Quanto Vivo, Claro e Tim pagaram pela Oi e qual será a participação de cada uma

Quanto Vivo, Claro e Tim pagaram pela Oi e qual será a participação de cada uma

Por Rui Maciel | 14 de Dezembro de 2020 às 21h30

Nesta segunda-feira (14), os ativos da rede móvel da Oi foram vendidos. Eles foram arrematados pelas operadoras Vivo, Claro e TIM, em um leilão realizado nesse segunda-feira (14) na 7º Vara Empresarial do Rio de Janeiro. Juntas, elas pagaram R$ 16,5 bilhões.

Ao contrário do publicado em alguns veículos, não houve um consórcio entre as três operadoras para a aquisição dos ativos móveis da Oi. A parcela de cada uma foi negociada previamente, antes de serem arrematadas no leilão em questão.

Com a saída da Oi da área de telefonia móvel, o setor ficará ainda mais concentrado. A Vivo, líder do mercado terá sua participação ampliada de 33% para 37%; já a Tim assume a segunda colocação, pulando de 23% para 32%. A Claro perde uma posição e fica na terceira posição, indo de 26% para 29% do marketshare. Antes da venda, a Oi era a quarta colocada, com 16%, com mais de 36,5 milhões de linhas móveis.

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E nesse cenário de fatiamento da Oi móvel, quanto cada operadora pagou por sua parcela e com quanto cada uma ficará? É sobre isso que vamos falar agora, baseado nos fatos relevantes enviados pelas empresas. Confira abaixo:

Telefonica / Vivo


A Vivo desembolsará um valor correspondente a 33% do Preço Base e Serviços de Transição, o que equivale a, aproximadamente, R$5,5 bilhões. No documento, a empresa afirmou ainda que, considerando a robustez dos seus parâmetros financeiros e sua forte geração de caixa, ela utilizará seus próprios recursos para financiar a transação.

Os ativos que formam a UPI Ativos Móveis serão, nos termos do Contrato, compartimentados por meio de um plano de segregação e aportados pelo Grupo Oi em três distintas "sociedades de propósito específico" (“SPE”), de modo que a Telefônica / Vivo vai adquirir a totalidade das ações de uma SPE detentora dos ativos.

Ainda segundo o fato relevante, caberá à Telefonica / Vivo o conjunto de ativos que formam a UPI Ativos Móveis da Oi, que são compostos por:

  • Clientes: a Vivo terá, aproximadamente, 10,5 milhões de linhas, o que corresponde a 29% da base total de clientes da unidade de Ativos Móveis da Oi de acordo com a base de acessos da Anatel de Abril/20. A alocação de clientes entre as compradoras considerou critérios que privilegiam a competição entre as operadoras presentes no mercado brasileiro;

  • Espectros: 43MHz como média nacional ponderada pela população - isso corresponde a 46% das radiofrequências da unidade de Ativos Móveis da Oi. A divisão de frequências entre as compradoras respeita estritamente os limites de espectro por grupo estabelecidos pela Anatel;

  • Infraestrutura: contratos de uso de 2,7 mil sites de acesso móvel - isso corresponde a 19% do total de sites da unidade de Ativos Móveis da Oi.


Tim


A Tim desembolsará a maior parte da operação: 44% dos R$ 16,5 bilhões pagos pelas três operadoras, o que corresponde a R$ 7,3 bilhões. Com relação ao financiamento desta aquisição, a TIM afirmou que, considerando seu baixo endividamento e as condições de mercado atuais, financiará o valor através do mercado de dívida local e de sua geração de caixa. No entanto, a empresa firmou que reavaliará suas opções nesta operação, caso ocorram alterações materiais nas condições de mercado.

Dentro deste plano, serão transferidos às operadoras clientes, ativos de radiofrequência e direitos e ativos de infraestrutura de acesso móvel da Oi. Dentro dessa partilha, caberá à TIM:

  • Clientes: aproximadamente 14,5 milhões de clientes - o que corresponde a 40% da base total de clientes da unidade de Ativos Móveis da Oi, de acordo com a base de acessos da Anatel de Abr/20. Assim como no caso da Vivo, o fato relevante da companhia afirma que a alocação de clientes entre as Compradoras levou em consideração critérios que privilegiam a competição entre as operadoras presentes no mercado brasileiro;
  • Radiofrequência: a Tim usará, cerca de, 49 MHz como média nacional ponderada pela população, o que corresponde a 54% das radiofrequências da unidade de Ativos Móveis da Oi. A divisão de frequências entre as compradoras respeita estritamente os limites de espectro por grupo estabelecidos pela Anatel;
  • Infraestrutura: a Tim terá direito a, aproximadamente, 7,2 mil sites de acesso móvel, o que corresponde a 49% do total de sites da unidade de ativos móveis da Oi.


Claro


A Claro será responsável pelo pagamento de R$3,7 bilhões do total desembolsado pelas três operadoras. Isso corresponde a, aproximadamente, 22% do preço de compra. A parte adquirida pela Claro terá como ativos uma parcela da base de clientes e certos ativos de infraestrutura do Grupo Oi.

Com os valores acima mencionados desembolsados pela Claro, a operadora terá direito a ativos de radiofrequência e direitos e ativos de infraestrutura de acesso móvel. Com isso, a empresa terá:

  • 32% da base total de clientes da unidade Ativos Móveis da Oi - o que corresponde a 11,6 milhões de contas - de acordo com a base de acessos da Anatel de abril/2020;

  • Aproximadamente 4,7 mil sites de acesso móvel, o que corresponde a 32% do total de sites da unidade de Ativos Móveis da Oi.

Valores em conjunto

Importante citar que do valor toal pago pelas operadoras - R$ 16,5 bilhões - R$ 15,74 bilhões são correspondentes ao preço base da oferta. Outros R$756 milhões referem-se a serviços de transição a serem prestados por até 12 meses pelo Grupo Oi para as compradoras na forma de Serviços de Transição. Haverá ainda a contrapartida pelo Contrato de Capacidade de transmissão de dados na modalidade take-or-pay, cujo VPL corresponde a R$819 milhões.

Ainda no quesito "Contrato de Capacidade" e considerando suas características especificas e necessidades, Telefonica / Vivo pagará, aproximadamente, R$179 milhões ou 22% do VPL do contrato. Já a Claro arcará com 20% desse total, o que equivale a R$ 163,8 milhões. Já a Tim desembolsará a maior parte desta operação: R$ 476 milhões, o que corresponde a 58% do montante.


A marca Oi deixará de existir?

Como serviço de telefonia móvel, sim. Mas, pelo menos nos próximos meses, tudo será mantido como está, com os clientes da operadora tendo seus planos funcionando normalmente.

Alterações mais significativas ocorrerão apenas quando os órgãos como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Analtel) aprovarem a operação. A partir daí, os clientes começam a ser avisados sobre as mudanças pela Oi. No entanto, não se sabe ainda se o cliente afetado poderá escolher para qual operadora ele deseja migrar e como será feita a transição de planos, principalmente os pós-pagos.

Além disso, a divisão de clientes será feita por DDD, observando-se os limites de concentração para cada área de atuação. Por exemplo, em um estado ou cidade onde a Oi lidera, a operadora com menor número de clientes nessa mesma região tende a ganhar mais assinantes.

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