Concorrência por divisão móvel faz ações da Oi terem forte alta na Bolsa

Por Rui Maciel | 29 de Julho de 2020 às 20h45
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A briga entre o consórcio formado por TIM, Claro e Vivo e a Highline do Brasil pela divisão mobile da Oi fez com que os papeis da operadora disparassem na última terça-feira (28).

Após a divulgação de uma nova oferta vinculante por parte da TIM, Claro e Vivo, revelado na última segunda-feira (27), as ações ordinárias da Oi tiveram uma alta de 15,82%. Com isso, elas ultrapassaram a marca dos R$ 2, fechando em R$ 2,05. Já entre os papeis preferenciais a valorização foi quase o triplo: 44,27%, sendo que cada um passou a custar R$ 2,77.

Já nesta quarta-feira (29),o comportamento das ações da operadora foram um pouco diferentes. Enquanto os papeis ordinários tiveram queda de 6,83%, fechando em R$ 1,91, as ações preferenciais continuaram em alta, registrando crescimento e 22,74%, com preço de R$ 3,40 por ação.

A disputa entre as operadoras e a Highline do Brasil pela Oi Mobile, seguida pelas ofertas e contraofertas fez com que as ações da Oi tenham registrado intensa valorização. Desde o dia 18 de julho (data da primeira proposta) os papeis ordinários tiveram alta de 55,30%. Já os preferenciais subiram 73,13%.

A primeira oferta vinculante de compra da Oi Móvel, anunciada no último dia 18, foi feita por TIM, Claro e Vivo, mas não especificou valores. No entanto, o consórcio exigiu como condição principal dessa proposta que elas fossem consideradas "primeiras proponentes" (stalking horses), ou seja, elas teriam o direito de cobrir outras ofertas superiores que a Oi viria a receber.

Isso aconteceu no último dia 22, quando a Highline do Brasil - empresa de infraestrutura em telecomunicações - fechou um acordo com a Oi para negociar com exclusividade a venda da sua unidade de telefonia móvel. Ela teria apresentado uma proposta acima do preço mínimo de R$ 15 bilhões, estipulado pela Oi. A exclusividade negociada termina no próximo dia 03 de agosto, mas há a possibilidade de prorrogação. Além disso, a companhia também terá o direito de cobrir outras propostas recebidas no processo.

Planos diferentes

A proposta feita por TIM, Claro e Vivo envolve a compra dos principais ativos da Oi Mobile em termos de infraestrutura. Isso inclui termos de autorização de uso de radiofrequência, direito de uso de espaço em imóveis e torres, elementos de rede móvel de acesso ou de núcleo e sistemas/plataformas. Além disso, a oferta incluiria a base de clientes do Serviço Móvel Pessoal. Caso o consórcio vença a disputa, todos os componentes adquiridos serão divididos entre as operadoras.

Já a Highline do Brasil - fundada em 2012 pela gestora Pária Investimentos e vendida em dezembro do ano passado para a norte-americana Digital Colony - tem planos diferentes. Especializada na construção e operação de diferentes tipos de soluções para instalação de equipamentos de telecomunicação destinados à transmissão de voz e dados, ela quer usar a Oi Mobile para atuar como uma operadora de rede.

Antenas de telefonia: infraestrutura mobile da Oi é alvo de ofertas diversas

Em outras palavras, caso vença a disputa, a Highline será uma operadora de rede neutra em todos os níveis. Isso significa que os clientes da Oi Móvel, por exemplo, serão vendidos depois para as concorrentes em um leilão. A diferença é que um dos compromissos que a vencedora deste leilão terá de assumir é de utilizar a infraestrutura de torres, rádio e espectro da Oi Móvel - que, nesse novo cenário, passam a pertencer a Highline. O mesmo vale para a InfraCo, unidade de redes de fibra da Oi, com 400 mil km de rede, que está em processo de negociação e no qual a Highline também deve fazer uma oferta. Para completar, seus planos também incluem uma participação no leilão do 5G, que deve ocorrer no segundo semestre de 2021.

Oi quer limitar atuação em um único setor

Em recuperação judicial desde 2016, a venda da Oi Móvel é uma cartada da Oi para pagar parte de suas dívidas, avaliadas em cerca de R$ 65 bilhões, e escapar da insolvência. Os valores também serão usados para investir no crescimento da banda larga de fibra ótica da operadora.

Aliás, o setor de infraestrutura fixa está na mira da companhia, que deseja se tornar uma das maiores fornecedoras do mercado, inclusive para suas concorrentes, principalmente durante a implementação do 5G, cujo leilão das frequências deve acontecer no segundo semestre de 2021.

Com marketshare de 16,8%, atualmente a Oi é a quarta colocada no mercado de telefonia móvel brasileira, segundo informações da consultoria Teleco. A Vivo segue na liderança, com 33,01%, seguido por Claro (25,97%) e TIM (23,20%).

Fonte: Com informações do MobileTime e Infomoney  

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