Mark Zuckerberg fala sobre o papel do Facebook na limpeza étnica em Myanmar

Por Ares Saturno | 03 de Abril de 2018 às 07h56
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Em entrevista à Vox nesta segunda-feira (02), Mark Zuckerberg se pronunciou sobre o papel do Facebook e do Messenger na propagação de discursos de ódio da maioria budista contra a minoria Rohingya, em Myanmar.

"Lembro que, em uma manhã de sábado, eu recebi uma ligação telefônica e detectamos que as pessoas estavam tentando espalhar mensagens sensacionalistas no Messenger para cada lado do conflito, basicamente dizendo aos Rohingya 'Ei, está prestes a acontecer uma revolta dos budistas, por isso certifique-se de que você vai estar armado e vá para lugar tal'. E então a mesma coisa do outro lado", disse Zuckerberg. "Nesse caso, nossos sistemas detectaram o que está acontecendo. Impedimos que essas mensagens sejam transmitidas, mas isso é certamente algo que estamos atentos", falou o executivo.

Na manifestação de Zuckerberg, não fica claro se um gurpo estava incitando ao outro ou se um terceiro grupo estava incitando ambos, de forma a gerar conflitos.

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Desde agosto de 2017, as forças de segurança de Myanmar estão violentando a população Rohingya no estado de Rakhine. A hegemonia budista expulsou mais de 700 mil rohingyas para Bangladesh, além de terem invadido aldeias do povo rohingya, ateando fogo às pessoas vivas em suas casas, estuprando e matando a população.

Desde março, membros do Conselho de Direitos Humanos da ONU vêm defendendo que cabe ao Facebook se responsabilizar pelo fato que suas plataformas estarem sendo utilizadas para a propagação do ódio contra a minoria durante o processo de limpeza étnica em Myanmar.

A declaração de Zuckerberg deixa um tanto a desejar em relação à responsabilidade que cabe à empresa. Perfis verificados de agências governamentais e lideranças militares têm propagado memes incitando a violência contra a população Rohingya, além de monges supremacistas ultranacionalistas, mas não há muito que o Facebook tenha feito, de outubro até agora, para diminuir os discursos de ódio. Alguns posts foram deletados e um monge supremacista teve sua conta bloqueada após postagem incitando a incineração de pessoas vivas, mas as ações pararam por aí.

Zuckerberg afirmou, por fim, que é muito difícil separar o que é discurso de ódio e o que é apenas uma visão política válida. "Eu acredito que mais do que muitas outras companhias, nós estamos em uma posição onde, às vezes, nós temos que julgar esse tipo de disputa entre diferentes membros da nossa comunidade", pontuou.

Fonte: Business Insider, Vox

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