Amazon nega condições desumanas de trabalho, mas denúncias se acumulam

Por Felipe Demartini | 26 de Março de 2021 às 13h33
Divulgação/Amazon

Uma nova onda de denúncias sobre condições insalubres de trabalho voltou a atingir a Amazon, depois que a própria empresa usou o Twitter para rebater alegações feitas por um congressista americano. A torrente de relatos, vinda de jornalistas e autores, relatam trabalhadores sem tempo até mesmo para irem ao banheiro, enquanto outros passam mal devido à temperatura das unidades e à alta carga de trabalho.

As denúncias envolvem trabalhadores que chegam a levar etiquetas e equipamentos ao banheiro, para não interromperem o fluxo de trabalho. Outros falam sobre infecções urinárias por segurarem a urina, e nos casos mais graves, funcionários de armazéns e motoristas que fizeram suas necessidades em garrafas e sacolas para que as metas de produção fossem batidas, garantindo o pagamento.

Foi sobre estas alegações que a Amazon se pronunciou. Respondendo ao congressista Mark Pocan, do estado de Winsconsin, a empresa deu uma resposta considerada irônica por muitos, questionando o político se ele realmente acreditava nessas histórias. “Se isso fosse verdade, ninguém trabalharia para nós”, completou a companhia, pedindo ainda que o representante crie políticas trabalhistas que garantam aos trabalhadores de outras empresas as mesmas condições possuídas pelos trabalhadores da varejista.

Foi o tom que gerou uma onda de novos relatos, incluindo fotos de avisos fixados por gerentes da Amazon a seus motoristas com regras do trabalho. As normas indicam que os entregadores têm a responsabilidade de manterem as vans limpas, o que inclui lixo, sacola e, literalmente, “garrafas de urina”. O aviso teria sido flagrado em uma terceirizada da varejista, chamada Synctruck, e inclui ameaças de punições pelo não cumprimento e a ideia de que todos são “substituíveis”, sejam novatos ou veteranos na empresa.

O relato foi corroborado, também, por uma reportagem publicada nesta semana pelo The Intercept, na qual outro memorando, assinado por um gerente de entregas da Amazon, relata três ocasiões em que fezes foram encontradas dentro de sacolas usadas pelos funcionários. O texto cita essa, assim como as infames garrafas de urina, como consequências da dificuldade dos funcionários de logística em encontrar banheiros abertos por conta da pandemia.

Outras denúncias também foram publicadas, com a jornalista Alex Press, por exemplo, mostrando uma de tantas mensagens que recebe frequentemente de funcionários da Amazon. Na troca, o trabalhador afirma que um colega acaba de ter um ataque por causa da temperatura de um armazém, após um dia exaustivo de descarregamento de pacotes e outras atividades fisicamente extenuantes.

O texto do The Intercept também vai além, com relatos de impedimentos à sindicalização e dados internos que indicam uma taxa de 7,7 acidentes a cada 100 funcionários, surtos de COVID-19 devido à falta de protocolos adequados de saúde e até mesmo um trabalhador vítima de um ataque cardíaco, cujo corpo ficou exposto por cerca de 20 minutos enquanto os outros não podiam interromper o trabalho por conta das metas em vigor.

Oficialmente, a Amazon negou apenas o último relato, afirmando que o atendimento ao colaborador aconteceu em poucos minutos. O Canaltech também procurou a empresa para que se pronunciasse, mas não havia recebido uma resposta até a publicação desta matéria.

Fonte: The Verge, The Intercept  

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