Review Fitbit Inspire 2 | Uma smartband muito básica

Por Diego Sousa | Editado por Léo Müller | 20 de Maio de 2022 às 13h46
Ivo Meneghel Jr/ Canaltech

A Inspire 2 é a pulseira inteligente mais básica do catálogo da Fitbit. Sendo simples, ela perde alguns sensores disponíveis nas smartbands mais caras, mas ainda deixa à disposição o excelente suporte e registros avançados de treino e saúde já conhecidos da marca.

Como ela se sai no dia a dia? É mais interessante que a Fitbit Luxe? Eu usei a Fitbit Inspire 2 como minha companheira de treino e sono por alguns dias e conto todas as minhas impressões nos próximos parágrafos.

E já adianto que conseguimos testar esta fitness tracker graças à nossa parceira de importação USCloser, que facilita o envio de produtos da gringa para o Brasil.

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Prós

  • Bateria
  • Monitoramento de exercícios e saúde

Contras

  • Construção
  • Design
  • Tela
  • Interface
  • Preço

Construção e design

Em um primeiro momento, a Inspire 2 não aparenta ser uma smartband da Fitbit porque ela foge completamente do padrão utilizado pela empresa nos modelos mais caros — embora a diferença de preço entre eles não seja tão grande assim.

A pulseira apresenta uma caixa feita de plástico, em vez do metal das Charge 5 e Luxe, respectivamente, com vidro apenas na parte de cima para cobrir a tela. Não há nenhum botão por aqui, mas a Fitbit incluiu duas áreas nas laterais sensíveis ao toque para navegar na interface.

Inspire 2 nem aparenta ser uma smartband da Fitbit de tão básica (Imagem: Ivo Meneghel Jr./Canaltech)

O visual da smartband também é extremamente simples e não se destaca — inclusive, não fosse a logo da empresa estampada da pulseira e na caixa, a Inspire 2 poderia pertencer a qualquer outra empresa, exceto à Fitbit. Na minha opinião, faltou um maior cuidado neste modelo.

Eu já achei a Fitbit Luxe impressionante por ser pequena e muito leve, mas a Inspire 2 consegue se sobressair ainda mais nesse quesito. Mas por aqui claramente os materiais mais simples e a falta de sensores certamente influenciaram nas dimensões menores.

Fato é que você quase não sentirá a Inspire 2 no pulso, o que é bom. A pulseira de silicone também não apresenta nenhum diferencial, exceto pela unidade extra que a Fitbit envia na embalagem, para caso seu pulso for grande como o meu. Felizmente, o acessório não me causou alergias, como já aconteceu com outras marcas.

Fitbit envia duas pulseiras de diferentes tamanhos (Imagem: Ivo Meneghel Jr./Canaltech)

Apesar de ser básica, a Inspire 2 tem resistência a água para mergulhos de até 50 metros de profundidade. Portanto, você pode tomar banho, praticar natação e até pegar uma chuva pesada tranquilamente.

Tela

Eu já analisei outras pulseiras inteligentes da Fitbit, e todas sofreram do mesmo problema: as bordas frontais ridiculamente espessas. Na Inspire 2, elas são ainda mais grossas, e o espaço para a tela é tão minúsculo que a empresa precisou incluir os dois botões nos lados para ajudar na navegação.

A Fitbit não menciona o tamanho do painel da Inspire 2, mas ela me parece similar à presente na Luxe em relação às dimensões, já que na qualidade ela perde feio. Acredite ou não, por aqui temos um display OLED, mas que exibe apenas as cores preto e branco. A aparência até se assemelha a de um produto ilegítimo.

A tela da Inspire 2 é OLED, porém com qualidade e dimensões ridículas (Imagem: Ivo Meneghel Jr./Canaltech)

O resultado é o que você já pode esperar: mesmo com o OLED, os pretos são acinzentados e os brancos, foscos, quase sem definição. O controle de brilho, por sua vez, é bastante limitado e oferece apenas dois níveis, fraco e “forte”. Também tem um “modo dormir” que deixa os tons mais quentes, mas que não faz diferença nenhuma na prática.

Basicamente, é para você ver apenas o básico, como hora, data, contagem e passos e frequência cardíaca, porque a exibição de notificação é bem prejudicada pelo tamanho e qualidade da tela.

Configurações e desempenho

A Inspire 2 faz o básico para uma smartband, então você consegue ler mensagens (mas não respondê-las), criar alarmes, cronômetros, registrar passos, monitorar exercícios, sono e algumas métricas da sua saúde, como frequência cardíaca, estresse e ciclo menstrual.

No geral, a Inspire 2 roda o básico muito bem, mas eu esperava um pouco mais principalmente porque ela custa cerca de R$ 500. Não há GPS integrado, suporte a outros aplicativos, memória interna ou sistema dedicado.

A interface da pulseira difere da presente na Fitbit Luxe, que seria uma boa escolha por aqui, considerando que ela se adapta bem à tela pequena. Na Inspire 2i ícones e animações são pixelados, bem parecidos com aquela interface cafona (mas muito nostálgica) do brick game.

Interface da Inspire 2 é muito básica (Imagem: Ivo Meneghel Jr./Canaltech)

O interessante da Inspire 2, pelo menos, é que, apesar de básica, ainda tem todo suporte do app Fitbit. Eu já comentei em outras análises que acho a plataforma a melhor disponível hoje.

Mesmo não tendo uma atuação oficial no Brasil, a tradução para o idioma português é excelente, a navegação é simples, porém muito completa, e existe até uma aba em que você consegue acessar treinos de diferentes níveis e categorias, exercícios para a mente, programas guiados e muitas outras atividades.

Muitas atividades são gratuitas, mas, se quiser ter o suporte completo, é preciso assinar o Fitbit Premium. A assinatura não é nada barata, mas acredito que o preço seja condizente com todas as funcionalidades que oferece. Eu recomendo assinar caso você tenha um produto Fitbit.

Aplicativo Fitbit é o melhor (Captura de tela: Diego Sousa/Canaltech)

Ou seja, mesmo sendo uma pulseira inteligente relativamente básica, a Inspire 2 ainda tem à disposição o principal trunfo da empresa, que é todo suporte do aplicativo Fitbit.

Acompanhamento físico

Basicamente, a Inspire 2 tem apenas um sensor de batimentos cardíacos. No entanto, com ele, a pulseira consegue monitorar a frequência cardíaca 24 horas por dia, sua variabilidade, qualidade de sono, média de calorias queimadas, temperatura de pele, ritmo cardíaco e estresse.

Mas é só isso. Ele não possui sensores capazes de monitorar os níveis de oxigenação no sangue (Sp02) como a Luxe, nem atividade eletrodérmica (EDA) e eletrocardiograma como a Charge 5. Ela é bem básica, mesmo, apesar de custar quase o mesmo da Luxe.

Nas suas limitações, a Inspire 2 funcionou relativamente bem nos meus testes. O sensor de batimentos geralmente não apresentou falhas tanto durante os exercícios quanto em repouso, e até que teve boa acuracidade.

O monitoramento de sono também funcionou relativamente bem, mas não foi tão preciso quanto eu gostaria. Em uma das noites, a smartband simplesmente não registrou os dados, como se eu não tivesse dormido. Em outro, ela errou o horário em que dormi e acordei.

Inspire 2 tem boa precisão no monitoramento de atividades (Imagem: Ivo Meneghel Jr./Canaltech)

Com relação às atividades físicas, a Inspire 2 suporta 20 no total, assim como a Luxe e a Charge 5. Também, apenas seis deles podem ser reconhecidos automaticamente, como corrida, ciclismo, natação e elíptico.

O reconhecimento funciona bem, porém não é nada veloz. Em um dia de treino, fiz 20 minutos de elíptico e as informações de calorias, média de batimentos cardíacos e minutos só foram aparecer no dia seguinte no aplicativo.

Bateria

Por ter uma tela de menor qualidade e menos recursos, a Inspire 2 promete uma bateria de maior duração, nesse caso até 10 dias de uso.

Já adianto que eu não tive tempo suficiente para esgotar a bateria da Inspire 2, mas me surpreendeu que, no sexto dia, usando diariamente com todos os recursos ativados, ainda restaram 61% de carga.

Bateria do Inspire 2 é o maior destaque (Imagem: Ivo Meneghel Jr./Canaltech)

Ou seja, é bem provável que ela conseguiria chegar ao décimo dia com tranquilidade, até mesmo passar um pouco, dependendo da frequência que você faz exercícios.

Concorrentes diretos

Samsung, Xiaomi, Realme e Huawei são as principais marcas que apostam no setor de vestíveis inteligentes no Brasil. Com isso, podemos colocar a Inspire 2 para brigar com grandes smartbands já à venda por aqui.

É claro que não dá para pensar em smartband sem citar a popular Mi Band 6. Eu já analisei a pulseira da Xiaomi e foi uma das melhores que eu já usei, trazendo tela OLED colorida, inúmeros sensores de saúde e opções de exercícios, além de uma bateria enorme.

Mi Band 6 é uma das melhores pulseiras (Imagem: Reprodução/YouTube)

No geral, ela é muito melhor que a Inspire 2 e custa menos, podendo ser encontrado no Brasil por menos de R$ 300, o que é excelente!

A galaxy fit 2 também é melhor que a Inspire 2 e custa bem menos, cerca de R$ 320. Ela também traz uma tela OLED colorida, uma interface mais amigável, recursos de monitoramento mais amplos e um design agradável.

Galaxy Fit 2 da Samsung (Imagem: Divulgação/Samsung)

Basicamente, ele só perde no suporte, já que a Fitbit ainda é imbatível nesse quesito.

Vale a pena importar a Fitbit Inspire 2?

Infelizmente, não vale a pena comprar a Inspire 2. Ela é uma smartband muito básica, não traz tela colorida, bons controles de navegação, recursos variados de monitoramento como oxímetro, nem uma construção tão robusta.

O pior de tudo é que, mesmo com todos essas ausências, seu preço não é tão baixo se compararmos com a completa Luxe. A Inspire 2 custa US$ 99 na gringa, que pode ser convertido para cerca de R$ 550 para a nossa moeda.

Por esse valor, você consegue smartbands bem mais completas que a Inspire 2 sem precisar ir tão longe. A Mi Band 6 é o principal exemplo, mas também temos a Galaxy Fit 2. Mas se você quiser entrar no ecossistema da Fitbit, a melhor alternativa é a Fitbit Luxe.