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Quais são os cabos submarinos que entram e saem do Brasil?

Por| Editado por Wallace Moté | 20 de Fevereiro de 2022 às 13h00

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Senge-CE
Senge-CE

O mundo é conectado por centenas de cabos submarinos que viabilizam os serviços de Internet em diversos países, e não é diferente no Brasil. De acordo com o portal Submarine Cable Map, o país tem um total de 15 cabos do tipo, em que dois deles têm alcance nacional, e mais 13 chegam a outros países das três Américas, Europa e África. O Canaltech lista todos eles, com alguns detalhes sobre cada um.

Cabos de alcance nacional

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Praia Grande

Brazilian Festoon: O cabo tem um comprimento total de 2.552 km, e suas pontas estão localizadas nas cidades do Rio de Janeiro e Natal — porém, ele traz uma grande quantidade de conexões ao longo das regiões sudeste e nordeste, em capitais como Vitória, Salvador, Aracaju, Maceió, Recife e João Pessoa. Foi construído em 1996 pela Embratel.

Santos

Junior: O Junior é um cabo construído pelo Google, no ano de 2018. Com um sistema mais simples em comparação com os outros presentes no Brasil, ele tem como principal objetivo oferecer interconexões com outros cabos que chegam a países da América Latina e Estados Unidos. Além de Santos, o Junior também chega ao Rio de Janeiro.

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Cabos de alcance internacional

Praia Grande

Malbec: Faz ligação entre duas cidades do sudeste brasileiro (Rio de Janeiro e Praia Grande) e Las Toninas, que fica cerca de 330 km ao sul da capital argentina de Buenos Aires. O sistema foi inaugurado em 2021, e é gerido em um modelo de coparticipação entre a operadora telefônica GlobeNet e o Meta (Facebook) — o nome Malbec é inspirado na conhecida variedade de vinhos argentinos.

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Seabras-1: Com mais de 10 mil quilômetros de comprimento, o Seabras-1 tem conexão em apenas uma localidade além de Praia Grande: o município de Wall Township, que fica a apenas 86 km de Nova York, no nordeste dos Estados Unidos. Teve sua construção finalizada em 2017, e sua gestão é de responsabilidade da operadora Seaborn Networks, além do Telecom Italia Sparkle — que é uma plataforma de soluções pertencente ao grupo TIM.

Santos

Monet: Outro cabo que ultrapassa os 10 mil quilômetros de extensão, e traz conexões em Santos, Fortaleza e Boca Raton — cidade vizinha a Miami, na Flórida. Seu funcionamento foi iniciado no final de 2017, e a responsabilidade do sistema é de diversas empresas, que incluem a Algar Telecom, Angola Cables, Antel Uruguay e Google. A sua capacidade total é de 64 Tbps, com o objetivo principal de melhorar os serviços de conectividade entre a América Latina e a América do Norte.

South America-1: O sistema é um dos mais complexos entre os presentes na América Latina, já que dá a volta em todo o continente. Seus cabos ultrapassam os 25 mil quilômetros de extensão, e os pontos de conexão incluem cidades como Las Toninas, Fortaleza, Boca Raton, San Juan (Porto Rico), Barranquilla (Colômbia), Punta Carnero (Equador), Lurin (Peru) e Valparaiso (Chile), entre outras. Ele também é um dos mais antigos em funcionamento no continente, já que está na ativa desde o ano de 2001.

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South American Crossing: Outro cabo que “abraça” a América do Sul, o South American Crossing tem alguns pontos de conexão diferentes do South America-1, como em Buenaventura (Colômbia) e Colon (Panama). Totaliza mais de 20 mil quilômetros de extensão, e está sob responsabilidade da multinacional Lumen, além da Telecom Italia Sparkle.

Tannat: Cabo sob responsabilidade da Antel Uruguay e do Google, foi inaugurado em 2018 e passa pelas cidades de Santos, Maldonado (Uruguai) e Las Toninas. Tem cerca de 2 mil quilômetros de extensão, e auxilia nas rotas de conectividade entre os Estados Unidos e pontos chave da América do Sul.

Rio de Janeiro

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America Movil Submarine Cable System-1: O sistema leva o nome da corporação mexicana de telecomunicações, e possui uma conexão na cidade praiana de Cancun, na costa leste do país. Outros pontos de passagem incluem os municípios de Salvador e Fortaleza, além de vários locais estratégicos da América Central e Estados Unidos, como Puerto Plata (República Dominicana), Puerto Barrios (Guatemala) e Jacksonville (Flórida, EUA). Tem mais de 17 mil quilômetros de extensão, e seu funcionamento foi iniciado em 2014 — de acordo com informações da época, o investimento realizado chegou a 500 milhões de dólares (cerca de R$ 2,6 bilhões em conversão atual).

BRUSA: Como o nome pode sugerir, o BRUSA é um cabo que tem suas duas pontas no Brasil e nos Estados Unidos, nas cidades do Rio de Janeiro e Virginia Beach, respectivamente. Com mais de 18 mil quilômetros de extensão, o sistema ainda passa por Fortaleza e San Juan — de acordo com informações da operadora Telxius, ele tem uma capacidade de 160 Tbps, a maior registrada para interconexão das Américas até o momento.

GlobeNet: O sistema é um dos mais longos das Américas, com mais de 23 mil quilômetros de extensão. Com seu lançamento em 2001, ele também cobre áreas da América do Sul, América Central e Estados Unidos, com conexões em locais como Maiquetia (Venezuela), St. Davids (Bermuda) e Tuckerton (EUA). Sua operação é de responsabilidade da provedora homônima.

Fortaleza

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Americas-II: Cabo que tem a cidade de Fortaleza como a única conexão brasileira, mas constitui uma rede na região norte da América do Sul, em conjunto com locais da América Central e Estados Unidos. Com pouco mais de 8 mil quilômetros de comprimento, ele também chega em cidades como Caiena (Guiana Francesa), Port Of Spain (Trindade e Tobago) e Holywood (Flórida, EUA). Está em operação desde o ano de 2000, e está sob responsabilidade de um total de 11 empresas, que incluem a Embratel, AT&T e Telecom Italia Sparkle, entre outras.

EllaLink: Com funcionamento iniciado em junho de 2021, o EllaLink está entre os mais recentes em atuação no Brasil, e se destaca por ser uma das poucas conexões diretas do país com a Europa. Suas pontas ficam em Fortaleza e Sines, cidade localizada na metade sul de Portugal — porém, também passa pela Ilha da Madeira e Praia (Cabo Verde).

South Atlantic Cable System: Com inauguração em 2018, o cabo tem apenas dois pontos de conexão, nas cidades de Fortaleza e Sangano (Angola), mas possui um comprimento superior aos 6 mil quilômetros. É uma das ligações mais importantes do Brasil com a África, e sua gestão é de responsabilidade da Angola Cables, empresa de telecomunicações do país.

South Atlantic Inter Link: Também com inauguração recente (2020), o South Atlantic Inter Link é outra importante conexão do Brasil com a África, já que liga as cidades de Fortaleza e Kribi (Camarões). São 5,8 mil quilômetros de distância, em um sistema que é gerido pela operadora camaronesa Camtel e pela China Unicom.

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South Atlantic Cable System (SACS): Com 4 pares de fibra, é um cabo de comunicação submarino no Oceano Atlântico Sul que liga Luanda a Fortaleza, com uma perna que também liga o arquipélago de Fernando de Noronha. É o primeiro roteamento de baixa latência entre a África e a América do Sul, por meio do qual os principais players mundiais de telecomunicações buscam acesso direto aos mercados, com conexões que ligam os EUA e a América do Sul à África e Ásia. O cabo submarino intercontinental de 6.156 km entrou em operação em setembro de 2018. A Angola Cables é a empresa responsável pela instalação e operação do SACS.

Salvador

Os seguintes sistemas passam pela cidade de Salvador: America Movil Submarine Cable System-1, Brazilian Festoon e South America-1 — todos já citados anteriormente.

Para que servem os cabos submarinos?

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Os cabos submarinos fazem parte de um sistema complexo que liga todos os continentes do planeta, com exceção da Antártica. Eles são a forma mais eficiente e rápida para transmitir uma alta quantidade de dados, e portanto servem para permitir uma conexão de internet viável em grande parte dos países — servidores de vários sites abertos no Brasil são localizados nos Estados Unidos, por exemplo.

Posicionados no fundo do mar, os cabos representam uma opção mais barata em comparação com os satélites que ficam na órbita terrestre — tanto na sua instalação, quanto nas manutenções periódicas que precisam ser realizadas.

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Os primeiros cabos submarinos foram instalados no século XIX, e eram voltados para otimizar os serviços de telefonia na Europa. Porém, com o desenvolvimento das tecnologias de comunicação, os componentes ganharam maior capacidade e hoje são fundamentais para o funcionamento da internet como ela é conhecida hoje.

A responsabilidade pelos cabos e planos para o futuro

Em geral, os cabos submarinos são de responsabilidade das diversas operadoras de telecomunicações, e como a sua instalação costuma ser um processo bastante caro, é comum que sejam feitos consórcios entre empresas interessadas no negócio — normalmente os acordos são feitos com companhias presentes nos países onde os cabos possuem conexões, mas isso não é necessariamente uma regra.

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Outras empresas de tecnologia também podem se interessar pelo desenvolvimento de sistemas de cabos submarinos, como é o caso do Meta (Facebook) e Google — a Gigante das Buscas já foi responsável pela construção de diversas estruturas, e já planeja a implementação de mais um cabo na costa brasileira, o Firmina.

De acordo com informações divulgadas pela empresa em junho do ano passado, o Firmina será o cabo mais comprido do planeta entre aqueles que são capazes de funcionar com apenas uma fonte de energia localizada em uma das suas pontas — o que pode ser bastante útil caso o outro lado tenha uma interrupção temporária, por exemplo.

O Firmina deverá passar pelas cidades de Las Toninas, Punta del Este e Praia Grande, para então chegar à costa leste dos Estados Unidos, em Sunny Isles, Jacksonville, Myrtle Beach, Virginia Beach e Wall Township. Portanto, ele deverá se consolidar como mais uma alternativa de conexão entre a América do Sul e a América do Norte, com o objetivo de fornecer “acesso mais rápido e de baixa latência para serviços como o Gmail ou YouTube”, de acordo com o que informa o Google.

Sua inauguração está marcada para 2023, e o nome do sistema é uma homenagem a Maria Firmina dos Reis, considerada a primeira romancista brasileira.

Fonte: Submarine Cable Map, Google Cloud