Vale a pena aderir ao programa de pontos do Nubank? [ATUALIZADA]

Por Stephanie Kohn

Anunciado há algumas semanas, o Nubank Rewards começou a ser liberado para todos os clientes da empresa nesta terça-feira (1) e já está causando fortes discussões nas redes. Há quem acredite que, apesar da anuidade cobrada, o programa vale a pena, e existem aqueles que ficaram muito decepcionados com a cobrança de mensalidade para a adesão ao programa de pontos.

O Rewards trabalha da seguinte forma: a cada R$ 1 gasto, você ganha 1 ponto. Apesar dos pontos não expirarem, a taxa de conversão em recompensas fica aproximadamente em 1% e há ainda outra taxa, a de adesão ao programa, que pode ser paga anualmente (R$ 190) ou mensalmente (R$ 19).

Pegando o Netflix como exemplo, a conta é a seguinte: você precisa gastar R$ 2,6 mil no mês para abater a mensalidade do streaming da sua fatura. R$ 2,6 mil equivalem a 2.600 pontos e paga uma mensalidade de R$ 27,90. A Renata Pedro, técnica da Proteste explica de forma clara: “O Nubank transforma o real em ponto e depois volta para real de novo. Nisso, R$ 1 mil em gastos na fatura viram mais ou menos R$ 10 para serem usados na comprar produtos e serviços. Esta taxa de conversão é muito baixa.”

O próprio Nubank entende que o programa não é para todos e no simulador disponibilizado em seu site recomenda que pessoas que gastem acima de R$ 1.583 adotem ao Rewards. Quem costuma ter faturas menores, não é ideal. “Somos muito transparentes. Seremos os primeiros a levantar as mãos e dizer ao cliente que não vale a pena”, comenta Cristina Junqueira, diretora da empresa.

Já para a Renata, o candidato ideal deve ter um gasto mensal ainda maior, perto de R$ 2 mil. Na conta dela, o valor da mensalidade de R$ 19 deve ser abatido com o próprio Rewards e, portanto, é necessário juntar ao menos 1900 pontos, ou seja, fechar uma fatura de R$ 1,9 mil.

“A conta que o Nubank fez para a simulação é diferente da conta que nós fizemos. Eles consideraram uma pessoa que pague a anuidade de R$ 190, que sai R$ 15,83 ao mês, portanto, alguém que precise gastar, no mínimo, R$ 1.583 no mês para acumular 1.583 pontos e assim deduzir o valor da anuidade”, explica a especialista em defesa do consumidor.

Sendo assim, se você quer garantir que a taxa de adesão não seja um gasto a mais, considere as contas acima. “Não tem almoço grátis. Não tinha como oferecermos este beneficio sem taxa de adesão”, diz Cristina. "Em algum momento percebemos que algumas pessoas não vinham ao Nubank pela falta de programa de pontos ou algumas que vinham e não traziam todos os gastos para o Nubank. Esta foi a forma que encontramos para chamar estas pessoas", completa.

Em relação à taxa de conversão das recompensas há alguns pontos a serem considerados, como a oferta atual que você tem e sua afinidade com os demais programas do mercado.

A diretora do Nubank lembra que o Rewards é voltado ao consumidor que não quer dor de cabeça com as burocracia de trocas de pontos e que não está sempre ligado nas melhores promoções. Por isso que o sistema de recompensa do cartão é bem mais simples que dos concorrentes. Pelo próprio app, você escolhe se quer usar seus pontos para “apagar” um valor.

“Em um programa tradicional, você converte pontos para milhas e depois, dentro do parceiro de milhas, você tenta achar os voos que você gostaria. No Rewards, você pula esta esta etapa. Você escolhe a companhia, passagem e destino que quer, compra com o cartão Nubank e depois “apaga” o valor da passagem com seus pontos. Nossa proposta de valor é excelente”, diz Cristina. “Quando enfiamos uma empresa de milhas no meio de um programa de pontos ela está ganhando também e consequentemente tirando do cliente”, reforça.

Veja exemplo abaixo de como “apagar” suas dívidas com pontos Nubank:

Ainda que seja mais prático, Renata lembra que é bem mais difícil conseguir comprar uma passagem com a baixa taxa de recompensas do Rewards. Novamente ela sugere colocar na ponta do lápis.

“Vamos supor que você gastou R$ 2,5 mil no mês, acumulou 2.500 pontos e teve de retorno R$ 25 mais ou menos. Em dois anos, você teria cerca de R$ 600 de retorno para gastar. Com isso, eu mal consigo comprar uma passagem de ida e volta São Paulo-Rio de Janeiro. Já no cartão top que temos no mercado hoje [o Caixa Elo Nanquim], com a conversão de 2,3 a cada dólar gasto e com o dólar a R$ 3,15, por exemplo, estamos falando de cerca de 43 mil milhas em 24 meses. Com estas milhagens eu faço uma perna [somente ida] aos Estados Unidos”, compara.

Renata diz que o Nubank é o melhor cartão de crédito para o consumidor hoje e a Proteste recomenda, mas o programa de pontos Rewards deixou a desejar na conversão e na taxa de adesão. Para ela, um destes dois pontos deveria ser reavaliado. Pontuação sem taxa de adesão ou 5% de taxa de conversão em recompensas seria o ideal para o consumidor brasileiro e um real benefício.

“Para mim parece que, por trás disso, eles arrumaram uma forma de cobrar anuidade do cartão de crédito”, comenta. “Acho importante lembrar que a gente também não pode instigar a pessoa a gastar mais de R$ 1,5 mil no mês, só porque a partir deste valor vai valer a pena o Reward. Hoje, 70% dos brasileiros endividados têm dívidas de cartões de crédito”, finaliza. Por outro lado, ela lembra que a eternidade dos pontos é vantajosa e justa.

A diretora do Nubank acredita genuinamente que está entregando um valor ao cliente. Mas isso não significa que o Rewards é perfeito. Ela garante que as melhorias serão infinitas e que há um time especialmente voltado para adicionar parceiros ao programa e fazer com que a pontuação seja cada vez maior. É esperar para ver.

[Atualizada em 3 de agosto, às 17h50]

Após a publicação desta matéria, o Nubank enviou um posicionamento ao Canaltech para rebater as informações do Proteste. Segundo Cristina Junqueira, diretora da empresa, o cartão de crédito Caixa Elo Nanquim, citado pela entrevistada Renata Pedro, "é um cartão premium que demanda renda mínima de R$ 15 mil e tem anuidade que hoje custa R$ 690. A partir de 31 de agosto subirá para R$ 800 - o que é um cenário bem diferente do que oferecemos aqui."

A porta-voz do Nubank também informou que: "ter um valor de assinatura foi a maneira que encontramos para garantir benefícios que realmente façam sentido para os nossos clientes, mas esse custo não é essencial para a nossa operação. A receita que viabiliza o projeto é consequência de o cliente aumentar os gastos no nosso cartão, o que aumenta os ganhos com taxa de intercâmbio."