China movimenta US$ 9,7 bi em yuan digital, com salto de 80% em três meses

China movimenta US$ 9,7 bi em yuan digital, com salto de 80% em três meses

Por Munique Shih | Editado por Claudio Yuge | 03 de Novembro de 2021 às 23h30
RABAUZ/PIXABAY

O número de usuários da moeda digital chinesa, o Yuan digital, também conhecido como e-CNY aumentou de forma expressiva nos últimos quatro meses, saltando de 24 milhões de carteiras para 140 milhões. Segundo o Banco Popular da China (PBOC ou People's Bank of China, em inglês), a nova moeda já foi usada para movimentar US$ 9,7 bilhões (R$ 54,5 bilhões na cotação atual).

O plano de implementar esta modalidade de pagamento foi proposto em 2017, mas teve os primeiros testes iniciados somente no ano passado. Diferente de outras criptomoedas como o Bitcoin e o Ethereum, por exemplo, o e-CNY é regulado pelo governo e é emitido diretamente pelo banco central do país.

Com a pretensão de difundir o uso da nova moeda e substituir o dinheiro em circulação no longo prazo, Pequim tem incentivado o uso do yuan digital por meio de sorteios, nos quais presenteia valores para a população virtualmente.

(Imagem: Reprodução/Reuters)

O yuan digital pode ser utilizado para compras tanto físicas quanto online nas lojas que já aderiram à categoria. De acordo com Mu Changchun, chefe do Instituto de Moeda Digital do PBOC, atualmente 1,55 milhões de comerciantes ao redor da China estão aceitando pagamentos via e-CNY, incluindo serviços de refeição coletiva (catering, em inglês), transporte, varejo e serviços governamentais.

Para o governo chinês, com a nova moeda será possível balancear a privacidade que a população deseja com todos os regulamentos existentes contra a lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros. Changchun afirmou que as carteiras digitais coletariam menos dados de transações em comparação aos serviços de pagamentos online tradicionais.

Por outro lado, os planos de popularização do e-CNY também levaram a uma maior repressão por parte das autoridades em relação ás criptomoedas no país, no segundo trimestre deste ano. Na visão de alguns analistas, a proibição das negociações de bitcoin e outras criptomoedas na segunda maior economia do mundo foi motivada, em parte, pelo interesse de evitar uma possível competição entre o yuan digital com outras moedas digitais descentralizadas.

Fonte: theblockcrypto,decrypt,Bloomberg

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