Você sabia que Stan Lee odiava os heróis mirins?

Você sabia que Stan Lee odiava os heróis mirins?

Por Márcio Padrão | Editado por Claudio Yuge | 07 de Agosto de 2021 às 10h00
Reprodução/Instagram @therealstanlee

Quando Robin estreou em 1940 na Detective Comics, predecessora da DC Comics, um novo conceito surgiu nos ainda emergentes quadrinhos de super-heróis: os sidekicks, assistentes mirins dos combatentes do crime e da injustiça. Mas um de seus maiores inimigos foi na verdade um senhor magrinho e muito influente na área: Stan Lee, cocriador do universo Marvel.

O site Screenrant recuperou uma entrevista de Lee em 2005 ao site MovieWeb por conta do lançamento do primeiro filme do Quarteto Fantástico. E nela conta sua relação de desgosto com os heróis adolescentes, ao explicar como fez de Johnny Storm, o Tocha Humana, um modelo diferente do vigente na época.

"Outro clichê que tentei evitar foi porque odiava 'ajudantes adolescentes'. Sempre achei que se eu fosse um super-herói, não tem jeito, nesse mundo de Deus, de eu ter que ficar com um adolescente. (...) Meu editor insistiu que eu tivesse um adolescente na revista [do Quarteto], porque eles sempre sentiram que os adolescentes não leriam os livros a menos que haja um adolescente na história", explicou.

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Os heróis mirins Centelha, 2º à esquerda; e Bucky, 4º à esquerda. (Imagem: Divulgação/Marvel)

Então eu coloquei em um adolescente que era Johnny Storm. (...) Eu não fiz dele um adolescente típico. Ele não queria ser super-herói. (...) Ele queria se exibir: 'Olhe para mim, posso me transformar em fogo e posso voar!' Que maneira de pegar as garotas! Ele queria montar seu Chevy Corvette. Ele queria festejar e se divertir. Então eu incluí um adolescente, mas ele era o meu tipo de adolescente

Esse pensamento também foi o que motivou Lee a criar o Homem-Aranha, outro herói adolescente e independente. Em retrospecto, de fato percebemos que Stan Lee fazia o possível para se livrar dos sidekicks da Marvel, mesmo que não houvessem muitos. Nos anos 40, quando a empresa ainda se chamava Timely Comics, lançou dois ajudantes mirins: Bucky Barnes, parceiro do Capitão América, e Centelha (Toro, no original), ajudante do primeiro Tocha Humana.

Lee chegou até a escrever em 1941 uma revista chamada The Young Allies, em que Bucky e Centelha se juntavam a garotos comuns em aventuras. Mas quando ele liderou o nascimento do universo Marvel dos anos 1960, matou Bucky em um flashback da revista Avengers #4 (1964), a mesma onde o Capitão América retorna à vida ao sair de um bloco de gelo. Já Centelha morreu em Sub-Mariner #4 (1969), quando Lee já era editor-chefe da Marvel.

Bucky, como sabemos, não "morreu para sempre". A editora o trouxe de volta à vida várias vezes depois, mas sempre de forma temporária. Seu retorno definitivo no cânone da Marvel se deu só nos anos 2000, quando descobrimos que ele sofreu lavagem cerebral, ganhou um braço ciborgue e virou um assassino chamado Soldado Invernal. Já Centelha retornou na série Avengers/Invaders #1, de 2008. Mas considerando que o primeiro personagem praticamente foi reinventado e o segundo nunca foi muito proeminente, o ponto de vista de Lee acabou prevalecendo no histórico da editora.

Fonte: ScreenRant

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