Review Redmi 10 | Um Xiaomi que não tem bom custo-benefício

Por Felipe Junqueira | Editado por Léo Müller | 25 de Novembro de 2021 às 14h30
Ivo Meneghel Jr/ Canaltech

A Xiaomi demorou, mas atualizou a linha Redmi no segundo semestre de 2021 com o lançamento do Redmi 10, já disponível oficialmente no Brasil. O aparelho tem muitas semelhanças com o Redmi 9, seu antecessor, mas traz processador atualizado, tela com mais fluidez e câmera com resolução maior.

Com um visual renovado, o Redmi 10 se aproxima mais da linha Redmi Note 10, incluindo o furo na tela para a câmera frontal. Aliás, ele pode até ser descrito como uma versão Lite da linha mais popular da sub-marca da Xiaomi, já que tem proposta de entregar especificações mais modestas e preço ainda mais reduzido.

Porém, nem todo celular da empresa chinesa cumpre a proposta que colocou a marca nos corações de muitos fãs de tecnologia, especialmente no Brasil. O famoso custo-benefício não está presente no Redmi 10 como acontece com outros modelos da companhia chinesa, e eu vou mostrar isso nesta análise.

Claro que eu testei o aparelho por alguns dias para chegar a esta conclusão, então siga para os próximos parágrafos para entender o que eu achei deste celular da Xiaomi.

Prós

  • Áudio estéreo
  • Desempenho satisfatório
  • Câmeras decentes

Contras

  • Não oferece nada que os concorrentes não tenham
  • Tela com brilho baixo
  • Bateira pode não durar o dia todo

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Design e Construção

Visual do Redmi 10 se assemelha com celulares da linha Redmi Note 10 (Imagem: Ivo/Canaltech)

Entre os lançamentos da Xiaomi em 2021, o Redmi 10 fica entre os celulares mais simples, com características de um aparelho de entrada. Isso já se nota desde a sua construção e design, com acabamento em plástico na traseira e laterais, e vidro na parte frontal. Ao menos a tela tem proteção Gorilla Glass 3, segundo a ficha técnica. O dispositivo que eu testei já possui uma película protetora, também.

A caixa acompanha uma capinha de TPU (poliuretano termoplástico) que é um pouco curiosa. Apenas a entrada USB-C possui uma tampa, enquanto todos os microfones e até o conector de fone de ouvido ficam expostos, bem como o botão de energia, que traz o leitor de impressão digital integrado. A ideia da Xiaomi é, provavelmente, evitar que entrem sujeiras na porta principal do aparelho, evitando que você tenha problemas na hora de fazer a recarga.

O Redmi 10 tem tamanho médio para um celular atual, com 162 mm de altura e 75,5 mm de largura. Apesar de ter tela do mesmo tamanho, ele é cerca de 3 mm mais baixo que o Moto G20. A espessura é relativamente grande, com quase 9 mm, enquanto o peso fica na média de celulares intermediários, com 181 gramas.

  • Dimensões: 162 x 75,5 x 8,9 mm
  • Peso: 181 gramas

Visualmente, o dispositivo tem módulo de câmeras com cinco furos, sendo um separado na parte de cima, em um quadrado preto dentro de outro retângulo prateado, e os outros quatro abaixo, em um fundo preto. São duas filas, com uma lente e um flash LED acima de outros dois sensores. No final, um fundo preto estendido já na tampa traseira tem uma frase que informa a presença de inteligência artificial no sistema fotográfico.

Na frente, a tela ocupa boa parte do espaço, com um pequeno queixo na parte inferior e bordas mínimas nas laterais e em cima. A câmera frontal fica em um pequeno furo centralizado, quase colada à borda superior.

Os botões de volume e ligar ficam no lado direito, e no esquerdo fica apenas a gaveta de chips. Em cima há um conector para fone de ouvido, alto-falante, emissor infravermelho e um microfone. Já na parte de baixo, você encontra mais um microfone, o conector USB-C e o alto-falante.

Tela

Especificações técnicas da tela

  • Tamanho: 6,5 polegadas, 102 cm² de área, aproximadamente 83,4% de proporção da área frontal;
  • Tecnologia do painel: IPS LCD;
  • Resolução e proporção: Full HD (1080 x 2400 pixels), 20:9;
  • Densidade aproximada: 405 pixels por polegada;
  • Extras: 90 Hz, proteção Corning Gorilla Glass 3.

Por se tratar de um celular intermediário de entrada, o Redmi 10 traz painel acessível — pensando em custo. A Xiaomi optou pela tecnologia IPS LCD, que é bem mais em conta do que a OLED, e tem suas vantagens e desvantagens. O principal ponto fraco é o brilho, que tem pouca intensidade e pode tornar o uso em ambientes externos um pouco desconfortável.

A tela prioriza cores naturais, mas peca um pouco na intensidade do contraste, especialmente nas áreas escuras. O painel LCD não apaga totalmente os pixels para alcançar preto profundo, o que resulta em um tom de cinza escuro. Não é o ideal para filmes, mas dá para o gasto e atende bem a proposta, já que a ideia é entregar um bom celular com preço não muito alto.

Redmi 10 tem tela com resolução Full HD (Imagem: Ivo/Canaltech)

Com resolução Full HD e boa densidade de pixels (aproximadamente 405 ppp), o dispositivo entrega imagens nítidas, sem serrilhados ou pontos visíveis. Aliado à taxa de atualização aumentada em 90 Hz, você consegue jogar e navegar na internet com fluidez muito boa, sem perder detalhes. Tenha em mente, no entanto, que o dispositivo usa os 60 Hz como padrão, e você precisa alterar nas configurações se quiser a frequência maior.

O Redmi 10 utiliza uma taxa adaptativa que pode variar entre 60 Hz e 90 Hz. A troca é feita de maneira manual, e fica a seu critério selecionar a frequência mais baixa para economizar bateria quando estiver assistindo a vídeos e trocar para a mais alta, com maior fluidez, ao navegar na internet ou jogar.

Em resumo, você tem boa nitidez e fluidez da imagem, com cores naturais. O contraste não é ideal, mas não chega a incomodar tanto. Já o brilho é a grande desvantagem do Redmi 10 para concorrentes com tela OLED, como modelos mais baratos da série Galaxy A, entre eles os A22 e A32. Mas é até um pouco melhor do que celulares da linha Moto G, como G10, G20 ou G30, que também têm tela LCD.

Configuração e desempenho

Especificações técnicas do Redmi 10

  • Sistema operacional: Android 11 sob a MIUI 12.5;
  • Plataforma: MediaTek Helio G88 (12 nm);
  • Processador: Octa-core (2x 2,0 GHz Cortex-A75 + 6x 1,8 GHz Cortex-A55);
  • GPU: Mali-G52 MC2;
  • RAM: 4 GB ou 6 GB;
  • Armazenamento: 64 GB ou 128 GB.

As especificações de hardware do Redmi 10 indicam boa velocidade de processamento de dados, mesmo para o padrão de 2021. O dispositivo tem processador de oito núcleos com arquitetura avançada e boa frequência, além de ser construído com litografia relativamente nova — apesar de já termos chips de 5 nanômetros entre os topo de linha, e empresas já desenvolvem geração com 3 nm.

Durante os meus testes, notei que o celular aguenta bem o uso do dia a dia, sem engasgos para tarefas mais comuns como mensageiros e navegação na internet. Mesmo em jogos ele entregou boa fluidez, apesar de não ter potência para aguentar gráficos muito pesados — ou seja, basta deixar no padrão ou até reduzir um pouco a qualidade para garantir boa jogatina.

Porém, você precisa ter em mente que o Redmi 10 é um celular intermediário de baixo custo, o que significa que não foi desenvolvido para tarefas muito pesadas. Eu senti que ele perde um pouco de fluidez quando há muitos aplicativos abertos ao mesmo tempo, e transitar entre eles pode ser um pouco demorado. Ainda é melhor do que celulares realmente de entrada, mas se você já é um pouco mais exigente, talvez seja melhor procurar por uma opção de custo um pouco mais elevado.

Resultados de benchmark do Redmi 10 (Imagem: Felipe Junqueira/Captura de tela)

Os resultados nos benchmarks ficam dentro do esperado para as especificações e o que o celular de fato entrega, com 719 pontos e 4,3 fps no teste Wild Life Unlimited do 3D Mark e 181 pontos com 1,1 fps na versão Extreme. Isso o coloca em pé de igualdade com modelos como o Redmi Note 9 (2021) e o Moto G20, dois bons intermediários de baixo custo.

Eu testei o Redmi 10 com os jogos Asphalt 9, COD Mobile, Space Marshals 2, Botworld e Free Fire e não tive problemas para rodar nenhum destes títulos. Mesmo a transição entre dois deles sempre ocorreu de maneira fluida e tranquila.

Bom notar que a versão vendida oficialmente no Brasil tem 4 GB de RAM e 128 GB de armazenamento, mas é possível encontrar em sites de importação o modelo com 6/128 GB, além de uma versão com 4/64 GB. Para quem busca mais tranquilidade para rodar vários apps ao mesmo tempo, pode ser uma boa opção pagar um pouco mais pela memória extra.

Interface e sistema

O Redmi 10 já sai da caixa com a MIUI 12.5, que roda por cima do Android 11, instalada. A Xiaomi não tem uma política de atualização muito clara para seus dispositivos, mas entrega novos recursos para a maior parte do seu (bastante extenso) catálogo, mesmo que não renove a versão do sistema operacional.

Não dá para prever até onde este modelo vai ser atualizado, mas há uma chance grande de receber ao menos alguns reforços de segurança por uns três anos, senão mais. Há uma possibilidade de o Android 12 ser liberado para este celular, mas por enquanto ele não está nem na lista de talvez e nem na dos modelos que não receberão o update.

Celular da Xiaomi tem detalhes das especificações técnicas nas configurações (Imagem: Ivo/Canaltech)

A MIUI traz bastante recursos adicionais aos aparelhos da Xiaomi, mas também tem uma boa quantidade de aplicativos pré-instalados, alguns deles redundantes.

No Redmi 10, especificamente, quatro foram instalados depois que eu terminei toda a configuração: uma rede social chamada Helo (que ainda por cima fica enviando notificações mesmo que você nem abra o app), o banco Inter, Google Pay e C&A Brasil. Parecem alguma parceria da Xiaomi Brasil com essas empresas.

Além deles, Twitter e Netflix também já apareceram de fábrica. E o monte de app presente em todo dispositivo Xiaomi, como Clima, Música, Segurança, Temas, Limpeza, Mi Video e Gerenciador de Arquivos. Todos podem ser desinstalados ou ao menos desativados, mas retornam se você formatar o dispositivo.

O celular da Xiaomi tem leitor de impressão digital lateral, integrado ao botão de energia, que tem funcionamento bastante rápido e preciso. Em matéria de conectividade, ele conta com o 4G, Bluetooth 5.1 Low Energy e Wi-Fi dual-band (suporte a 2,4 GHz e 5 GHz) com hotspot.

O modelo brasileiro não tem suporte ao NFC, mas conta com emissor infravermelho, que permite controlar televisão, ar condicionado e outros dispositivos compatíveis com a tecnologia.

"As câmeras do Redmi 10 são decentes para a faixa de preço do aparelho. Os maiores problemas são a tonalidade excessivamente fria da principal e os resultados da frontal com pouca luz."

— Felipe Junqueira

Câmeras

Especificações técnicas das câmeras

  • Principal: 50 MP, abertura f/1.8, foco PDAF dual pixel;
  • Ultra wide: 8 MP, abertura f/2.2, campo de visão de 120˚;
  • Macro: 2 MP, abertura f/2.4;
  • Profundidade: 2 MP, abertura f/2.4;
  • Selfies: 8 MP, abertura f/2.0;
  • Vídeos: 1080p ou 720p a 30 fps (principal e frontal);

São nada menos que quatro câmeras na parte traseira, com funções diferentes para cada lente. A principal tem a maior resolução, com 50 MP — eram 13 MP no Redmi 9 —, mas a Xiaomi optou por uma tecnologia que une pixels menores em um maior para aumentar a sensibilidade à luz e reduzir ruídos na imagem.

As outras são uma câmera com campo de visão maior, uma macro e um sensor que auxilia no desfoque do modo retrato.

Ao analisar as fotografias que tirei com o Redmi 10 a primeira coisa que me saltou aos olhos foi a diferença nas cores e no contraste entre a principal e a ultra wide.

A principal tem um nível de detalhes muito bom, mas as cores ficam bastante apagadas, e fotos tiradas em uma praia em dia ensolarado parecem ter sido feitas em um dia nublado. Já a ultra wide fica mais próxima da imagem real, com o verde mais destacado e o céu azul como estava no dia da foto.

Câmera de 50 MP consegue manter bom nível de detalhes com zoom em 2x (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

Essa diferença nas cores diminui bastante se você ativar o modo AI (inteligência artificial). Com ele, o celular faz uma avaliação do cenário e ajusta as cores e até a exposição para entregar o melhor resultado possível. Em uma foto de plantas, por exemplo, ele valoriza mais o verde. Porém, aumenta demais a exposição, e pode deixar algumas áreas estouradas.

Já a super grande-angular conseguiu captar bem o ambiente, mas sua faixa dinâmica é bem reduzida, o que faz com que áreas sombreadas fiquem quase sem detalhes. Ativar o HDR pode ajudar a chegar a resultados mais realistas. O uso do modo AI, no entanto, pode deixar os resultados muito exagerados, quase artificiais.

Para a faixa de preço do Redmi 10, as fotos ficam bem decentes, especialmente com boa iluminação. Não é um celular que eu recomendaria para quem gosta de tirar muitas fotos, mas dá para conseguir resultados bem bacanas com este modelo da Xiaomi. Uma edição leve pode ajudar a destacar melhor as cores, e eu recomendo o uso do modo HDR sempre no automático.

Macro e outros recursos

Macro do Redmi 10 não tem qualidade muito boa (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

A macro tem pouca resolução e usa foco fixo, o que pode dificultar bastante na hora de conseguir a melhor foto. Se você acertar o enquadramento e a distância para focar no lugar certo, ainda tem que conviver com granulados mesmo em locais bem iluminados. Em telas pequenas, mal dá para notar, e mesmo no PC dá para relevar.

O modo noturno consegue entregar fotos bem interessantes, se você souber usar a luz disponível a seu favor. O modo retrato tem ótima nitidez, mas sofre com o mesmo problema da principal: o tom da imagem fica muito frio, e mesmo dias ensolarados podem parecer nublados pela lente do Redmi 10.

O celular ainda oferece os modos panorama, profissional e até a opção de usar os 50 MP na imagem final, em vez de reduzir com a junção de alguns pixels menores em um maior. Porém não recomendo esse recurso, o arquivo fica grande e não tem um ganho real em qualidade.

Selfies | 8 MP

Selfies são muito boas, em ambientes com boa iluminação (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

As selfies também são bem decentes, com bom nível de detalhes e nitidez, e cores com temperatura que respeita o ambiente real. O uso do modo retrato pode gerar alguns erros de recorte, mas no geral o trabalho é muito bom, e ajuda a disfarçar alguns estourados no fundo da imagem, deixando o foco todo no seu rosto.

O problema está nos ambientes com pouca luz. O bom nível de detalhes é substituído por uma grande quantidade de ruídos e as cores deixam de ser realistas.

Curiosamente, dá para conseguir um resultado melhor com o modo retrato ativado, já que o celular ignora detalhes do fundo para deixar seu rosto como destaque. De alguma forma, isso aumenta a nitidez na área focada e reduz a quantidade de ruídos.

Vídeos

A gravação de vídeos só tem duas opções em todas as câmeras: resolução 1080p (Full HD) com 30 quadros por segundo, ou 720p (HD) com a mesma taxa de quadros. Compensa mais aproveitar a quantidade maior de pixels.

As cores seguem o que vimos nas fotos: principal com tonalidade mais fria, e selfie com temperatura mais realista, puxando um pouco para os tons quentes.

Sistema de som

O critério de maior vantagem do Redmi 10 para outros modelos da mesma faixa de preço é o sistema de som estéreo. Enquanto a maioria dos celulares intermediários até mesmo de preço mais elevado têm apenas um alto-falante, este modelo da Xiaomi possui duas saídas de som que funcionam de maneira complementar.

A qualidade é bem razoável, com algumas distorções a partir do volume médio. Nada preocupante, considerando a faixa de preço do celular.

Além do som estéreo no alto-falante, o aparelho tem conector de fone de ouvido e também pode ser usado com fones ou caixas de som Bluetooth. Você tem bastante opção para ouvir músicas ou assistir a filmes e séries com o melhor áudio que tiver disponível, desde os próprios alto-falantes do dispositivo até dispositivos extras.

"O Redmi 10 tem muita bateria, mas entrega apenas o mínimo esperado para a categoria intermediária atualmente: um dia. Dependendo do seu uso e taxa de atualização da tela, pode não chegar nem a isso."

— Felipe Junqueira

Bateria e carregamento

A duração da bateria é um quesito que decepciona um pouco. Não que este celular não aguente um dia inteiro de uso, mas era de se esperar mais de um aparelho com 5.000 mAh de capacidade. Para verificar a autonomia, eu fiz dois testes, sendo um de reprodução de vídeo online e outro o uso real do aparelho, com aplicativos comuns da atualidade e alguns jogos.

Para quem gosta de usar o celular para assistir aos filmes e séries preferidos, pode esperar cerca de 16 horas de duração da carga no Redmi 10. Não é um número muito alto, mas como é difícil alguém ficar tanto tempo olhando para a tela do celular sem parar, dá para dizer que é suficiente para um dia inteiro longe da tomada.

O teste de uso real apenas comprova que a duração não é tão boa quanto o esperado, se a gente pensar que muitos celulares Android com a mesma capacidade conseguem aguentar mais de um dia sem precisar de uma tomada. O Redmi 10 encerrou um dia de trabalho com apenas 59% de carga, sendo apenas 4 horas e 40 minutos de tela ativa.

Resultados do teste de bateria do Redmi 10 (Imagem: Felipe Junqueira/Captura de tela)

Você pode pensar que não é um resultado tão ruim, ainda mais porque o teste envolve um bom tempo de jogatina e outras tarefas pesadas. Talvez até seja o suficiente para o básico, mas há algumas considerações a se fazer aqui.

Primeiro, o teste foi realizado sem chip de rede móvel, que já pode aumentar consideravelmente o consumo. Segundo, são apenas 9 horas de uso com a tela em brilho médio, confortável para uso em ambientes internos. Então, mesmo que a exigência seja um pouco acima da média, é melhor não criar uma expectativa muito grande para a duração da carga.

Um dia de uso normal é o que a própria Xiaomi promete, então se você conseguir extrair mais do que isso, está ótimo. Mas faço um alerta: os testes foram feitos com a tela em 60 Hz, padrão do aparelho. Ainda usei ele por um tempo considerável com a taxa em 90 Hz e notei que a bateria é consumida ainda mais rápido, então talvez seja melhor guardar esta opção para jogar e se contentar com navegação na internet com as animações menos fluidas.

O Redmi 10 vem com um carregador de 22,5 W, mas possui suporte a apenas 18 W. Em 15 minutos, o smartphone vai de 46% até 61% da carga, aumento de 15 pontos percentuais. Em 30 minutos, ele vai dos mesmos 46% até 73%, aumento total de 27 p.p.. Lembrando que a velocidade da recarga pode variar um pouco a depender do nível atingido.

Concorrentes diretos

O Redmi 10 é um celular intermediário de entrada, ou seja, tem um pouco mais do que apenas o básico para um celular atual, mas ainda tem menos potência do que a maioria dos smartphones da categoria. Assim, ele compete com modelos como Moto G20 e Moto G30, da Motorola, e Galaxy A22 e A32, Galaxy M22 e M32, da Samsung.

Os dois modelos da Motorola podem ser encontrados a preço mais baixo que o da Xiaomi no mercado nacional atualmente. O Moto G20 está na faixa de R$ 1.000, enquanto o G30 já salta para aproximadamente R$ 1.200. Ambos têm potência semelhante ao Redmi 10, bem como a mesma capacidade de bateria e tela semelhante. Os conjuntos de câmeras fica em 48 MP e 64 MP na principal, com resultados próximos ao que obtive no modelo da Xiaomi.

Entre os Galaxy, o M22 é o mais em conta, podendo ser encontrado na faixa de R$ 1.000, enquanto o A22 salta para cerca de R$ 1.100. O M32 já vai para a casa de R$ 1.300, mesmo valor que você encontra o A32. As vantagens destes dois últimos são a quantidade maior de RAM (6 GB) no primeiro e o visual mais elegante e diferenciado do segundo.

Redmi 10: vale a pena?

Câmera principal tem 50 MP de resolução (Imagem: Ivo/Canaltech)

A Xiaomi caiu nas graças de consumidores ávidos por celulares com boas especificações e preço abaixo da média do mercado.

Hoje em dia, no entanto, não é fácil encontrar smartphone da marca com o custo-benefício que a tornou tão popular, por conta tanto do dólar, que disparou nos últimos anos, e também pela resposta das concorrentes, que passaram a entregar mais por menos em seus telefones.

Não é que o smartphone seja ruim, longe disso. Ele entrega desempenho satisfatório, tem boa tela, bateria com duração de um dia e câmeras decentes, além do áudio estéreo, recurso pouco comum na faixa de preço.

Mas se há opções melhores, não vejo muito motivo para insistir em uma marca que não entrega justamente seu maior benefício, que era o custo mais baixo que a concorrência.

Você encontra o Redmi 10 por cerca de R$ 1.500 a versão de 64 GB ou R$ 1.600 com 128 GB, ambas com 4 GB de RAM. No site oficial da Xiaomi, onde você compra com garantia de 12 meses da empresa, selo Anatel e carregador adaptado para as tomadas do Brasil, o celular custa R$ 1.840 à vista. Compensa bastante esse gasto a mais, pelo menos até que importadores que vendem via marketplace comecem a baixar o preço cobrado.

Porém, há modelos mais interessantes em relação a hardware e até bateria e câmeras também oficiais de outras empresas. O Moto G60, por exemplo, é bem mais parrudo e está na faixa do Redmi 10 com importadores.

O celular da Motorola tem um Snapdragon 732G, 6 GB de RAM, 128 GB de armazenamento e vem com 6.000 mAh de bateria. O Galaxy A52, que só tem menos RAM e bateria que o G60, também está na faixa dos R$ 1.600.

Furo na tela foi a solução da Xiaomi para a câmera frontal do Redmi 10 (Imagem: Ivo/Canaltech)

Claro que você pode comprar diretamente da China e pagar bem menos, mas aí corre o risco de ser taxado, além de pagar o frete e ainda demorar para receber seu celular. É uma questão de pensar se vale a pena, sendo que dá para encontrar bons aparelhos na faixa de R$ 1.100 já no Brasil e com garantia de 12 meses da fabricante. O Moto G20, por exemplo, é tão bom quanto o Redmi 10 e está nesta faixa.

Agora, se você faz questão de levar para casa um celular da Xiaomi, tem opções mais interessantes na faixa dos R$ 1.500. E aí vou considerar sempre o melhor preço com importadores via marketplace. Tanto o Redmi Note 10 quanto o Redmi Note 10S entram nesta lista, sendo que o segundo compensa mais. A Poco tem o X3 NFC ou o X3 Pro, sendo este segundo a melhor opção, apesar de estar um pouco acima da faixa mencionada.

Ou seja, a Xiaomi ainda consegue entregar o bom custo-benefício que a tornou tão conhecida e adorada por fãs da tecnologia no Brasil. Mas você precisa tomar um cuidado ao procurar por um celular da marca (ou suas subsidiárias) para não levar um modelo que não atenda ao critério esperado.