Criador do Rocket Raccoon e do Besouro Azul, Keith Giffen morre aos 70 anos
Por Durval Ramos |

Criador de personagens como Lobo, Rocket Raccoon e a versão do Besouro Azul que foi aos cinemas, o quadrinista Keith Giffen morreu aos 70 anos. O falecimento aconteceu na última segunda-feira (09) em decorrência de complicações de um derrame, mas só foi anunciado publicamente pela família dois dias depois, na quarta-feira, a partir de uma piada nas redes sociais — conforme havia sido solicitado pelo próprio autor.
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“Eu disse a eles que estava doente. Tudo para não ir para a Nova York Comic-Con. Obrigado”, diz a mensagem publicada em suas redes sociais que destaca aquela que era a principal característica do artista: seu humor ácido e bastante peculiar.
Foi com esse perfil que ele eternizou, por exemplo, uma das fases mais icônicas da Liga da Justiça nos quadrinhos. Durante uma de suas passagens pela DC, assumiu a revista da então Liga da Justiça Internacional e deu ao grupo um tom bem voltado para a comédia — não por acaso, a fase foi apelidada pelos fãs de Liga Cômica ou mesmo Liguinha —, trazendo heróis pouco convencionais para atuar ao lado do Batman na missão de salvar o mundo.
Foi com Giffen e sua Liguinha, por exemplo, que a dupla Besouro Azul e Gladiador Dourado se tornou uma das favoritas dos quadrinhos. Além disso, ele ainda deu vida a outros personagens que se tornaram famosos e queridos por seu jeito bonachão e desbocado, como o Lobo e o Rocket Racoon, que teve essa personalidade rabugenta expandida nos cinemas dentro do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU, na sigla em inglês).
Outra criação bastante notória do quadrinista foi a terceira encarnação do Besouro Azul — a mesma que ganhou os cinemas recentemente com Xolo Maridueña no papel principal. Embora tivesse trabalhado muito bem com o personagem da década de 1980, o autor conseguiu criar uma nova versão para ele em 2006, aproveitando todo o passado latino e a ideia de um traje alienígena que o diferenciava de seus antecessores.
Nas redes sociais, artistas e companheiros de trabalho lamentaram a perda. A roteirista Gail Simone foi ao Twitter X para relembrar da genialidade de Keith Giffen. “Bastava meia hora com ele para ouvir tantas ideias originais que você saía tonto”, escreve. “Vou sempre ser uma fã e carregar comigo o fascínio por esse homem”.
Outro grande nome dos quadrinhos que se pronunciou sobre a morte do autor foi Mark Millar, criador de sagas como Kickass e Supremos. Ele lembrou alguns dos trabalhos mais icônicos do colega e citou justamente sua passagem pelo Lobo e pela Liga da Justiça como alguns dos melhores títulos de todos os tempos da Nona Arte. “Descanse em paz esta lenda absoluta”.
J. M. DeMatteis, que trabalhou com Giffen na Liga Cômica, também prestou suas homenagens nas redes sociais. “Keith era uma das pessoas mais brilhantemente criativas que já conheci”, escreveu em seu Twitter. “Um colaborador generoso. Um velho e querido amigo”.