Facebook vai alertar afetados por coleta de dados da Cambridge Analytica

Por Felipe Demartini | 09 de Abril de 2018 às 09h44
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O Facebook começou esta semana anunciando que vai alertar seus usuários afetados pelo escândalo de coleta de dados da Cambridge Analytica. A informação deve aparecer nos feed de notícias de cerca de 87 milhões de pessoas atingidas por uma operação realizada em 2014 e que resultou no uso das informações em campanhas de marketing político. 400 mil atingidos estariam no Brasil.

A declaração surge em antecipação ao depoimento de Mark Zuckerberg, fundador da plataforma, diante do Congresso americano. A fala está marcada para acontecer nesta semana e faz parte de uma investigação federal sobre o tema, com o governo dos EUA exibindo preocupação não apenas quanto ao uso dos dados em manipulação política, que teria culminado na eleição de Donald Trump para a Casa Branca, mas também pela brecha na privacidade de seus cidadãos.

Dos 87 milhões de afetados, cerca de 70 milhões estariam nos Estados Unidos. Originalmente, porém, o Facebook havia dito que não seria capaz de falar diretamente com os atingidos devido à ausência de logs completos sobre a época em que a coleta de dados aconteceu. Até mesmo os números anunciados seriam estimados e não necessariamente fiéis à realidade.

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Agora, a empresa conta que fará esse contato por estimativas do número de amigos de cada pessoa que respondeu ao quiz de personalidade usado para coleta de dados por uma empresa associada à Cambridge Analytica. Por conta de uma brecha na privacidade da rede social na época, ao dar permissão para acesso às informações de seu perfil, os respondentes também autorizavam o uso dos dados de amigos, o que levou ao gigantesco banco de dados que, agora, é centro do escândalo.

Mesmo com o anúncio do contato, porém, o Facebook alerta que a ação pode não ser exatamente precisa. Sendo assim, pode ser que usuários avisados não estejam no banco de dados da Cambridge Analytica e vice-versa, com muitos do que efetivamente estão não sendo alertados pela companhia. Por isso, a recomendação é que todos revejam suas configurações de privacidade – a brecha que deu origem ao escândalo foi fechada em 2015 – e compartilhamento de informações com aplicativos.

Também faz parte da iniciativa de recuperação do Facebook uma nova forma de lidar com esse tipo de acesso. Além de restringir a maioria dos desenvolvedores à utilização de informações básicas, com grande escrutínio para aqueles que precisarem de mais, o Facebook também facilitou o controle dos usuários sobre esse aspecto de seus perfis, tornando mais simples a visualização de todos os softwares ligados a uma conta e também o desvinculamento daqueles que o utilizador não quiser mais.

Tudo isso integra um esforço de recuperação. Desde a detonação do escândalo, há algumas semanas, as ações da companhia registram quedas sucessivas que levaram a uma desvalorização de mercado de mais de US$ 100 bilhões. Pedidos de desculpas e a promessa de que nada disso jamais vai voltar a acontecer também fazem parte do pacote de retomada da confiança de usuários e investidores na empresa.

Fonte: The Guardian

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