Especial | Executiva da Intel fala sobre diversidade na tecnologia

Por Natalie Rosa | 10 de Março de 2020 às 14h20
Reprodução: Intel
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No último domingo, dia 8 de março, foi comemorado o Dia Internacional da Mulher. A data foi criada para valorizar os direitos das mulheres, que foram arduamente conquistados ao longo das últimas décadas. Ainda há muita mudança para acontecer, mas a diferença da presença feminina na sociedade atual em relação com o passado já é bastante nítida: elas já estão marcando o mercado de trabalho, seja na política, nas artes, na cultura, na economia, na tecnologia e em tantas outras áreas.

Para celebrar esse mês de março, o Mês da Mulher, o Canaltech trouxe uma entrevista com Gissele Ruiz Lanza, diretora geral da Intel, para falar sobre diversidade e inclusão das mulheres no mercado de tecnologia. A executiva trabalha no setor há mais de 20 anos, acumulando diferentes experiências, como direção de varejo e consumo.

Gissele Ruiz Lanza (Foto: Reprodução/Intel)

Lanza contou ao Canaltech que enfrentou obstáculos durante o processo de conhecimento de seus pontos fortes e áreas de desenvolvimento, e que o autoconhecimento é de extrema importância para saber onde se quer chegar, evoluindo como pessoa e como profissional. “Para isso, é importante ter na mente que você não é definido pelos seus fracassos e muito menos pelas suas conquistas, você é definido pelo trabalho e pela maneira como encara os desafios”, conta.

O incentivo tem que começar desde cedo

De acordo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE, somente 20% dos profissionais de TI no Brasil são mulheres. Além disso, segundo o estudo, essas profissionais possuem um grau de educação mais elevado que os homens, mas mesmo assim ganham 34% a menos que eles.

Outros dados obtidos pela Catho, em parceria com a UPWIT, mostram que mais da metade das mulheres que trabalham com tecnologia já disseram ter sentido discriminação em ambiente de trabalho devido ao gênero. Esses dados mostram que o mercado ainda precisa abrir mais espaço para oferecer oportunidades para as mulheres, e Gissele acredita que o incentivo tem que começar desde cedo.

"Nos últimos 24 anos, o número total de matrículas em cursos de TI cresceu 586%, mas o número de mulheres não aumentou na mesma proporção. Em 1991, quase 35% dos matriculados eram mulheres, e em 2013 esse índice foi ainda menor, 15,53%. Conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE, só 20% dos profissionais que atuam no mercado de TI são mulheres", disse a executiva.

No caso da diretora geral da Intel, sempre houve uma rede de apoio com pessoas que não só a inspiraram como a incentivaram a crescer, sem perder o foco. "Isso foi primordial para que eu pudesse amadurecer e evoluir durante toda a minha trajetória profissional. Por isso, devemos incentivar cada vez mais, dentro das empresas, a criação de ambientes mais diversos e acolhedores para todo e qualquer profissional", diz.

Lanza cita ainda instituições como o Cloud Girls e o Programaria, que são parceiros da Intel e funcionam como rede de suporte de mulheres. As iniciativas entendem quais são as dificuldades do mercado para auxiliar no apoio, capacitação, incentivo e auxílio.

Iniciativa da PrograMaria (Foto: Reprodução/Intel)

Intel e inclusão

Gisselle Ruiz Lanza conta que na Intel toda voz é importante, pois é preciso ouvir e agir para fazer a mudança acontecer. A executiva diz ainda que, em 2015, nos Estados Unidos, a companhia estabeleceu uma meta de contratação e retenção visando a representação completa de mulheres e minorias, prevista para chegar ao fim agora em 2020. No entanto, a meta foi alcançada em 2018.

Foram US$ 300 milhões destinados à aceleração da diversidade e inclusão não só na Intel, quanto em todo o setor de tecnologia, e a empresa tem como um de seus marcos mais importantes a equidade salarial entre homens e mulheres, de acordo com a executiva.

"A Intel entende por equidade salarial o fim da diferença no salário médio entre funcionários de diferentes gêneros, raças ou etnias desempenhando funções iguais ou semelhantes. A empresa se compromete a avaliar e eliminar continuamente as diferenças na remuneração para manter a equidade salarial entre homens e mulheres no mundo todo. A equidade salarial global é mais um passo na nossa jornada pela criação de um ambiente de trabalho mais inclusivo, onde todos os funcionários se sintam capacitados e cada vez mais representados", explica Lanza.

A Intel também tem parcerias no Brasil com organizações que têm como objetivo incluir mais mulheres na tecnologia, fornecendo treinamentos de capacitação para o mercado profissional. Na primeira semana de março, em comemoração ao Mês da Mulher, foi realizado o evento Programaria Encontros, com o tema "Minha Carreira na Tecnologia".

Imagem: Reprodução

A companhia possui ainda o comitê interno WIN (Women at Intel Network), criado com o intuito de promover um ambiente inclusivo para as mulheres. "É por meio dele que entendemos, por exemplo, junto a parceiros de negócios, que mulheres, cada vez menos, estão escolhendo cursos relacionados às engenharias, matemáticas, ciências e computação", diz a executiva.

Com o Women at Intel Network, a companhia busca também o apoio dos homens para a equidade salarial. Em janeiro, os salários de seus funcionários passaram a ser iguais entre homens e mulheres e, em outubro do ano passado, a empresa conseguiu atingir a meta de ter o mesmo percentual de força de trabalho entre gêneros, abrindo também mais espaço para outros grupos minorizados.

A Intel diz ainda realizar ações com empresas parceiras para incentivar as mudanças no mundo corporativo, permitindo que as mulheres estejam presentes onde elas quiserem. "Que possamos todos juntos, através da tecnologia, ajudar a construir o futuro", completa Gisselle.

Como uma empresa pode auxiliar nesse incentivo?

A executiva ainda contou ao Canaltech como as empresas do setor de tecnologia podem começar a investir na inclusão das mulheres. Gisselle disse que é preciso a criação de equipes diversas e com diferentes perspectivas, experiências e ideias, pois estas acabam se tornando mais criativas e inovadoras, resultando em um ambiente de colaboração e apoio. "A falta de representatividade das mulheres, seja na tecnologia ou em outra área majoritariamente masculina, afeta tanto no desempenho da cultura organizacional das empresas quanto nos lucros, e os próprios números comprovam isso".

Lanza cita dados do Instituto Global McKinsey, de um estudo feito com 366 empresas públicas da América Latina, Canadá, Estados Unidos e Reino Unido. O resultado mostrou que empresas que possuem um índice mais alto de diversidade de gênero contam com 15% mais chances de obter um retorno financeiro acima da média da indústria nacional. "Se o público feminino fosse mais presente na economia global, possivelmente o PIB gerado aumentaria em US$ 28 trilhões até 2025 – o equivalente às economias norte-americana e chinesa juntas", completa.

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Por fim, Lanza diz que a inclusão precisa estar inserida na cultura da empresa para que funcione, e que, para isso, a liderança deve entender a importância de uma equipe igualitária na geração de resultados, com a mudança começando do topo.

"[Ter um] Comitê interno de Diversidade e Inclusão é uma prática que já deveria estar presente em todas as empresas que se preocupam com o avanço da companhia. Essas e mais ações são necessárias para contribuir com o mercado de trabalho, aumentar a diversidade, criatividade e percepção da sua equipe, além de, é claro, tornar a sociedade cada vez mais justa e igual para todos", finaliza a executiva.

Com informações de IBGE, Época Negócios

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