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Um ano de Pix por aproximação: por que serviço ainda não é popular?

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Danilo Berti/Canaltech
Danilo Berti/Canaltech

O pagamento de Pix por aproximação no celular foi lançado pelo Banco Central do Brasil há exatamente um ano, mas ainda não embalou no país. A baixa adesão passa por disputas com os pagamentos com cartão, mudanças de hábito e disponibilidade nas carteiras digitais.

Dados do BC indicam que o Pix por aproximação foi usado em 1,05 milhão de transações durante o mês de janeiro de 2026. O pagamento por QR Code, por outro lado, chegou a 2,7 bilhões de operações (sim, com a letra “B”) no mesmo período.

O Canaltech analisa o desempenho do serviço no último ano e as perspectivas para o futuro:

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  • Por que o Pix por aproximação não é tão popular?
  • Como aumentar a adesão?

Por que o Pix por aproximação não é tão popular?

Uma mudança de hábito pode levar tempo para ganhar adesão, principalmente quando envolve pagamentos. O Pix padrão, por chave ou QR Code, já é muito consolidado no Brasil, enquanto o pagamento com cartão é mais comum na modalidade de aproximação. 

Alguns motivos que explicam a baixa popularidade:

Competição com outras formas de pagamento

Ainda não existe um motivo claro para usar o Pix por aproximação em comparação com outros modos já disponíveis, então não há uma vantagem evidente para alguém recorrer à modalidade.

“O Pix já está consolidado via QR Code e transferência, e o cartão por aproximação já é amplamente utilizado, ou seja, o consumidor não sente uma dor clara que o obrigue a migrar neste momento”, explica o head de pagamentos da fintech Adyen, Daniel Tafelli.

Configuração mais demorada

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O cadastro no serviço também é um possível entrave para aumentar a popularidade. Nos primeiros meses após o lançamento, a Carteira do Google era a única forma de usar o recurso, então os usuários precisavam vincular a conta do banco ou instituição financeira ao app para acessar as opções no Pix.

Nubank e Itaú são duas outras alternativas que permitem pagar com NFC sem a necessidade de abrir a carteira virtual, mas clientes de outras instituições ainda precisam recorrer ao cadastro no app do Google, o que pode ser interpetado como uma etapa adicional para usar um serviço que já está disponível em outra plataforma.

“Toda etapa adicional de configuração pode reduzir a adesão Quanto mais prático for o processo, maior tende a ser a experimentação e com a experiência positiva vem a recorrência”, explica Tafelli.

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Disponibilidade de carteiras

A única carteira digital compatível com o Pix por aproximação é a do Google. A Samsung já fez testes com o recurso, mas ainda não o liberou ao público.

No iOS, a Apple segue em atrito com instituições financeiras no Brasil por preservar a tecnologia NFC no próprio ecossistema e já informou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que o modo não é uma prioridade para a companhia

Além disso, há uma limitação de hardware: nem todos os celulares Android possuem NFC, tecnologia exigida para os pagamentos por aproximação. Dessa forma, a alternativa é usar o cartão físico ou o Pix no próprio aplicativo de banco. 

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Como aumentar a adesão?

O método de pagamentos ainda tem limitações por conta das carteiras digitais e dos requisitos dos celulares, mas ainda há espaço para crescimento.

Em nota ao Canaltech, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) destacou que a redução de atrito no cadastro de novos usuários é um fator que pode impulsionar a adesão.

“O Pix por aproximação precisa ser tão rápido e intuitivo quanto o cartão por NFC. Quanto menos etapas no app, maior a conversão”, informou um porta-voz da federação. “Qualquer etapa adicional no onboarding reduz a taxa de adesão, especialmente quando o método tradicional já funciona bem. Mas quando o consumidor testa e percebe a conveniência, a tendência é a recorrência aumentar naturalmente”.

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A Febraban destaca que o método também é seguro em comparação com o uso do cartão. “A modalidade usa biometria, criptografia e as camadas de autenticação já consolidadas no ecossistema Pix. Em muitos casos, ela é até menos suscetível a golpes de engenharia social do que um QR Code estático”, completa.

Por fim, incentivos comerciais no varejo, como descontos ou benefícios exclusivos, podem estimular a escolha pelo Pix no lugar do cartão. 

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