Canaltech e Magalu: o que esperar desta parceria

Por Stephanie Kohn | 07 de Agosto de 2020 às 14h51
Canaltech

Na última quinta-feira (7), vocês, leitores, acordaram com uma grande novidade: o Canaltech agora faz parte da família Magazine Luiza. A varejista adquiriu o Canaltech em um movimento para se tornar o mais eficiente ecossistema digital do país e com um único propósito: inclusão digital dos brasileiros.

"Nosso propósito no Magalu é dar acesso para muitos o que é privilégio de poucos. A gente entende que não existe inclusão social em um país se não houver inclusão digital", comenta o CEO do Magazine Luiza, Fred Trajano, em entrevista ao Canaltech.

Para isso, segundo o executivo, é preciso três elementos. "O primeiro é a conexão, e isso já fazemos com o plano de dados Magamais. O segundo são os gadgets, os aparelhos, e também temos bastante em nossas lojas e e-commerce, e o terceiro é a educação e o conhecimento. O Canaltech entra neste contexto de educar e transmitir conhecimento ao mercado", diz.

Fred Trajano, CEO do Magazine Luiza
Fred Trajano, CEO do Magazine Luiza. Foto: Magazine Luiza

Trajano ressalta que hoje a tecnologia é produto de primeira necessidade e é preciso profissionais que saibam simplificar e explicar as suas complexidades. "O consumidor é quem vai fazer a revolução digital do país e sem esse tipo de iniciativa como a do Canaltech, isso não é possível", fala.

Valores corporativos e independência editorial

Para o CEO é natural a preocupação dos leitores quanto ao futuro do Canaltech, mas ele explica que a credibilidade é fundamento da estratégia. "Se o Canaltech perder credibilidade, perderá leitores e o nosso investimento não terá sentido", comenta.

No Magalu, segundo ele, os valores corporativos são repetidos à exaustão e dentre eles está o conceito de colocar o cliente em primeiro lugar, pois o lucro é consequência de consumidores felizes. Sendo assim, a empresa é bem criteriosa na escolha dos produtos que serão vendidos, tanto do ponto de vista regulatório quanto de qualidade.

Tanto é que a companhia deixa reviews positivos e negativos expostos juntos dos produtos e nunca deleta comentários negativos, mesmo àqueles que dizem respeito ao próprio Magalu. De acordo com Fred, a companhia segue preceitos ESG [saiba mais aqui] em que todas as partes envolvidas nos processos da empresa são respeitadas; clientes, fornecedores, colaboradores e etc.

"No caso do Canaltech, o cliente é o leitor e deveremos ter essa mesma preocupação com eles. Aprendi que, se separar o Estado da Igreja, o veículo funciona bem. O lado comercial é importante para dar estrutura, remunerar bem a equipe, mas a gente tem que respeitar o editorial", diz.

Vale lembrar que esse movimento de compra de veículos não é novidade. O BTG Pactual comprou a Exame, a XP Investimentos adquiriu a Info Money e o próprio Jeff Bezos, CEO da Amazon, é dono do Washington Post.

"Estar junto de uma empresa que cresceu mais de 1.000% em 8 anos na Bolsa de Valores vai ajudar o Canaltech a expandir de forma ainda mais acelerada, trazendo mais conteúdo sobre tecnologia e auxiliando na digitalização do nosso país", comentou Domingos Hypolito Neto, fundador e CMO do Canaltech.

Já para Felipe Szatkowski, fundador e COO do Canaltech, a gestão humana do Magalu, que traz as equipes como principal ativo, confirma o compromisso que o Canaltech tem com o time. "Nesses oito anos produzindo conteúdo sobre tecnologia, o Canaltech sempre prezou pela imparcialidade editorial e, uma vez confirmada a manutenção dessa premissa pelo Fred [Trajano], nos sentimos confiantes em manter a fórmula de sucesso do nosso trabalho, que tem a credibilidade como grande pilar", finaliza.

China e a tendência do e-commerce content

Trajano vê na China uma referência maior do que os Estados Unidos. O país asiático é a nação com maior crescimento econômico e renda per capita dos últimos 25 anos, e conseguiu esse feito pela aplicação da tecnologia e a inclusão digital. Parte do sucesso chinês na digitalização da sociedade se deve a empresas como o Alibaba.

"A qualidade de vida e a renda dos chineses melhoraram muito com a inclusão digital. E a nação tinha similaridades com o Brasil, com alta desigualdade social, muita pobreza", ressalta. Esta semelhança entre os mercados, segundo o executivo, ajuda a pensar estratégias locais e a ficar de olho em tendências que estão despontando.

"O e-commerce content é muito forte lá na China com o Alibaba, por exemplo. Quando criamos a Lu, a ideia era unir comércio com conteúdo, porque quando saímos do varejo físico para o digital, a venda ficava muito fria. Antigamente, na época da minha mãe e da minha tia, o conteúdo vinha da boca do vendedor. Quando passamos para o digital, isso mudou", lembra.

Com a entrada no e-commerce, o Magalu entendeu a importância do conteúdo no meio digital e percebeu que a internet oferece infinitas possibilidades. A empresa foi a primeira varejista a ter um canal no Youtube, hoje com dois milhões de inscritos, e é, a partir de agora, a única varejista brasileira a contar com um veículo especializado para ajudar nesta tarefa de informar o consumidor.

"Com o nosso propósito em mente nos tornamos esse ecossistema digital, uma plataforma para gerar inclusão digital no país. O Brasil não precisa esperar que venha alguém de fora fazer isso por nós. Nós, da Magalu, acreditamos que podemos protagonizar essa mudança", finaliza Fred.

"Nossa equipe está comprometida em continuar o excelente trabalho que vem desenvolvendo há 8 anos. A essência do Canaltech continua a mesma, trazer informação de qualidade sobre os temas que as pessoas amam quando se trata de tecnologia", conclui Camila Rinaldi, editora-chefe do Canaltech.

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