Venda de celulares cresce 3,3% no país e mercado cinza explode em 2019

Por Diego Sousa | 12 de Março de 2020 às 19h00

O mercado brasileiro de celulares fechou o ano de 2019 com números bastante positivos. Segundo o estudo IDC Brazil Mobile Phone Tracker Q4/2019, da IDC Brasil, o crescimento teve como destaque o aumento dos feature phones, celulares simples, muitas vezes com acesso à Internet 2G e 3G. O mercado de smartphones também fechou em alta, graças ao recorde de vendas durante a Black Friday.

Os feature phones são pop

Setor de feature phones continou crescendo em 2019 (Foto: Reprodução/Gizmodo)

No período, foram comercializados 3,1 milhões de features phones, um aumento de 23,5% em relação a 2018. Em 2019, os ‘baratinhos’ contribuíram com uma receita de R$ 376,8 milhões. No quarto trimestre, eles registraram alta 22,4%, com 773,7 mil de unidades vendidas.

De acordo com Renato Meireles, analista de mercado em Mobile Phones & Devices da IDC Brasil, a alta no comércio de feature phones ocorreu porque em muitas regiões do país o celular ainda é usado apenas para fazer e receber ligações. O terceiro trimestre foi o melhor no setor, registrando alta de 40,3%, mesmo com queda de 1% no desempenho geral.

Quanto ao mercado de smartphones, o setor vendeu 45,5 milhões de aparelhos, um aumento de 2,2% em relação ao mesmo período de 2018. Com isso, foram arrecadados R$ 56,3 bilhões, resultando em R$ 56,7 bilhões de receita (+5,6%).

Smartphones premium registraram alta em 2019 (Foto: Reprodução)

Somente no quatro trimestre, a receita foi de R$ 15,3 bilhões, alta de 7,8% em relação ao mesmo período de 2018. O recorde de vendas durante a Black Friday, impulsionada pela liberação do saldo nas contas do FGTS, os juros nas mínimas históricas e a demanda reprimida por consumo, foi a grande responsável.

O ano de 2019 foi marcado pela chegada de grandes nomes no mercado de smartphones, como a Xiaomi, que movimentou o setor intermediário, e a Huawei, que trouxe o topo de linha P30 Pro como maior aposta. Inclusive, ambos os setores tiveram altas, com, respectivamente, 22,1 milhões (+33%) e 3,0 milhões (+17,2%) de unidades vendidas.

Mercado cinza

Do outro lado da moeda, o chamado mercado cinza, smartphones que chegam ao Brasil de forma não-oficial, registrou alta de 344% em relação ao ano de 2018.

Em 2019, 3,8 milhões de unidades de smartphones foram vendidas ilegamente no país, além de 677,9 mil de feature phones. O analista da IDC Brasil diz que o crescimento se deu após a entrada oficial de outras marcas de smartphones no país no ano passado, em especial as chinesas Huawei e Xiaomi, que abriram a possibilidade do consumidor de pesquisar por opções mais baratas no mercado alternativo.

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), uma marca chinesa corresponde a 60% das importantes ilegais de celulares. Embora eles custem até 50% menos o valor de um smartphone vendido oficialmente no país, aparelhos do mercado ilegal podem, geralmente, apresentar problemas de conexão e disparidade nas especificações.

Segundo apuração do jornal O Estado de S. Paulo, outras marcas chinesas que não estão no Brasil também têm representatividade no mercado cinza, como é o caso da Oppo e Vivo, duas das maiores fabricantes de smartphones do mundo.

Previsão para 2020

Devido ao surto de coronavírus e a oscilação do dólar, que hoje (12) chegou a ultrapassar a casa dos R$ 5,00, a previsão para 2020 é bastante incerta. Segundo Renato Meireles, espera-se que o mercado de smartphones chegue ao final de 2020 com alta de 2%. Já os features phones devem ter queda de 3,5%. O mercado cinza, por sua vez, deve registrar queda de 39%.

Fonte: IDC

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