Por que fones Bluetooth descarregam mais rápido de um lado?

Por que fones Bluetooth descarregam mais rápido de um lado?

Por Jucyber | Editado por Léo Müller | 19 de Maio de 2022 às 14h06
Erick Teixeira/Canaltech

Durante um dia reflexivo no Twitter, fiz uma publicação para entender o motivo pelo qual um dos lados do fone de ouvido sempre descarrega mais rápido do que o outro. Diversas informações foram coletadas, mas as que ganharam maior destaque foram as postadas pelo meu amigo e criador de conteúdo focado em tecnologia André Martins.

E com base nesses dados que ajudam o público a entender as razões que influenciam para esse comportamento, a equipe do Canaltech fez essa matéria completa para te explicar em detalhes os fatores que induzem a isso.

Não é novidade para quem utiliza fones Bluetooth sem fio — TWS — que normalmente o lado direito costuma descarregar mais rápido do que o esquerdo, mas às vezes o contrário também acontece. Felizmente, isso não ocorre com headsets, pois tornaria a experiência de uso bem complicada.

Publicação no Twitter (Captura: Jucyber/Canaltech)

Existem várias explicações que ajudam a entender o porquê de tal ação acontecer rotineiramente. Por isso, vamos detalhar nessa matéria alguns desses fatores que influenciam diretamente na administração energética desregulada dos acessórios.

“Depois de testar muitos modelos de diferentes marcas, eu acabei me acostumando com esse comportamento de sempre ter um lado com mais gasto de energia do que o outro”, disse André Martins.

Tecnologias embutidas nos fones TWS

Considerando os modelos mais avançados presentes no mercado de áudio, é muito comum os fones de ouvido sem fio terem 9 tecnologias embutidas em seus corpos compactos. Entre as principais estão: bateria, falantes, microfones e o próprio chipset, que vão englobar a decodificação e amplificação do áudio, Bluetooth e mais algumas coisas.

Obviamente, existem outros elementos para completar esse conjunto de especificações que dão sentido para a qualidade sonora do produto, bem como influenciam no funcionamento dos aparelhos, principalmente no que diz respeito à autonomia.

A bateria, normalmente, toma grande parte da construção dos fones. Isso porque o elemento é responsável pelo tempo de uso do produto antes de uma recarga, que será realizada no case disponibilizado em conjunto com eles.

Os fones TWS possuem diversas tecnologias embutidas (Imagem: Victor Carvalho/Canaltech)

Cada empresa aplica uma quantidade específica de miliamperes para permitir uma autonomia agradável sem que isso influencie diretamente no tamanho e peso do produto que passará algumas horas contínuas acoplado aos ouvidos.

O chipset, que tem dentro de sim um conjunto de DAC e pré-amplificador, fica responsável pela conversão dos dados digitais dentro de um arquivo que está em reprodução — que representam o som ouvido — para um formato de áudio analógico, que será reproduzido pelos falantes. Essa conversão segue diferentes requisitos e parâmetros, mas sempre respeita a qualidade e fidelidade pretendida pelo fabricante.

Por este motivo, quando uma empresa promete que o seu fone reproduz áudios nos formatos “Hi-Res”, “360°” ou “Espacial”, nada mais é do que software e hardware do fone trabalhando em conjunto. Com isso, o áudio tem como objetivo entregar a melhor experiência na sua reprodução, de acordo com os codecs e tecnologias disponíveis nos dois dispositivos.

Alguns modelos de AirPods possuem áudio espacial (Imagem: Victor Carvalho/Canaltech)

Fones Bluetooth Master/Slave

Os fones de ouvido Bluetooth, que possuem o formato TWS, trazem como recurso para facilitar a experiência de uso a opção “Principal/Secundário”.

Essa funcionalidade permite que apenas o fone primário se conecte diretamente ao celular ou computador e redirecione o sinal da conexão ao secundário. Com isso, o primário precisa fazer "mais trabalho" e acaba chegando ao fim da sua carga antes.

Na prática, isso explica o porquê de alguns modelos de fones possibilitarem a sensação de que a reprodução do áudio começa primeiro do lado direito para depois o esquerdo iniciar a emissão do som de maneira sincronizada.

Em fones mais novos, essa conexão é transparente para o usuário, ou seja, é o próprio fone quem vai decidir qual lado se conectará ao smartphone ou computador.

Sendo assim, não dá para escolher qual deles vai gastar mais bateria. Uma saída é sempre retirar um dos lados da caixinha, esperar que ele se conecte ao dispositivo e aí sim retirar o outro lado, para ter a conexão estéreo.

Todo fone Bluetooth TWS funciona no formato Master/Slave (Imagem: Ivo/Canaltech)

Afinal, o que realmente influencia na descarga de um dos lados do fone?

Existem diversos fatores que refletem diretamente no comportamento da bateria dos fones de ouvido, principalmente quando isso afeta apenas um dos lados. Como já citamos acima, uma das opções é a definição de qual deles será o “Primário” da conectividade.

No momento em que isso é determinado, sabe-se que o gasto de energia desse fone passará a ser maior do que o outro. Essa ação é consequência do esforço exercido pelo equipamento para manter os dois sincronizados continuamente.

Outro elemento que pode afetar a bateria é a distância do fone em relação ao aparelho no qual está conectado. Isso porque o alcance de cada modelo do acessório varia de acordo com a versão do Bluetooth, bem como algumas configurações complementares implementadas por cada marca.

Sendo assim, quando o smartphone ou computador está mais próximo aos fones, o esforço para os equipamentos manterem a conexão estável é bem menor do que em situações nas quais existe esse distanciamento entre o transmissor e o receptor.

A distância dos fones do aparelho conectado pode afetar o gasto de bateria (Imagem: Ivo/Canaltech)

Além disso, ao se afastar mais do que o recomendável ou entrar em ambientes com muitas barreiras para o sinal, é notável que acontecem falhas na conexão. Por este motivo, é comum que músicas comecem a “pipocar”, e isso também afeta o gasto de bateria do produto.

Para equipamentos que possuem o Bluetooth 5.0 ou outra versão posterior, a maior vantagem são as tecnologias implementadas que facilitam o uso do produto sem interferências do sinal WiFi na passagem da outra rede sem fio.

A quantidade de dispositivos conectados com os fones de ouvido ao mesmo tempo também afetará o tempo de bateria deles. Mesmo que essa sincronização multiplataforma seja um ponto positivo de diversos modelos, o tempo para a descarga pode ser mais rápido.

Considerando esses fatores, é possível ter uma explicação lógica do que influencia no comportamento energético de cada lado de um fone de ouvido Bluetooth no formato TWS. Então, fique atento na hora de realizar a conexão do seu acessório, pois ver um dos lados descarregar antes do outro é inevitável.

Porém, a maior vantagem é que esse processo — atualmente — demora mais um pouco para acontecer, pois diversas fabricantes aprimoraram a capacidade energética de seus fones com o intuito de proporcionais mais tempo de uso.

“A verdade é que já existem no mercado vários modelos de boas marcas, com assinatura sonora e que entregam uma autonomia de bateria bem legal! Se olharmos para trás, era difícil encontrar modelos que passassem de 5 horas de reprodução contínua. Atualmente já é mais fácil (e barato) achar fones de ouvido que chegam perto das 10hr de bateria", complementa André Martins.

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