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Pesquisadores usam cabos submarinos para detectar terremotos e marés

Por| Editado por Wallace Moté | 26 de Maio de 2022 às 16h00

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Telefónica
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Além de transmitirem o acesso à Internet entre diferentes continentes, os cabos submarinos podem ser utilizados também para detectar alterações naturais como terremotos, marés e tempestades. O desenvolvimento dessa nova função é o resultado de uma pesquisa feita com um cabo que conecta o Canadá e o Reino Unido.

A tecnologia é descrita como uma forma de sensoriamento interferométrico: na prática, o funcionamento é mais simples do que o nome sugere. Ela é baseada em um sistema popular entre cientistas, chamado de sensoriamento acústico distribuído (DAS, na sigla em inglês) — de forma básica, lasers são enviados por meio de cabos ópticos subterrâneos, e é feita uma análise de como este laser retorna à origem.

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Elementos que podem causar perturbações nestes cabos incluem pessoas ou carros passando na superfície, e nestes casos a luz é "espalhada" de volta à fonte. Utilizações práticas dessa técnica incluem a detecção de atividade vulcânica para alerta de comunidades vizinhas, por exemplo.

Tecnologia adaptada aos cabos submarinos

O novo procedimento visto nos cabos submarinos usa os mesmos princípios, mas com algumas adaptações. As conexões que ficam no fundo do mar sofrem a ação de pequenas vibrações, causadas por tremores ou outras perturbações.

Para identificar estes movimentos, os cientistas fazem uso de uma seção do cabo conhecida como “repetidor”. Eles são posicionados entre cada trecho de 60 a 80 quilômetros de cabo, e sua função primária é amplificar o sinal para que ele não seja perdido em um caminho que pode ter milhares de quilômetros.

Entretanto, os pesquisadores também podem enviar seus próprios sinais entre os repetidores. Com isso, torna-se possível identificar alterações entre a frequência de entrada e saída, causadas por diversos efeitos naturais.

Como os repetidores estão espalhados ao longo de toda a extensão do cabo, também torna-se viável separar a área de análise em zonas, e assim perceber exatamente qual é a localização geográfica dos abalos.

Dados gerados pelo experimento já demonstraram eventos como um terremoto no Peru, além de três outras vibrações no meio do Oceano Atlântico. Mudanças nas frequências também foram vistas durante a passagem do furacão Larry, no ano passado.

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Como a estrutura necessária já está instalada em todos os cabos submarinos ao redor do planeta, será possível criar uma grande rede de geração de dados. Os pesquisadores afirmaram que, no futuro, tsunamis também serão detectados previamente, o que pode salvar várias vidas.

Efeitos das mudanças climáticas também poderão ser analisados com base em dados gerados pelos cabos submarinos: como exemplo, espera-se que seja comprovada uma redução no ritmo da Corrente do Golfo, algo que já é tema frequente entre cientistas há anos.

Fonte: Wired