Centro de reparos de produtos da Apple é denunciado por condições precárias

Centro de reparos de produtos da Apple é denunciado por condições precárias

Por Felipe Demartini | Editado por Jones Oliveira | 28 de Julho de 2021 às 20h30
Divulgação/CSAT Solutions

Metas altas, salários baixos e ausência de planos de carreira são apenas algumas das denúncias feitas à imprensa americana por funcionários de um centro de reparo de notebooks que tem a Apple como cliente principal, mas também atende nomes como Dell e Lenovo. A unidade, localizada na cidade de Houston, nos EUA, é citada como um local de exploração, com trabalhadores isolados e instalações que não atendem necessidades básicas.

De acordo com as denúncias sobre a CSAT Solutions feitas ao site Business Insider, não há banheiros suficientes para todos os trabalhadores, com os que estão disponíveis estando constantemente sujos. A temperatura é alta, com um sistema de ar condicionado que não dá conta, e os trabalhadores são proibidos de usarem o celular mesmo em intervalos ou emergências — um dos denunciantes afirma que ficou sabendo que o filho estava no hospital, devido a uma queimadura, apenas horas depois do ocorrido, quando terminou seu turno diário.

Os relatos também falam sobre a ausência de planos de carreira, com a empresa não dando informações sobre promoções e aumento de salários, e pagamentos de US$ 12 a US$ 14 por hora. As metas, altíssimas, teriam obrigado muitos funcionários a trabalharem em turnos de mais de 12 horas por dia, com acúmulo de casos de afastamento por estafa ou problemas de saúde.

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As metas envolveriam, por exemplo, a realização de reparos em computadores em menos de uma hora, uma tarefa impossível em muitos casos. Outro relato cita supervisores tentando impedir até mesmo conversas entre os funcionários, enquanto o intervalo de descanso, necessidades e alimentação seria de apenas 10 minutos, com longas filas devido à pouca disponibilidade de banheiros.

É o contrário, afirmam os denunciantes, do que é promovido pela CSAT Solutions em seu site ou em serviços que ofertam vagas de emprego, onde a companhia utiliza a forte parceria com a Apple como chamariz. Condições dignas, entretanto, somente seriam seguidas quando fiscais da Maçã visitavam o local, com supervisores que teriam pedido a funcionários que seguissem normas firmadas pela fabricante nestes momentos.

Centros de reparo da CSAT Solutions também prestam serviços para Lenovo e Dell; pelo menos sete processos já foram abertos na justiça americana devido às condições de trabalho (Imagem: Divulgação/CSAT Solutions)

No restante do tempo, as alegações são de contratação de empresas de trabalhadores temporários, em regime integral, nos setores relacionados ao conserto de notebooks, smartphones e outros dispositivos das marcas atendidas. A reportagem fala ainda que denúncias anteriores e reclamações a supervisores foram ignoradas, sem mudança nas condições de trabalho.

Pelo menos oito processos judiciais sobre as condições de trabalho foram movidos contra a CSAT Solutions desde 2009, sendo quatro sobre o não pagamento de horas extras, dois por discriminação e um pela demissão de um trabalhador após denúncias de assédio sexual. Todos foram resolvidos com um acordo fora dos tribunais, enquanto à corte do estado americano do Texas, a empresa negou as práticas.

A resposta das empresas

Em resposta à reportagem, a Apple disse visitar com frequência as instalações da CSAT Solutions, assim como as de outras parceiras que prestam serviço para a empresa. De acordo com a fabricante, as alegações serão investigadas, já que a companhia preserva altos padrões, que devem ser cumpridos por suas contratadas, de forma a respeitar os trabalhadores e oferecer condições dignas a eles.

Já a CSAT refutou algumas denúncias, afirmando que os banheiros da unidade de Houston são limpos, pelo menos, três vezes por dia e que os trabalhadores podem até mesmo deixar a unidade durante os intervalos de descanso e almoço, que não seria curtos como nos relatos. A empresa não comentou sobre os processos movidos na justiça americana, mas disse sempre investigar relatos levados à gerência pelos funcionários e que mantém altos padrões de funcionamento.

Fonte: Business Insider

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