Ativistas de Myanmar criticam Facebook em carta aberta; Zuckerberg responde

Por Ares Saturno | 10 de Abril de 2018 às 07h01
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Após as Nações Unidas se posicionarem de forma crítica ante o papel que as redes sociais, em especial o Facebook, tiveram no massacre da população rohingya em Myanmar, Mark Zuckerberg comentou o ocorrido em entrevista ao site Vox na segunda-feira passada (2). 

O posicionamento de Zuckerberg foi amplamente criticado por militantes de Myanmar, que endereçaram a ele uma carta aberta. Nela, eles dizem que "Do nosso ponto de vista, esse caso exemplifica o exato oposto de uma moderação eficiente: revela um excesso de confiança em terceiros, a falta de um mecanismo adequado para a escalada de emergência, uma reticência para envolver as partes interessadas locais em torno de soluções sistêmicas e falta de transparência". A opinião expressada pelos militantes foi a de que o fundador do Facebook teria deixado a desejar ao abordar o assunto, não empregando recursos suficientes na resolução do problema da rede social catalisar o discurso de ódio contra a minoria rohingya.

Surpreendentemente, os representantes das organizações sociais de Myanmar receberam uma resposta através do e-mail pessoal de Zuckerberg, que pediu desculpas pelo seu posicionamento público na entrevista e elencou as ações práticas que o Facebook tem tomado para diminuir o impacto causado.

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Dentre as soluções arquitetadas pela equipe da rede social que foram citadas no e-mail, Zuckerberg disse ter contratado dúzias de revisores de conteúdo fluentes em birmanês e reforçou que as equipes internas estão pesquisando formas de criar ferramentas específicas para tentar conter a violência em Myanmar.

Jes Petersen, chefe executivo do laboratório de inovações em Myanmar que trabalhou com o Facebook, não ficou satisfeito com a resposta de Zuckerberg e disse: "É ótimo que ele esteja pessoalmente engajado nisso, mas as coisas que ele disse não são realmente muito diferentes do que ele andou dizendo nos últimos anos".

Debbie Frost, porta-voz do Facebook, confirmou a autenticidade da resposta de e-mail enviada por Zuck e disse que a equipe continuará a comunicação com os ativistas a fim de entender melhor como pode contribuir para a solução do problema.

Mesmo após o uso da plataforma para espalhar discursos de ódio vindo da população budista ultranacionalista contra a minoria islâmica massacrada, o Facebook ainda não dispõe de central física no país. Na Alemanha, nação que é regida por legislação muito rígida quanto aos discursos de ódio, devido ao seu passado totalitário, mais de 1.200 moderadores verificam os conteúdos postados em alemão. Para atingir o mesmo efeito em Myanmar, segundo Petersen, seria necessário delegar 800 moderadores para o país, o que está distante das "dúzias" que Zuckerberg afirmou ter contratado na resposta por e-mail.

Quem também criticou a resposta do executivo foi Victorie Rio, social media em Myanmar: "Muito do que eles estão fazendo é apenas cosmético - não é a melhoria tangível que estamos procurando".

Uma resposta ao e-mail de Zuckerberg já foi enviada pelos ativistas, solicitando abertura dos dados sobre como o Facebook está lidando com a situação.

Fonte: The New York Times (1)(2), The Verge

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