes conforme idade, etnia e educação. (Foto: Reprodução/Bloomberg)

De modo geral, todo mundo está no Facebook. Repasse mentalmente os grupos nos quais você convive, como faculdade ou colégio, local de trabalho, igreja, pessoal do futebol e por aí vai: é bem provável que pouca gente não esteja no Facebook. A maior rede social tem um apelo muito mais ativo pela variedade de seus recursos, ou seja, você não precisa estar necessariamente produzindo algum tipo de conteúdo para estar ali. Comentar postagens alheias, se distrair com algum joguinho casual e participar de grupos de discussão basta para muita gente.

Desse ponto de vista, o Twitter é muito mais restrito a contatos de pessoas próximas, o que também dá uma sensação maior de paz e liberdade para os seus usuários. Em tempos de polarizações políticas, então, os 140 caracteres ajudam a tornar a internet mais descontraída, sem a sisudez dos textões que nem sempre dizem muito para todos. Em suma, deixar de seguir alguém no Twitter não tem o mesmo apelo emocional do que desfazer a amizade com alguém no Facebook.

No Twitter comentar postagens ainda é possível, mas a coisa se dá sob uma dinâmica diferente, porque seus comentários ficam exibidos em sua própria linha do tempo. Ou seja, qualquer pessoa que acesse o seu perfil poderá visualizar os perfis com os quais você interagiu, bem como aqueles que você segue e pelos quais é seguido.

Os trunfos do Twitter

O Twitter tem muito mais o aspecto de uma rede sem limites. Isso porque ali você pode se conectar (mesmo que de forma indireta) a qualquer pessoa desde que ela mantenha seu perfil aberto. Outra vantagem do Twitter é a facilidade com que se encontra conversas específicas dentro da plataforma, seja pelo uso das hashtags ou mesmo usando a excelente função de busca da página. No Facebook, encontrar temas de uma discussão que não estejam marcados com uma hashtag é algo bastante complicado.

E por falar em hashtags, o Twitter foi o grande responsável por popularizar este tipo de marcação que ajuda a agregar informações sobre um mesmo tema. E a rede social dá foco especial a elas e aos outros temas populares a cada momento, reunindo tudo em um espaço específico para os assuntos mais discutidos. Isso reforça essa ideia de “tempo real” do microblog, sempre informando aos seus usuários quais as ideias e conversas mais reproduzidas dentro da plataforma em uma determinada região ou no mundo todo.

Twitter

Twitter aposta nas novidades em tempo real. (Foto: Reprodução/Twitter)

O Twitter também funciona melhor como um agregador público de informações. Por exemplo, você pode salvar a busca a respeito de um determinado tema e então acompanhar em tempo real toda e qualquer novidade relacionada a ela que surgir na rede. Este viés informacional é um dos principais destaques da rede do passarinho e dificilmente será replicado dentro da cria de Zuckerberg de alguma maneira.

Outra vantagem descarada do Twitter é a presença de anúncios publicitários menos invasivos. Eles aparecem de forma destaca em sua timeline, mas não lotam a tela e nem parecem estar sempre relacionados a tudo o que você está olhando na web. O Facebook é o mestre em usar os dados de seus usuários a fim de incrementar as suas receitas com publicidade.

Mais um ponto para o Twitter: ele não sente a necessidade de contar para você tudo o que seus amigos estão fazendo. Diferente do Facebook, que exibe na sua timeline eventos aos quais seus amigos vão comparecer e postagens que eles curtiram, a rede de microblogs deixa tudo guardado apenas em locais específicos dentro do perfil de cada indivíduo.

Os trunfos do Facebook

Se você procura uma rede social na qual possa fazer basicamente qualquer coisa, então vá ao Facebook. A gama de recursos é o grande trunfo da rede, além do fato de ela permitir discussões engajadas (tanto nos grupos quanto fora deles, no perfil ou página de qualquer pessoa ou organização), facilitando abordagens mais aprofundadas e visualmente muito mais organizadas do que respostas curtas amontoadas no Twitter.

Como quase tudo hoje em dia está equipado com uma câmera, as pessoas tiram mais fotos do que nunca, e esse é um ponto altamente pró-Facebook. A plataforma conta com um sistema inteligente de organização e exibição de fotografias, facilitando a sua vida até mesmo na hora de encontrar as imagens que seus amigos postam com você.

Facebook

Facebook foca na diversidade de recursos e em conteúdos duráveis. (Foto: Reprodução/Facebook)

A exposição oferecida pelo Facebook é muito maior, o que nem sempre é negativo, especialmente se você vende produtos ou compartilha ideias. A quantidade de informações que você pode associar a si mesmo ou à sua empresa é muito maior, oferecendo ainda mais possibilidades. Da mesma forma, o Facebook permite que você desassocie facilmente o seu perfil profissional do pessoal, facilitando o gerenciamento de ambas as partes direto da mesma tela e sem confusão.

A forma como o Facebook apresenta conteúdos relacionados ao que você acabou de curtir ou compartilhar também é interessante. Quando você vê algum vídeo, ele também logo apresenta outras postagens que podem ser do seu interesse, o que normalmente é verdade. Reunir amigos em um grupo ou em um evento, encontrar festas e coisas do tipo também é muito fácil aqui.

Qual é a melhor?

Nem seria preciso dizer, mas não é necessário escolher entre uma e outra. Apesar de rivais, é muito comum que pessoas mantenham perfis ativos nas duas plataformas, o que evidencia o foco distinto que cada uma delas apresenta. Contudo, para não ficar em cima do muro, arriscamos dizer que o Twitter é subvalorizado, afinal muita gente não compreende a dinâmica e o potencial dos 140 caracteres.

A resposta mais objetiva para a pergunta “qual é a melhor?” precisaria entender, primeiro, quais as demandas de quem vai usar a rede. Em quantidade de recursos, o Facebook está anos-luz adiante, mas o Twitter consegue superar o rival com folga quando o assunto envolve a facilidade para se encontrar informações e o foco especial sobre os temas atualmente mais discutidos.

E aí, qual você prefere?

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