Facebook bane nova empresa sob suspeita de uso indevido de dados

Por Wagner Wakka | 09 de Abril de 2018 às 16h37
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Mais uma empresa está sob suspeita de obtenção irregular de dados de usuários do Facebook. A rede social baniu a CubeYou, empresa dona de app suspeito por criar questionários com propósitos acadêmicos mas que eram usados para vender dados a empresas de marketing. A empresa teria seguido o mesmo caminho da Cambridge Analytica para o desenvolvimento de ferramentas que resultaram no uso indevido de dados de 87 milhões de usuários da plataforma.

O banimento aconteceu logo após denúncia da rede CNBC de que a CubeYou estaria usando o mesmo método da Cambridge Analytica para ter acesso a informações de usuários. Ou seja, a empresa criou um formulário “para pesquisas acadêmicas não-rentáveis”.

A CubeYou, segundo levantamento da CNBC, teria trabalhado junto com a Psychometrics Lab da Universidade de Cambridge, no mesmo esquema utilizado pela Cambridge Analytica. O CEO da empresa nega acesso e venda dos dados. Mesmo assim, o Facebook suspendeu todos os aplicativos relacionados à empresa e disse que vai manter o caso sob auditoria.

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"Essas são afirmações sérias e nós suspendemos o CubeYou do Facebook enquanto os investigamos", disse Ime Archibong, vice-presidente de parcerias de produtos do Facebook, em um comunicado.

O Facebook ainda disse que vai pressionar a Universidade de Cambridge sobre o desenvolvimento de aplicativos tendo em vista que os dois casos levam para o mesmo local. No caso da Cambridge Analytica, a pesquisa estava sob tutela de Aleksander Kogan, pesquisador da universidade.

Alcance da CubeYou

Tal qual a Cambridge Analytica, esta nova empresa coletava dados para vender a empresas de publicidade. Ainda não se sabe se a CubeYou teria ligação com campanhas políticas. Pelo site oficial, a empresa se vangloria de uma base de dados de mais de 10 milhões de respostas oferecidas de forma voluntária pelos usuários.

A campanha de maior sucesso da empresa seria o um questionário relacionado a humor chamado “You Are What Like” ("Você é aquilo que curte", em tradução livre). A proposta do quiz era traçar um perfil do usuário a partir das páginas curtidas. Para isso, era preciso liberar uma série de dados para o app.

Conforme checagem da CNBC, atualmente o app está no ar sob outro nome “Apply Magic Sauce”. Ao aceitar a “brincadeira”, aparece um termo e condições de uso acadêmico dos dados em se deixa claro que as informações coletadas serão utilizadas para “pesquisa acadêmica sem fins lucrativos que não tem nenhuma conexão com qualquer finalidade ou entidade comercial ou lucrativa”.

Contudo, o site do app You Are What You Like contradiz esta informação. Na página, há: ”as informações que você envia para You Are What You Like podem ser armazenadas e usadas para fins acadêmicos e comerciais, e também divulgadas a terceiros, incluindo, por exemplo (mas não limitado a) instituições de pesquisa”.

O Facebook se defende dizendo que ambas versões do app foram criadas antes das mudanças de segurança da plataforma em 2015. Já o CEO da CubeYou, Federico Treu, afirma que todos os termos e condições de uso são muito claros sobre o que se pode ou não fazer com as informações.

A Universidade de Cambridge, por sua vez, afirmou que não tem ciência do caso, mas que a relação com a CubeYou “não era comercial por natureza e não envolvia nenhuma taxa ou projetos de clientes", sendo que "eles apenas projetaram a interface de um site que usava nossos modelos para fornecer aos usuários uma visão dos dados [dos usuários], mas "infelizmente, os colaboradores da Universidade de Cambridge às vezes exageram sua conexão com Cambridge a fim de ganhar prestígio com seus trabalhos acadêmicos”.

Momento complicado

O novo caso chega em às vésperas de duas audiências de Mark Zuckerberg com o governo nesta semana. Na próxima terça (10), o CEO vai participar de reunião no Senado e, na quarta (11), com o Congresso, para colaborar com o entendimento sobre privacidade na internet e dar explicações sobre o caso da Cambridge Analytica.

A empresa é acusada de uso indevido de dados de 87 milhões de usuários na plataforma, dos quais estima-se que 400 mil sejam brasileiros.

Fonte: CNBC

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