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Ataques a navios no Mar Vermelho podem encarecer produtos no mundo

Por| Editado por Wallace Moté | 21 de Dezembro de 2023 às 10h47

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(Imagem: Dominik Lückmann/Unsplash)
(Imagem: Dominik Lückmann/Unsplash)

Ataques do grupo Houthi a navios que trafegam pelo estreito de Bab-el-Mandeb, no Mar Vermelho, podem causar impactos na economia global, encarecendo produtos em todo o mundo. Os possíveis aumentos dos preços seriam consequência do desvio de rota que algumas companhias marítimas têm feito para evitar a região, estendendo consideravelmente o tempo de viagem e o consumo de combustíveis, gerando assim um efeito cascata que pode atingir os consumidores.

Grandes empresas que dependem de transporte marítimo, como a petrolífera BP e o conglomerado dinamarquês Maersk, anunciaram nos últimos dias que irão suspender o uso da rota do estreito de Bab-el-Mandeb, considerada uma das mais importantes para o transporte de petróleo, gás natural liquefeito e bens de consumo. As embarcações passarão a contornar o sul do continente africano, através do Cabo da Boa Esperança, medida que terá impactos significativos.

Tomando como exemplo o trajeto entre Taiwan, na Ásia, e os Países Baixo, ao norte da Europa, uma embarcação com velocidade média de 16,43 nós (algo próximo de 30 km/h) levaria em torno de 25,5 dias para chegar ao destino através do Mar Vermelho. Nas mesmas condições, um navio que realiza o desvio para o sul da África acabaria levando 34 dias para concluir o trajeto, aumento de quase 10 dias que não apenas impacta a agenda das companhias, gerando atrasos, como ainda leva a um maior consumo de combustível.

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A medida acaba gerando um efeito cascata — as dificuldades no transporte encarecem o petróleo e outras matérias-primas, levando ao aumento dos valores dos combustíveis, que por sua vez afetam os preços dos produtos. É interessante lembrar que, no Brasil, a maior parte da produção é transportada em vias rodoviárias, o que significa que combustíveis mais caros podem gerar impactos no mercado nacional.

Outro efeito dos ataques é um aumento no preço dos seguros das embarcações frente aos "riscos de guerra", enquanto analistas alertam que, caso outras companhias petrolíferas sigam o exemplo da BP, é provável que vejamos o petróleo encarecer ainda mais — referência internacional de preços, o petróleo Brent já atingiu os US$ 78,44 (cerca de R$ 385) por barril.

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Apesar da situação alarmante, há dois aspectos que poderiam levar a uma crise mais amena, começando pelo melhor preparo das empresas marítimas após o bloqueio em 2021 do Canal de Suez pelo navio Ever Given, que encalhou na região e forçou o desvio de rotas. Além disso, conforme destaca Chris Rogers, da empresa de consultoria S&P Global Market Intelligence, "os bens de consumo enfrentarão o maior impacto, embora os atuais problema ocorram durante a época baixa de transporte marítimo".

Houthi e o conflito em Gaza

O cenário delicado no Mar Vermelho é resultado de ataques do movimento Houthi, do Iêmen, que declarou apoio ao Hamas após o início da ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza. O grupo confirmou as investidas, e afirmou atacar "navios que estejam viajando para território israelense", ainda que não tenha sido possível verificar se todas as embarcações atacadas estavam se dirigindo a Israel.

Em resposta às movimentações do Houthi, o secretário de defesa dos EUA, Lloyd Austin, anunciou a Operação Prosperity Guardian, que estabeleceu uma força naval internacional com apoio de Reino Unido, Bahrein, Canadá, França, Itália, Holanda, Noruega, Seicheles e Espanha para assegurar a proteção das embarcações que mantiverem o tráfego na região.

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Fonte: via BBC News Brasil