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Youtubers processam Apple por usar seus vídeos para treinar IA sem autorização

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Gerada por IA/Gemini
Gerada por IA/Gemini

Três canais do YouTube — h3h3Productions, MrShortGame Golf e Golfholics — entraram com uma ação coletiva contra a Apple, que acusa a empresa de usar seus vídeos para treinar IA sem autorização. O processo foi aberto no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia e cita a violação da lei norte-americana Digital Millennium Copyright Act (DMCA).

Segundo a ação, a Apple teria “raspado” e baixado milhões de vídeos do YouTube ao driblar barreiras que impedem o download do conteúdo, como criptografia e sistemas de limitação de acesso. Os autores alegam que o material foi usado para alimentar um modelo generativo de vídeo, citado no documento como “Apple AI Video”, com fins comerciais.

O processo afirma que essa coleta só foi possível porque a Apple teria burlado cinco camadas de proteção do YouTube, como a chamada “cifra rotativa”, bloqueios e limites de acesso por IP, links de transmissão temporários, desafios CAPTCHA e tokens que verificam se o pedido vem de um player autorizado. A ação cita até o suposto uso de ferramentas yt-dlp para quebrar essas proteções e de máquinas virtuais para trocar endereços IP e evitar bloqueios automáticos da plataforma.

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Os autores afirmam que parte dos vídeos teria sido incluída no Panda-70M, um conjunto de dados usado para treinar IA. Como indício, eles citam um estudo da própria Apple chamado “STIV: Scalable Text and Image Conditioned Video Generation”, assinado por 14 funcionários, no qual os pesquisadores mencionam o uso desse dataset para treinar um modelo que gera vídeos a partir de texto.

Os youtubers afirmam que a prática representa um “ataque inconcebível” à comunidade de criadores, que depende das proteções da plataforma para monetizar suas obras, e argumentam ainda que, uma vez que um modelo de IA absorve esses dados, o conteúdo fica permanentemente incorporado à sua rede neural, tornando impossível “retirar” o material do sistema.

No pedido ao tribunal, os autores pedem indenizações máximas previstas em lei, uma liminar permanente para impedir que a Apple continue acessando ou usando os vídeos, além de uma ordem para reter ou destruir o material considerado infrator e o pagamento dos honorários advocatícios.

Além disso, os mesmos criadores de conteúdo também moveram ações semelhantes contra outras empresas, incluindo Amazon e Snap, sob acusações parecidas de uso indevido de vídeos do YouTube no treinamento de modelos de inteligência artificial.

A Apple se pronunciou sobre o processo?

Até o momento, a Apple não emitiu um posicionamento público oficial em resposta ao processo movido pelos youtubers. Apesar disso, a ação tenta reforçar seu peso ao citar uma fala do CEO do YouTube, Neal Mohan.

Em entrevista à Bloomberg, Neal Mohan afirmou que baixar partes de vídeos ou transcrições para treinar inteligência artificial é uma “clara violação” dos termos de serviço da plataforma e que os criadores esperam que essas regras sejam respeitadas.