Twitter comemora 10 anos de vida com tweets de momentos históricos

Por Caio Carvalho | 21 de Março de 2016 às 08h16
photo_camera Divulgação

No dia 21 de março de 2006, o norte-americano Jack Dorsey publicava sua primeira mensagem naquela que seria uma das redes sociais mais populares do mundo - e que posteriormente ele viria a comandar. Hoje, o Twitter entra na pré-adolescência ao comemorar seu aniversário de 10 anos.

A ideia inicial era que a plataforma funcionasse como um serviço de podcasts, mas o conceito logo foi abandonado após a Apple lançar um programa semelhante para o iPhone. Tempo depois, o site adotou o status de microblog, mas com um diferencial: só era possível escrever mensagens com até 140 caracteres - até então, algo revolucionário para o boom que a internet já havia se tornado. Além disso, você se torna seguidor de quem quiser, a hora que quiser.

No começo, a rede era mais utilizada para respostas curtas entre usuários, mas depois se popularizou entre companhias e personalidades, principalmente por causa do dinamismo. Isso porque o Twitter, ao contrário do Facebook, é uma das poucas redes sociais que ainda permite visualizar o conteúdo em ordem cronológica, permitindo que os usuários acessem sua timeline e vejam as principais notícias e postagens dos amigos em tempo real.

Essa característica deu voz a milhares de pessoas que precisavam de uma ferramenta rápida e intuitiva para se comunicar com o mundo. Um dos exemplos aconteceu durante a Primavera Árabe, a onda de protestos, revoltas e revoluções populares contra governos do mundo árabe que eclodiu a partir do final de 2010. Na época, centenas de pessoas se apoiaram no Twitter para relatar a situação precária em seus países e reivindicar melhores condições sociais de vida.

Este e outros momentos aparecem num vídeo comemorativo divulgado pela equipe do site. São tweets de alguns acontecimentos históricos ou de grande repercussão, como o discurso da paquistanesa Malala Yousafzai no Prêmio Nobel, do movimento Black Lives Matter, dos atentados terroristas em Paris e da liberação do casamento igualitário nos Estados Unidos. O primeiro (e aguardado) Oscar da carreira do ator Leonardo DiCaprio também é citado na retrospectiva.

A simplicidade na hora de postar fez com que os fãs pudessem entrar em contato diretamente com seu artista favorito. Só Justin Bieber tem 943 milhões de menções e Katy Perry é a pessoa com maior número de seguidores, com 84 milhões de usuários. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também aderiu ao site, e hoje conta com mais de 72 milhões de seguidores. Até o Papa Francisco tem um perfil na plataforma e passa dos 27 milhões de seguidores.

O Twitter também foi o precursor do "jogo da velha" (#), a famosa hashtag, copiada por quase todas as plataformas sociais concorrentes. Foi por meio dela e de outras funções que as empresas passaram a medir a audiência de seus serviços, produtos, programas e eventos. A Copa do Mundo de 2014, por exemplo, foi o acontecimento mais falado, com mais de 618 mil tweets por minuto durante a transmissão, em 13 julho de 2014. No mesmo ano, meses antes, a apresentadora Ellen DeGeneres fez uma selfie que se tornou o tweet mais compartilhado da história do site: 3,3 milhões de retweets e 2,1 milhões de curtidas.

Mesmo assim, o Twitter passa atualmente por uma de suas piores crises. Primeiro porque teve um prejuízo milionário no ano passado, no mesmo período em que o até então CEO Dick Costolo anunciou que deixaria o cargo após seis anos. Dorsey assumiu a posição interinamente, mas depois outros executivos deixaram a companhia.

Há ainda o fato da rede social não acompanhar o crescimento de seus principais rivais, como o Facebook, que fechou 2015 com 1,59 bilhão de usuários, e o Instagram, que passou dos 400 milhões. Em contrapartida, o Twitter terminou o ano com 320 milhões de usuários. Outro ponto discutido é a propagação gratuita de conteúdo ofensivo e de discursos que incitam o ódio e o bullying virtual - coisa que o Twitter está tentando reverter ao suspender contas dessa natureza.

Para atrair essa parcela de internautas que pararam de usar o site ou não o conhecem a fundo, a empresa adotou uma estratégia bem mais agressiva e ligada a conteúdos multimídia. Nesses últimos 10 anos, foram muitas as mudanças: desde a inclusão dos apps de vídeo Vine e Periscope até a criação da seção Moments. Fotos, vídeos e GIFs animados também foram incluídos. Tudo para tornar a plataforma mais visível aos jovens, principal público da rede social de Mark Zuckerberg e da febre do Snapchat.

Recentemente, o Twitter implementou um novo algoritmo que remove a exibição da timeline em ordem cronológica - uma função que, por enquanto, não é obrigatória. Também se especulou que o microblog aumentaria o limite de 140 caracteres para 10.000, algo que o próprio Jack Dorsey desmentiu: "O limite de 140 caracteres está aqui para ficar".

Ainda bem. O Twitter se tornou o que é por mostrar aquilo que você quer ver com base nas pessoas que você segue e no momento em que você acessa o site. Não precisa segregar o conteúdo a partir daquilo que um algoritmo considera mais relevante, pois nem sempre os perfis que você segue postam algo que, de fato, é interessante. Mudanças são necessárias; desde que não afetem as origens daquilo que diferencia o microblog das demais plataformas (nunca esqueceremos do fim da estrela de favoritar substituída pelo coração).

Em todo caso, é preciso reconhecer a importância do Twitter como um poderoso motor de comunicação democrático: serve tanto para a propagação de um meme quanto para ajudar na transformação de movimentos políticos e sociais. E isso através de sua dinâmica em tempo real. Que ela não se acabe.

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