WhatsApp, Instagram e Telegram são bloqueados na Rússia; entenda o caso
Por João Melo • Editado por Bruno De Blasi | •

A Rússia bloqueou o acesso de seus cidadãos a diferentes aplicativos ao longo desta semana. Informações divulgadas pelo Financial Times mostram que o WhatsApp, Instagram e o Telegram estão entre os serviços afetados.
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No caso do mensageiro da Meta, a interrupção aconteceu na tarde da última quarta-feira (11). O motivo teria sido a remoção do app de uma espécie de diretório online gerenciado pela Roskomnadzor, agência reguladora da internet no país.
A ação das autoridades russas impede o acesso de ao menos 100 milhões de pessoas que utilizavam o WhatsApp. O aplicativo, por sua vez, chamou a atitude de “retrocesso”.
“Hoje, o governo russo tentou bloquear completamente o WhatsApp, numa tentativa de direcionar os usuários para um aplicativo de vigilância estatal. Tentar isolar mais de 100 milhões de pessoas da comunicação privada e segura é um retrocesso e só pode levar a menos segurança para as pessoas na Rússia.”
Facebook e Instagram foram outros aplicativos removidos do diretório online. Agora, o acesso a eles só é possível por meio de VPNs.
Incentivo ao uso de “mensageiro nacional”
As ações do país liderado por Vladimir Putin parecem fazer parte de uma pressão para que os cidadãos passem a utilizar um app de mensagens chamado Max. Com arquitetura inspirada no WeChat — usado na China —, a plataforma combina mensagens e serviços governamentais e não oferece criptografia de ponta a ponta.
O Max é classificado como “mensageiro nacional” pelo governo. O aplicativo é de propriedade da rede social russa VKontakte (VK), controlada por aliados de Putin.
Telegram e YouTube também como alvos
O governo russo também intensificou sua ofensiva contra o Telegram, que é mais popular do que o WhatsApp no país. A medida atingiu especialmente o consumo de notícias e entretenimento, o que levou o fundador do app, Pavel Durov, a denunciar restrições à liberdade dos cidadãos.
Os bloqueios ao aplicativo de Durov geraram críticas até mesmo de apoiadores do Kremlin. Isso porque o Telegram era utilizado tanto por soldados russos na linha de frente da guerra contra a Ucrânia quanto por moradores que dependiam do serviço para receber alertas sobre mísseis.
O YouTube foi outra plataforma afetada pelas restrições impostas pela Rússia, mas ainda não há registros oficiais sobre sua remoção do diretório administrado pela Roskomnadzor.
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