Análise: Philips Fidelio NC1, alta qualidade e silêncio

Por Pedro Cipoli
photo_camera Renan Pagliarusi/Canaltech

Investir alto em um fone de ouvido parece um exagero para a maioria das pessoas. Um luxo, até. Afinal, o objetivo não é apenas escutar músicas? Qual a vantagem que um modelo avançado tem em relação a outro que vem junto com o smartphone? Em uma escala menor, é mais ou menos o que acontece com a ideia de trocar de carro, onde é difícil se acostumar com uma experiência, digamos, “inferior”. Um carro manual, por exemplo, é bom e suficiente até a troca por um carro automático, pelo menos.

Marketings estúpidos à parte, com modelos que custam caro tentando empurrar um poder de marca em detrimento à qualidade (como os fones da Beats), o mesmo acontece com fones de ouvido. A linha Fidelio da Philips é um bom exemplo disso, com modelos que não chegam a ser audiófilos, mas se aproximam bastante dessa definição com uma família de produtos bem estabelecida e de altíssima qualidade de som e construção de alto nível.

Temos a linha Fidelio L, por exemplo, que oferece uma excelente experiência sonora com modelos over-the-ear abertos. Já a família Fidelio S pretende oferecer a mesma qualidade com modelos intra-auriculares e os on-ear Fidelio M (on-ear) e Fidelio X, o carro-chefe da Philips. Agora vamos conhecer o primeiro modelo de uma nova família, que realmente estava fazendo falta na linha Fidelio: o NC1.

O “NC” significa “Noise-Canceling” (cancelamento de ruídos, em português), já anunciando o principal recurso do produto, enquanto o 1 apenas indica que é a primeira versão. A ideia da Philips é trazer a qualidade da linha Fidelio com um sistema ativo de cancelamento de ruído, uma boa pedida para usuários que buscam qualidade e silêncio na hora de trabalhar até em viagens de avião, aliviando o ruído de fundo da turbina. Graças a essa característica, o NC1 compete diretamente com a linha QuietConfort da Bose.

Anunciado como um modelo com driver fechado, a verdade é que as coisas não são bem assim. Há uma minúscula saída no centro das tampas traseiras para o áudio “respirar”, mas sem comprometer o isolamento passivo quando o circuito de isolamento ativo está ligado. A qualidade da construção é excelente, combinando partes de metal, plástico e áreas emborrachadas que dão um visual premium comum da linha, além de ser compacto e bastante leve com cerca de 180 gramas.

Como boa parte dos modelos com isolamento de ruído, a Philips inclui uma bolsa de transporte, um ponto extremamente positivo, já que ela é rígida. Ou seja: nada de apanhar de outros objetos na mochila, trazendo também compartimentos internos para guardar o cabo separadamente. O cabo é um dos dois pequenos problemas que observamos, pois tem apenas 1,2 metros e não dispõe de controles de volume. A vantagem é que ele usa duas saídas P2, então pode ser trocado por um que tenha controles. Ainda assim, não é algo que deveria acontecer com um modelo desses.

O segundo deles é o botão de ativação do isolamento ativo, que teve o design priorizado em vez da ergonomia. Ele é pequeno e pouco elevado, o que obriga o usuário a ficar procurando por ele mesmo depois de se acostumar a usá-lo. A ideia da Philips, nos parece, foi criar uma noção de balanço entre o lado esquerdo e direito, já que do outro lado há a porta micro USB para carregamento, usando mais ou menos a mesma área. Aliás, bem que essa porta poderia ser coberta.

Isso já denuncia que o Fidelio NC1 usa uma bateria interna em vez de pilhas, uma escolha que preferimos pela praticidade. A autonomia é uma incógnita, já que carregamos completamente quando recebemos ele para testes e ela não acabou mesmo depois de uns bons dias de uso. Tipicamente, a autonomia de modelos do tipo gira em torno de 40 horas, o que está de acordo com o que vimos em nossos testes.

E a qualidade? Excelente, com graves, médios e agudos bem definidos, além da capacidade de reproduzir frequências entre 7 Hz e 40 kHz (que é maior do que a capacidade do ouvido humano, que fica entre 20 Hz e 20 kHz). Com uma impedância baixíssima de 16 ohm, é garantido que ele funciona com basicamente qualquer dispositivo sem a necessidade de amplificadores, alcançado sons bastante altos de até 107 dB, o suficiente para machucar o ouvido, se colocado no volume máximo.

Todo esse conjunto tem um custo, e ele não é pequeno: R$ 1.299. É um valor alto, mas até competitivo se comparado com outros modelos isolantes de ruído do mesmo calibre, como o QuietComfort 15 da Bose. São duas variáveis nesse preço: alta fidelidade e isolamento ativo, ambos fatores multiplicadores bem pesados. Porém, quem estiver disposto a encarar esse preço, dificilmente ficará arrependido.

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