O Poco F8 Pro é um intermediário premium que busca equilibrar desempenho robusto e especificações competitivas dentro de um preço mais contido do que flagships tradicionais. Em um mercado cada vez mais saturado, seu propósito é claro: oferecer uma experiência fluida para jogos, multitarefa e uso diário intenso sem comprometer demais a bateria ou elevar o valor ao nível dos tops de linha.
Projetado para atender tanto usuários que querem desempenho quanto aqueles que desejam bom custo-benefício, o F8 Pro segue a tradição da linha de “espremer” o máximo de hardware por real investido. Até que ponto ele se sai bem-sucedido nisso? Vamos descobrir.
O Poco F8 Pro apresenta um visual moderno e sóbrio, com acabamento que mistura linhas retas e vidro curvo na ilha de câmeras – o que o torna confortável de segurar e elegante no visual. Apesar de não ser “chamativo”, o design convence pela construção sólida e atenção a detalhes, como o posicionamento equilibrado das câmeras e os controles ergonômicos.
O módulo de câmeras, embora não seja saliente demais, ainda confere destaque ao conjunto traseiro — um elemento comum em celulares da linha Poco.
Chama atenção o fato de terem colocado o flash no mesmo padrão das lentes, dando a impressão de que o celular tem quatro lentes. Apesar de ser "esteticamente inofensivo", essa escolha de design acaba não fazendo muito sentido, especialmente porque pode confundir facilmente os desavisados.
No geral, a sensação em mãos é a de um dispositivo bem acabado, que mesmo não sendo um flagship, se passa perfeitamente como um aos olhos de quem vê.
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Poco F8 Pro
Gabriel Furlan Batista/ Canaltech
Existe um módulo separado para o flash que é idêntico ao da câmera, dando a impressão de que o celular tem quatro lentes.
— Renato Moura Jr.
Tela e multimídia
Uma das maiores qualidades do F8 Pro é sua tela AMOLED de 6,59 polegadas com resolução Full HD+ e taxa de atualização de 120 Hz. Essa combinação garante imagens vivas, cores ricas e uma fluidez perceptível — especialmente em navegação, menus e jogos compatíveis com 120 Hz.
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O painel também alcança um brilho alto o suficiente para uso confortável em ambientes externos e claros, uma vantagem considerável para um smartphone nessa faixa de preço. A qualidade de som estéreo é competente para consumo de mídia casual, com volume que alcança níveis altos sem distorções gritantes.
Não se compara às saídas de áudio de aparelhos premium, mas supera muitos concorrentes da mesma faixa. Para quem gosta de jogar ou assistir streaming no celular, essa é uma combinação realmente interessante.
Desempenho
O desempenho é um dos pilares do F8 Pro. Equipado com Snapdragon 8 Elite, o aparelho entrega velocidade e fluidez consistentes em tarefas mais exigentes, incluindo uma porção de jogos.
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Títulos modernos como Genshin Impact e Call of Duty Mobile rodam com gráficos elevados, taxas de quadros estáveis e sem engasgos perceptíveis — algo que impressiona em um dispositivo intermediário.
O controle de temperatura também se saiu bem para um aparelho da categoria. Ele naturalmente esquenta em atividades intensas, mas nada que chegue a comprometer o desempenho ou causar throttling perceptível. Isso mantém o F8 Pro competitivo para jogatinas mais longas.
Seus 12 GB de RAM e o armazenamento de 512 GB contribuem para uma experiência suave no dia a dia, com alternância entre aplicativos sem recarregamentos frequentes ou interrupções perceptíveis. No geral, podemos resumir que é um celular bem potente.
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Mesmo não se enquadrando na categoria de flagship, o Poco F8 Pro superou os principais tops de linha no mercado no Antutu, como o S25 Ultra e o iPhone 17 Pro
— Renato Moura Jr.
Bateria e autonomia
A autonomia é um dos pontos mais consistentes do F8 Pro. A bateria de 6210 mAh garante facilmente um dia inteiro de uso intenso sem a necessidade de recarga. Em uso moderado, muitos usuários podem estender a autonomia para quase dois dias.
Em nosso teste padronizado de quatro horas, o celular consumiu 22% da sua bateria em condições extremas. Em tese, isso garantia cerca de 18 horas de autonomia ininterrupta, mesmo exigindo ao máximo do celular.
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O carregamento rápido também merece elogios: embora não seja o mais veloz do mercado, ele repõe a carga de forma eficiente o suficiente para não atrapalhar o ritmo de uso do dia a dia. Não é espetacular, mas está acima da média da categoria.
Câmeras
O conjunto de câmeras do POCO F8 Pro é decente, com um sensor principal de 50 MP, um ultrawide de 50 MP e uma lente telefoto de 8 MP. Em boas condições de luz, o aparelho entrega fotos detalhadas, cores equilibradas e boa definição, muito graças ao seu processamento com inteligência artificial.
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Por outro lado, o desempenho do conjunto cai bastante em cenários com pouca iluminação. O ruído aumenta, o detalhamento diminui e o processamento às vezes peca pelo excesso de nitidez ou saturação em áreas contrastantes — algo que é perceptível quando comparado a outros celulares da mesma faixa que investem mais pesado em fotografia, como a linha Realme 15.
O modo ultrawide cumpre seu papel em capturar ângulos amplos, mas não entrega nitidez tão alta quanto o sensor principal. Também há perda de detalhes nas extremidades — uma limitação comum em muitos intermediários premium.
Já na parte de vídeo, ele grava em 8K e 30 fps ou 4K e 60 fps na lente principal, enquanto a frontal se limita a 1080p e 60 fps. É um conjunto competente, mas pouco instigante para gravações mais elaboradas (especialmente na câmera de selfie).
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Lente principal
Renato Moura Jr./Canaltech
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Software
O software MIUI da POCO (baseado em Android) entrega uma experiência cheia de recursos e opções de customização, mas também carrega consigo algumas nuances que dividem opiniões. Há diversas opções de configuração para temas, gestos e otimizações, o que é ótimo para quem gosta de adaptar tudo.
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Por outro lado, a interface pode trazer muitos apps pré-instalados indesejados e uma sensação ocasional de “poluição visual”, além de algumas notificações de sistema que podem parecer redundantes. Isso não compromete a usabilidade, mas é algo que usuários acostumados a versões mais “limpas” do Android podem se incomodar.
Principais concorrentes
O Poco F8 Pro encara uma concorrência pesada no segmento intermediário premium, disputando espaço com modelos que apostam em propostas diferentes para conquistar o mesmo público.
Um dos rivais mais diretos é o Realme 15, que aposta alto em uma experiência fotográfica mais profunda e entrega autonomia melhor que a do modelo da Xiaomi. Por outro lado, o F8 Pro se sai melhor no equilíbrio geral do conjunto, especialmente em tela e estabilidade de performance. O Realme 15 custa em média R$ 4.000.
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Outro concorrente de peso é o RedMagic 11 Pro, mais voltado para o público gamer. O modelo da Nubia aposta em refrigeração ativa e recursos dedicados a jogos, conseguindo manter desempenho mais estável em sessões longas e exigentes.
Em contrapartida, ele perde para o F8 Pro na versatilidade para o dia a dia, já que o foco em jogos costuma comprometer um pouco a experiência de câmeras e o refinamento do software. Ele também é bem mais caro, ficando na casa dos R$ 5.000.
Também podemos colocar como concorrentes os modelos FE da linha Galaxy S, que seriam versões simplificadas dos flagships da Samsung. Ele não chega perto do F8 Pro em desempenho bruto, especialmente para jogos pesados, mas compensa com uma experiência mais estável e versátil, combinando bem potência e usabilidade cotidiana. Atualmente, o S25 FE leva vantagem no preço, saindo por R$ 2.700.
No fim das contas, o Poco F8 Pro se posiciona como a opção mais equilibrada para quem quer desempenho de “quase flagship”, boa tela e autonomia sólida sem pagar preços de top de linha. Ele não é o melhor em tudo, mas é um dos que menos exige concessões no conjunto geral.
Vale a pena?
No conjunto da obra, o Poco F8 Pro se posiciona como um intermediário premium muito competitivo, com desempenho que rivaliza com smartphones de categorias superiores, excelente tela e autonomia sólida – além de um pacote geral que atende bem tanto usuários avançados quanto quem quer potência para jogos e consumo de mídia.
Ele não é perfeito: a qualidade fotográfica em baixa luz é um ponto fraco e o software pode dividir opiniões, mas levando em conta seu preço e especificações, o F8 Pro entrega muito valor por real investido. Atualmente, ele está saindo por volta de R$ 3.500, um preço que certamente pode melhorar; por menos de R$ 3.000, o custo-benefício fica bem mais atraente.