O que a Microsoft tem feito pelo planeta e a sociedade?

O que a Microsoft tem feito pelo planeta e a sociedade?

Por Stephanie Kohn | 25 de Agosto de 2020 às 15h52

Na terceira matéria do especial ESG (environment, social and governance) nas Big Techs, o Canaltech falou com a líder de filantropia da Microsoft Brasil, Lucia Rodrigues, para conhecer as principais iniciativas da companhias nas três áreas que contemplam o conceito: ambiente, social e governança.

Mas antes de conhecer mais profundamente outros lados da empresa, vamos recapitular. Estas três siglas têm sido utilizadas por consultores financeiros, bancos e fundos de investimento para avaliar empresas de acordo com seus impactos e desempenho em relação ao Ambiente, Social e Governança Corporativa (ASG), ou, em inglês: Environment, Social and Governance (ESG).

Os critérios do ESG abastecem o mercado com mais informações sobre as companhias. As métricas ambientais ajudam a entender o relacionamento da empresa com o mundo natural e a sua dependência de recursos naturais. As sociais revelam potenciais preocupações com os direitos humanos, relações trabalhistas, comunidades e público. E a boa governança tornam as empresas mais confiáveis e menos propensas a ceder a corrupção ou coerção.

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E o que isso tem a ver com tecnologia, você deve estar se perguntando. Bom, como mencionado acima, investidores, especialmente de fora do Brasil, têm olhado para esses atributos em uma empresa antes de alocar seu dinheiro nelas e, portanto, companhias de capital aberto estão se engajando nestas áreas para atrair mais investimentos. E as empresas de tecnologia não estão ficando para trás.

As cinco maiores empresas do setor – Apple, Microsoft, Amazon, Google e Facebook – juntas representam hoje cerca de 25% do S&P500, índice composto por ativos das bolsa de valores NYSE (Nova Iorque) e NASDAQ, que reúne as 500 maiores empresas dos Estados Unidos.

Sendo assim, nos últimos anos, especialmente nos últimos meses, as big techs têm surfado a onda ESG e anunciado compromissos globais com o meio ambiente, iniciativas para ajudar a comunidade a sua volta, e metas para aumentar a diversidade de seus colaboradores.

"Uma empresa que considera esses temas como prioridades em sua estrutura organizacional e em seus negócios, oferece muito mais do que bons produtos e soluções para as pessoas – ela deixa um legado para a comunidade", comentou Lucia.

A executiva acredita que nos últimos anos o mercado evoluiu consideravelmente nesse sentido e as empresas estão se conscientizando de que ações concretas baseadas nesses três pilares fazem diferença, não apenas para a imagem reputacional da organização, mas sobretudo para impulsionar o desenvolvimento das comunidades onde atuam e gerar, assim, um impacto real.

"Além de oferecer seus produtos e serviços, as empresas precisam ter consciência de seu papel social - os interesses das empresas devem estar alinhados com as necessidades do planeta e da comunidade", disse.

Filantropia, sustentabilidade e educação

Na Microsoft, segundo a líder, a área de filantropia é um dos principais pilares de atuação ESG. A companhia atua junto a centenas de ONGs, que passam a receber apoio por meio da tecnologia e investiu, em 2019, mais de R$ 48,3 milhões para levar soluções, de forma gratuita ou com baixo custo, para mais de 2 mil ONGs no Brasil.

"A Microsoft desenvolveu um compromisso consistente e de longo prazo com o país para gerar impacto real para um futuro melhor.  Acreditamos que a tecnologia que disponibilizamos é relevante para o crescimento do país, uma vez que faz das empresas mais competitivas globalmente e mais produtivas", comentou a executiva.

Lucia ainda contou que na companhia, a Inteligência Artificial é um agente de transformação. "Nossa abordagem como empresa está focada na democratização da IA, de modo que suas características e recursos possam ser utilizados por indivíduos e organizações em todo o planeta para melhorar os resultados do mundo real", disse.

Entre as iniciativas que usam a tecnologia como base está o investimento de US$ 115 milhões, no decorrer de cinco anos, no AI for Good, que fornece financiamento, tecnologia e especialização para indivíduos e organizações sem fins lucrativos para que eles possam enfrentar alguns dos maiores desafios da sociedade.

A AI For Good é dividida em cinco pilares fundamentais: AI For Earth, dedicado a abordar desafios ambientais; AI For Humanitarian Action, que visa auxiliar esforços humanitários; AI for Accessibility, que tem como objetivo melhorar a acessibilidade; AI For Health, que fornece tecnologia de IA para pesquisadores e organizações a fim de melhorar as condições de saúde de pessoas e comunidades e AI For Heritage Culture, que ajuda a proteger os valores atemporais do mundo, o patrimônio cultural.

"Também estamos investindo em nossos próprios esforços para utilizar a AI for Good para apps como o Seeing AI, que foi projetado para ajudar pessoas cegas e com baixa visão, descrevendo pessoas, objetos e textos ao redor deles, e projetos como o  FarmBeats, que ajuda fazendeiros a aumentarem seu rendimento com menos recursos e menos impacto ambiental", contou a líder.

No Brasil, o AI for Good tem parceria com a ONG Mães da Sé para o desenvolvimento de um aplicativo com IA para encontrar pessoas desaparecidas. A Microsoft ofereceu os serviços cognitivos do Azure, sua plataforma de nuvem, para o desenvolvimento do app pelo parceiro Mult-Connect, além de uma equipe de voluntários para digitalizar o acervo da instituição.  

Eles ainda têm uma parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, que foi beneficiada pelo programa AI For Earth da Microsoft. Com o acordo, a SOS Mata Atlântica irá aplicar tecnologia aos dados coletados pelo projeto Observando os Rios, que reúne comunidades e as mobiliza em torno da qualidade da água de rios, córregos e outros corpos d’água das localidades onde elas vivem, que serão carregados na nuvem Microsoft Azure, onde recursos de IA serão aplicados, fornecendo insights mais efetivos e precisos para a ONG.

No futuro, segundo Lucia, será possível cruzar dados de diferentes bancos de dados, como, por exemplo, sobre doenças populacionais, e avaliar a correlação entre a qualidade das águas e doenças epidêmicas.

"Também anunciamos uma iniciativa para usar a tecnologia Microsoft para ajudar nossos fornecedores e clientes em todo o mundo a reduzir suas próprias pegadas de carbono e um novo fundo de inovação climática de US$ 1 bilhão para acelerar o desenvolvimento global de tecnologias de redução, captura e remoção de carbono", lembrou Lucia.

A partir do próximo ano, a Microsoft também fará da redução de carbono um aspecto explícito de seus processos de compras para cadeia de suprimentos. Um novo relatório anual de sustentabilidade ambiental vai detalhar o impacto de carbono e a jornada de redução da empresa.

A organização também propôs usar sua voz para apoiar políticas públicas que vão acelerar as oportunidades de redução e remoção de carbono. Na área de data centers, também dedicaram esforços ao desenvolvimento de alternativas sustentáveis relacionadas ao consumo de energia. A última iniciativa anunciada diz respeito ao teste para uso de células de combustível de hidrogênio para a energia de backup em datacenters.

"O feito é o mais recente marco no nosso compromisso de ser negativo em emissões de carbono até 2030. Para ajudar a atingir esse objetivo e acelerar a transição global dos combustíveis fósseis, a Microsoft também pretende eliminar sua dependência do diesel até 2030", informou a executiva.

Vale lembrar que, em janeiro deste ano, além do compromisso de zerar emissões negativas de carbono até 2030, a companhia disse que removerá mais carbono do ambiente do que emitiram desde a fundação, em 1975, até 2050.  E em julho de 2020, eles começaram a expandir o valor da taxa interna de carbono atual para cobrir as emissões de escopo 3, ou seja, emissões indiretas provenientes de atividades como a produção dos bens adquiridos e resíduos.

Outro pilar que é uma prioridade para a Microsoft é a educação. Qualquer instituição de ensino vinculada ao Ministério da Educação tem acesso gratuito ao Office 365, conjunto de softwares de colaboração e produtividade que inclui ferramentas como Excel, Word, PowerPoint e também recursos mais recentes como o Teams e OneNote. A companhia acredita que, ao disponibilizar as soluções do Office 365, ajuda alunos a dominar recursos que melhoram a qualidade do ensino e aumentam a empregabilidade.

De acordo com Lucia, as ferramentas de acessibilidade presentes nos mais diversos produtos da empresa como, por exemplo, as legendas automáticas no Power Point ou o Narrador no Word, também auxiliam na inclusão de alunos e transformam a qualidade do ensino para todos.

"Na pandemia de COVID-19, quando escolas de todo o mundo tiveram que migrar para o ensino remoto, a plataforma de colaboração e comunicação Microsoft Teams foi fundamental para que alunos ao redor do globo continuassem a aprender e interagir com seus professores e colegas, mesmo que a distância. Foram muitos os exemplos de instituições brasileiras que usaram o Teams para as aulas remotas, como o Centro Paula Souza (CPS), que administra a rede de Escolas e Faculdades Técnicas no estado de São Paulo", comentou. "Nas áreas sociais e educacionais, também assumimos o compromisso de disponibilizar tecnologia para gerar um impacto real, apoiando a oferta de capacitação que aumente as chances de emprego", completou.  

Diversidade

Segundo Lucia, não basta apenas considerar impactar a sociedade como um todo sem olhar para a cultura interna e colaboradores. "Quando adotamos a missão de empoderar cada pessoa e cada organização a conquistar mais, assumimos a diversidade e a inclusão como um pilar fundamental da nossa cultura baseada na mentalidade de crescimento", disse.

Sendo assim, por lá, eles pensam em diversidade e inclusão de gênero, de etnia, de idade, e de orientação sexual. Segundo a executiva, as ideias e opiniões diferentes precisam ser  respeitadas para que haja uma empresa realmente plural, que inspire os consumidores e parceiros.

"Sabemos também que os nossos funcionários só conseguem atingir todo o seu potencial ao sentirem que pertencem ao ambiente de trabalho em que estão para contribuir de forma autêntica e completa na empresa.  Na Microsoft Brasil, estabelecemos 4 pilares para o trabalho de D&I: Mulheres na Microsoft, Blacks at Microsoft, LGBTI+ e Acessibilidade", contou.

Além desses há também ações multigerações que promovem a inclusão de pessoas de diferentes idades e jovens talentos, permeando todos os grupos.  

Cultura ESG

Lucia garante que para a Microsoft é essencial que, além de gerar lucro, a empresa gere um impacto positivo na sociedade de entorno e no meio ambiente. A veia social também é estimulada ao oferecer aos funcionários três dias para que possam se dedicar a um programa de voluntariado na ONG que ele preferir.

"Apesar de a companhia ser uma empresa global, as subsidiárias, incluindo o Brasil, estão alinhadas às prioridades ESG que a companhia como um todo observa. A empresa está no país há 31 anos e, desde então, se preocupa em deixar um legado social para o país nos âmbitos social e ambiental. Nós acreditamos que não podemos alcançar nossos objetivos de sustentabilidade sozinhos, é preciso muito trabalho duro e dedicação por meio da Microsoft com clientes, parceiros e ONGs ao redor do mundo. Acreditamos que, juntos, podemos construir um futuro mais sustentável", finalizou Lucia.

Para explorar mais a tendência ESG, o Canaltech falou com outras grandes empresas do setor e vai apresentar, em uma série inédita, os projetos de cada uma delas nos segmentos mencionados (Meio Ambiente, Social e Governança). Não deixe de nos acompanhar para conhecer mais profundamente as estratégias das companhias que fazem parte do nosso dia a dia. Na matéria anterior, falamos com a SAP e na próxima apresentaremos as iniciativas da IBM Até lá!

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