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Entenda por que todo fã da Marvel e DC tem a energia de noveleiros

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Marvel Comics
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Certa vez, estava eu trazendo à tona novamente a épica novela Verão 90 quando ouvi de uma amiga a seguinte pergunta, e em tom de deboche: “ué mas você não lê quadrinhos e tal, agora é fã de novela também?” Gente, como você define exatamente uma história conectada em um universo com os mesmos personagens vivendo suas vitórias e derrotas mensalmente desde os anos 1940?

Brincadeiras à parte, um pesquisador levou isso a um outro patamar, ao ler a quase 30 mil edições de histórias em quadrinhos publicadas pela Marvel Comics nos últimos sessenta anos — veja bem, eu que fui alfabetizado com HQs já devo ter mais de 10 mil na cabeça, agora, o triplo disso é mais puxado né.

A proeza é de Douglas Wolk, que, além de ter sacrificado boa parte de sua vida social, é também autor de All the Marvels: Journey to the End of the Biggest Story Ever Told, publicação vencedora do Prêmio Eisner que traz uma seleção de citações de entrevistas com o autor na qual ele mergulha em todo o cânone da Marvel, que remonta ao nascimento da Era Moderna no início dos anos 1960.

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All the Marvels, além de oferecer uma ampla visão geral da trajetória da Marvel, desconstroi e analisa a história interminável e fractal de super-heróis da editora como uma conquista narrativa singular diferente de tudo na história.

O conceito de All the Marvels é que, se toda a história de publicação da Marvel da década de 1960 em diante for considerada uma história gigante e interconectada, ela é a mais longa da história literária e a mais massiva, por uma margem de milhões de páginas — ou seja, é a maior novela do mundo! 

Wolk traz um conceito interessante para a “novela” dos heróis

De acordo com Douglas Wolk, a cronologia recorrente da Marvel Comics — e da DC Comics — se tornou, “sem dúvidas”, o maior projeto artístico colaborativo de todos os tempos. Isso coloca ambas as maiores editoras de quadrinhos de super-heróis do mundo em um pilar profundamente importante na cultura do século XX, e digna de análise acadêmica dedicada. 

No entanto, paradoxalmente, esse escopo notável costuma ser um impedimento. Isso porque, enquanto Wolk foi capaz de se dedicar ao feito notável de ler mais de 27 mil quadrinhos da Marvel, muitos pesquisadores em potencial se encontram perdidos no labirinto da cronologia cheia de  reviravoltas complicadas, títulos cancelados, relançamentos, crossovers e muito mais coisa costurada nessa colcha de 60 anos de tramas conectadas e contínuas.

O autor destaca uma faceta da narrativa de super-heróis que, mesmo duradoura por tanto tempo, continua atraente para várias gerações de criadores e fãs. “A história da Marvel se estende em todos os tipos de dimensões, está sempre adicionando eventos antes do começo, está sempre adicionando coisas em coisas que você já viu, você pode entrar na história a qualquer momento e haverá história que você perdeu — e tudo bem. Há um prazer em não saber e depois descobrir.”