Zoom deixa de aceitar novos usuários gratuitos na China

Por Rui Maciel | 19 de Maio de 2020 às 13h45
Matheus Bigogno/Canaltech

A Zoom Video Communications - ou simplesmente Zoom - anunciou nesta terça-feira (19) que deixou de registrar novos usuários na China continental para a versão gratuita de sua plataforma de videoconferências. Agora, a empresa passa a aceitar apenas clientes corporativos.

Ainda de acordo com a empresa, os chineses que já têm uma conta gratuita do serviço poderão continuar a utilizar o app normalmente e participar das videochamadas hospedadas por ele ou por outras pessoas. No entanto, novos registros para a plataforma agora só estarão disponíveis para clientes corporativos, que devem contatar os representantes de vendas autorizados.

Em breve, a Zoom permitirá que apenas empresas com comprovante de registro de negócios e contas bancárias corporativas comprem seu serviço. A informação foi dada por um site da Zoom na China, gerenciado pelo revendedor local, o Donghan Telecom. Ainda de acordo com o documento, "compras individuais não serão aceitas".

Zoom: plataforma não aceita mais usuários gratuitos na China

O Zoom é amplamente utilizado na China para cursos online em escolas renomadas, como a Universidade de Zhejiang e a Universidade de Tsinghua - onde se formou o atual presidente chinês, Xi Jinping. O site da companhia lista ainda a empresa de comércio eletrônico JD.com , o site de reservas de viagens Ctrip, a fabricante de smartphones Oppo e o Agricultural Bank of China como clientes.

Tensão China-EUA: o Zoom apanha dos dois lados

O jornal japonês Nikkei já havia informado sobre as medidas, dizendo que a restrição nas contas individuais gratuitas do Zoom em território chinês se devia a "requisitos regulatórios" no país. Além disso, a empresa foi alvo de um exame minucioso tanto dos EUA, quanto da China à medida que as tensões comerciais se intensificavam entre os dois países.

A Donghan Telecom disse que a restrição nas contas individuais chinesas se deve a "requisitos regulatórios" na China,. Não é a primeira vez que a companhia chama a atenção dos reguladores chineses: o serviço de videoconferência foi temporariamente bloqueado país asiático no segundo semestre do ano passado, no auge da guerra comercial entre EUA e China.

Já nos EUA, a presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, chamou a Zoom de "entidade chinesa" em abril deste ano, depois que a empresa admitiu que alguns dados de chamadas foram "erroneamente" roteados pela China para usuários que não são de lá. A empresa disse que isso não aconteceria novamente.

O Departamento de Educação norte-americano solicitou à Universidade do Texas informações sobre contratos ou presentes dados pelo do CEO da Zoom, Eric Yuan, agora cidadão dos EUA, à instituição. Essa ação da entidade seria parte de um esforço contínuo para descobrir as relações das universidades americanas com laboratórios chineses, co o objetivo de localizar o marco zero do novo coronavírus.

"Recentemente, também foram levantadas questões sobre [as relações entre] Zoom e China", escreveu Yuan em um post no blog oficial da empresa nos EUA, no dia 04 de maio. "No começo, isso parecia resultar de uma configuração incorreta temporária em nosso roteamento global de data center e que já consertamos. Mas fora desse incidente isolado, nas últimas semanas, vimos surgindo rumores desanimadores e desinformação". Yuan enfatizou que a Zoom é uma empresa americana listada na Nasdaq. Ele escreveu que se tornou cidadão dos EUA em julho de 2007 e "vive feliz na América desde 1997".

Eric Yuan: o fundador do Zoom está sendo bombardeado por China e EUA no meio da guerra comercial entre os dois países

Ele também respondeu às críticas a respeito dos centros de pesquisa e desenvolvimento chinesas da Zoom: "Semelhante a muitas empresas multinacionais de tecnologia, a Zoom tem operações e funcionários na China", escreveu Yuan. "E, como muitas empresas multinacionais de tecnologia, nossos escritórios na China são operados por subsidiárias da controladora norte-americana". Ele continua: "Nossos engenheiros são empregados por meio dessas subsidiárias. Nós não escondemos isso. Pelo contrário, divulgamos esse tipo de informação em nossos arquivos públicos, conforme apropriado. Nossas operações na China são materialmente semelhantes às de nossos colegas americanos que também operam e têm funcionários lá".

Talvez para tentar diminuir as suspeitas que pairam sobre a companhia, a Zoom anunciou na semana passada que abrirá dois novos centros de Pesquisa & Desenvolvimento nos EUA: um em Phoenix, no Arizona, e outro em Pittsburgh, Pensilvânia.

Crescimento acelerado

Com a pandemia gerada pela COVID-19, o Zoom viu a sua popularidade explodir a níveis poucas vezes vistos no mercado de Tecnologia. Entre dezembro do ano passado até abril, a plataforma registrou um crescimento de incríveis 2.900% pulando de 10 milhões para mais de 200 milhões de usuários, entre empresas e “civis”. Além disso, a companhia registra, atualmente, mais de 300 milhões de chamadas diárias.

Claro que esse crescimento absurdo não veio impune. Os holofotes em cima do Zoom jogaram luz a diversos problemas de segurança e privacidade da plataforma. E isso fez com que o desenvolvimento de novos recursos da ferramenta fosse interrompido temporariamente, com as atualizações focadas apenas em corrigir suas vulnerabilidades.

Fonte: Reuters / Nikkei Asian Review

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