Review Amazfit GTR 3 | Continua uma excelente fitness tracker

Por Amanda Abreu | Editado por Léo Müller | 23 de Março de 2022 às 09h23
Ivo Meneghel Jr/ Canaltech

O Amazfit GTS 3, da Amazfit, é o novo lançamento da marca no mercado das pulseiras para monitoramento de atividade física. Com sensor biométrico atualizado, boa construção e autonomia de bateria para muitos dias, ele é uma excelente opção para pessoas que querem uma “fitness tracker” para rastrear os esportes praticados.

Apesar de não ser particularmente assídua nos exercícios físicos, pude me beneficiar de muitas de suas funções, principalmente na parte de monitoramento do sono. Pude testar o produto por cinco dias direto e venho trazer a minha experiência de uso nessa análise. Confira na nossa matéria.

Amazfit GTR 3 (Imagem: Ivo/Canaltech)

Prós

  • Tamanho e qualidade do painel excelentes
  • Acompanhamento físico avançado
  • Controle através da coroa giratória
  • Bateria com excelente autonomia

Contras

  • SO um pouco incompleto

Design e Construção

O Amazfit GTR 3 tem design bastante semelhante ao modelo anterior, o GTR 2. Seu corpo é totalmente feito em alumínio, remetendo a um aspecto premium assim que o pegamos em mãos. Seu preço gira em torno de R$ 1.250 em solo brasileiro, sendo uma das “fitness tracker” mais completas do segmento.

  • Dimensões: 45,8 x 45,8 x 10,8 mm;
  • Peso: 32 gramas;
  • Material: alumínio.

O relógio que recebemos para testes era na cor “cinza lunar”, mas há a disponibilidade de outra versão na coloração “preto trovão”. Na parte inferior da caixa do GTR 3 ficam os encaixes para pulseiras, caso o usuário tenha interesse em trocá-las.

Todavia, as disponibilizadas na caixa do produto são feitas de silicone antibacteriano, para minimizar quaisquer alergias, além de bem confortáveis no geral. O único ponto necessário é que, ao realizar a troca, é necessário que as novas pulseiras tenham encaixe no tamanho de 22 mm.

A pulseira em silicone do GTR 3 antibacteriano minimiza as chances de possíveis alergias durante o uso (Imagem: Ivo/Canaltech)

Existem dois botões na parte lateral do dispositivo, sendo uma delas a coroa giratória. Através deles é feita a navegação entre os menus e sistema operacional Zepp OS. Contudo, o usuário precisa tomar um cuidado extra para preservá-los intactos, principalmente para não batê-los em alguma parede ou quina durante o uso.

O visor tem 1,39 polegadas, resolução 454 x 454 e utiliza painel do tipo AMOLED, entregando excelente qualidade para a leitura e visualização dos conteúdos através dele. O nível de brilho também é satisfatório, mas sofre um pouco ao ser usado em ambientes com a luz solar diretamente nele, algo esperado para esse tipo de tela.

Por fim, esse modelo oferece resistência à água doce por até 50 metros de profundidade. Logo, ele pode ser utilizado mesmo em situações de chuva intensa, suor e atividades em piscina sem danos ao relógio.

"O Zepp OS, apesar de bem fluído, não entrega todas as funcionalidades que a Amazfit prometeu. O Spotify, até o momento, não está disponibilizado para uso."

— Amanda Abreu

Configuração e Desempenho

Pela primeira vez na linha Amazfit, temos um sistema operacional novo e reformulado para estes fitness trackers, tentando romper a barreira de simplicidade excessiva ao redor dos modelos anteriores.

A marca optou pelo Zepp OS como nome deste novo sistema operacional, com foco na entrega de um ambiente leve, responsivo e com pouco consumo de bateria.

Para alcançar essa proposta, eles utilizaram como base o código-fonte aberto "FreeRTOS".

A proposta deu certo: ele é leve, rápido e repagina a central de controle do GTR 3, tornando o produto uma versão ainda mais madura do que era oferecido no GTR 2, sem impactos negativos nem contrapartidas.

Essa evolução também permite que os modelos equipados com ele sejam mais próximos a um relógio inteligente de verdade, com suporte à instalação de apps de terceiros que não estejam pré-instalados.

O app Zepp OS é fluído e bastante responsivo (Imagem: Ivo/Canaltech)

App próprio é bom, mas incompleto

Infelizmente, como o sistema teve sua estreia recente no mercado, pouquíssimas opções estavam disponíveis durante meus testes, sendo notável a falta do Spotify, prometido pela empresa na revelação feita em 2021.

Neste momento, levando em consideração o que estava disponível no começo de 2022 para o sistema e loja do Amazfit GTR 3, posso afirmar que a plataforma não é completa. Ainda trata-se de um fitness tracker, faltando inúmeras funções e suportes para, de fato, poder chamá-lo de smartwatch.

Apesar dessa versão ser melhor que a versão anterior e o app próprio ser uma excelente evolução, falhas simples continuam. Como exemplo, podemos citar a total impossibilidade de responder mensagens pelo relógio, função já presente em pulseiras mais simples e baratas de outras fabricantes.

Acompanhamento Físico

Apesar de parecer um smartwatch, o objetivo de uso do GTR 3 é mais focado para as atividades físicas no geral. Embora exista o suporte para alguns apps de uso cotidiano — como as notificações do WhatsApp —, ele não tem como foco substituir o uso de um relógio inteligente para essas funções.

São suportados 150 tipos de modalidades de exercícios diferentes. Caminhada, corrida ao ar livre, natação, futebol, boxe e sapateado são algumas das atividades rastreadas por ele.

Na maioria dos esportes ao ar livre, ele mede a oxigenação no sangue, duração do treino, distância percorrida e frequência cardíaca, sendo esses dados diferentes (ou não) dependendo do que estiver sendo praticado.

O sensor biométrico utilizado para as medições é o “PPG BioTracker 3.0”, de fabricação própria, além de ser o mais avançado e também o mais preciso disponibilizado pela Amazfit na atualidade.

Monitoramento de sono

Esse conjunto também produz um relatório completo de qualidade do sono, caso o usuário o utilize durante o descanso. Nessa situação, ele consegue verificar muitas informações, tais como a qualidade do sono, frequência respiratória, batimentos cardíacos e outros dados pertinentes.

Já disse em outras análises que meu sono não costuma ser um dos melhores, e o GTR 3 conseguiu identificar isso sem grandes dificuldades. Ele identificou que eu dormi pouco durante a madrugada, além de dizer que meu sono profundo não havia sido suficiente durante o repouso.

Concluindo, posso dizer que o GTR 3 é uma fitness tracker bastante completa quando se refere ao acompanhamento de exercícios físicos e saúde em um único dispositivo.

O "BioTracker 3.0" é o sensor biométrico mais atualizado da fabricante (Imagem: Ivo/Canaltech)

"O GTR 3 rastreia mais de 150 modalidades diferentes, além de possuir um dos sensores mais precisos do mercado."

— Amanda Abreu

Conectividade

Na primeira utilização do GTR 3, você precisa de celular com a conexão Bluetooth ligada, além de baixar o app próprio da fabricante (Zepp) dentro da loja oficial do smartphone.

Assim que o liguei, o próprio relógio me mostrou um QR code que precisava ser escaneado dentro do app. Segui o passo a passo demonstrado no visor e na tela do celular para a configuração de todas as funções e pronto, ele já estava registrando as informações a partir dali.

A conexão do GTR 3 é feita de forma fácil e rápida, já que a leitura do QR code facilita bastante o processo (Imagem: Ivo/Canaltech)

Outro detalhe importante a ser mencionado é que se faz necessário o uso do Bluetooth para o carregamento e sincronização das informações enviadas do relógio ao dispositivo.

Mas fique tranquilo: atualmente, os novos protocolos Bluetooth são otimizados e feitos para gastarem pouquíssima bateria, mesmo que ligados frequentemente. Logo, você não precisará se preocupar com a autonomia dela em nenhum momento.

A fitness tracker da Amazfit também tem suporte à Alexa, assistente pessoal da Amazon. Para usá-la, basta o usuário ativar a função, fazer a pergunta e aguardar a resposta no visor do próprio dispositivo.

Bateria e Carregamento

Pude testar o GTR 3 por, aproximadamente, cinco dias seguidos. Vale lembrar que eu não faço nenhuma atividade física recorrente, então deixei que ele realizasse as medições durante o dia, brilho da tela de 1,39 polegada no modo automático e ativei o recebimento das notificações através dele.

Mesmo assim, não consegui zerar a bateria enquanto ele esteve comigo, ficando ao final dos testes com autonomia restante de 50% do total. Número bastante favorável, principalmente ao lembrarmos que o testei com frequência durante esses cinco dias.

O padrão de recarga é proprietário e feito, exclusivamente, para o GTR 3. Não há retrocompatibilidade entre os modelos nesse quesito. A parte boa é que ele é disponibilizado na caixa junto ao relógio, poupando o consumidor da necessidade da compra do acessório.

Concluindo, o Amazfit entregou praticamente 10 dias de autonomia mesmo em uso intenso.

Concorrentes Diretos

Embora existam algumas opções interessantes entre os concorrentes do GTR 3, alguns deles não possuem sensor e medição tão precisos quanto o relógio feito pela Amazfit. Logo, considero adequado sugerir um outro modelo da própria marca. Nesse caso, o GTS 3.

Eles contam exatamente com as mesmas funções entre si: são construídos com o “PPG BioTracker 3.0” — sensor mais assertivo disponibilizado pela gigante chinesa até o momento —, caixa feita em alumínio e pulseiras de silicone.

Também rastreiam 150 modalidades de esportes e atividades diferentes, sendo a única diferença deles a quantidade de botões na lateral, formato e tamanho de tela e, por fim, bateria.

Amazfit GTS 3 (Imagem: Ivo/Canaltech)

O painel tem 1,72 polegadas e é retangular, lembrando bastante o design de concorrentes já conhecidos como o Apple Watch.

Já a bateria tem duração menor. São 12 dias no GTS 3 contra 21 dias no GTR 3. Apesar da diferença, ambos os modelos são conhecidos por ficarem muitos dias ativos sem a necessidade de carregamento constante.

Há também dois botões disponibilizados na versão da caixa arredondada, contra um no modelo retangular, mas nada que interfira tão diretamente na usabilidade do usuário no dia a dia. Por último, o preço entre eles é bem semelhante, ficando a cargo do comprador decidir o que mais agrada.

O preço aproximado de ambos é de R$ 1.090 a R$ 1.250.

Conclusão

Assim como em outras versões da fitness tracker feitas pela gigante chinesa, o GTR 3 é mais um dos acertos fabricados por eles.

Com um dos sensores mais precisos do mercado, além de rastrear mais de 150 modalidades diferentes de esportes, o recém-lançado Amazfit é uma excelente opção para quem procura esse tipo de “fitness tracker”.

Amazfit GTR 3 (Imagem: Ivo/Canaltech)

Apesar de algumas funções ainda não estarem 100% disponibilizadas no Zepp OS, ele é fluído e tem boa navegabilidade no geral. Acessar os menus e escolher uma das diversas opções é bastante intuitivo e fácil, mesmo com a loja de aplicativos do sistema ainda incompleta e pobre em opções.

A versatilidade de poder utilizá-lo em qualquer local — mesmo em dias de chuva —, além do bom material escolhido em sua construção o fazem uma das pulseiras inteligentes mais completas do mercado, porém ainda sem comparações com um smartwatch “de verdade”.

Seu preço está em torno de R$ 1.250, algo dentro das expectativas para esse tipo de dispositivo. Vale lembrar que estamos falando de uma das pulseiras para acompanhamento de saúde mais completas do mercado. Ela também é construída com um dos sensores mais precisos existentes, trazendo confiabilidade e garantia para o usuário final.

Apesar de não cumprir com todas as funcionalidades que a fabricante prometeu, ainda é uma das melhores fitness tracker do mercado.