Analista afirma que Apple corre o risco de lançar iPhone com 5G apenas em 2021

Por Rafael Rodrigues da Silva | 03 de Abril de 2019 às 15h51
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Um relatório publicado pelo conhecido analista da UBS Timothy Arcuri deixará os investidores da Apple preocupados: segundo o analista, há uma chance real da empresa lançar seu primeiro smartphone com suporte à tecnologia 5G apenas em 2021 — e o principal motivo seria o fato da companhia de Cupertino ainda não ter encontrado um fornecedor de modems 5G.

O caminho mais lógico, na teoria, seria comprar os chips de modem 5G da mesma empresa que já fornece os de 4G LTE (utilizados nos modelos mais recentes da companhia) para a empresa. O problema é que a Intel já revelou que deverá terminar o desenvolvimento de seu modem 5G apenas no primeiro semestre de 2020, e fontes de dentro da empresa já revelaram para Arcuri que o cronograma do projeto está bastante atrasado, com muitas chances dessa data de lançamento ser adiada para 2021. Assim, continuar dependendo da Intel obrigaria a Apple a aguardar que o desenvolvimento desse chip fosse finalmente concluído a, potencialmente, daqui dois anos, quando é praticamente certeza que a empresa será a única a ainda não possuir suporte a redes 5G em seus smartphones.

Modem 5G da Intel deverá ficar pronto apenas em 2020, mas rumores apontam que um adiamento para 2021 é bastante provável (Imagem: Intel)

Outro candidato em potencial para fornecer os modems para a companhia é a Qualcomm, que já possui modems 5G que estão sendo utilizados por algumas das principais rivais da Apple, como Xiaomi e ASUS. O problema é que ambas as empresas estão envolvidas em uma longa disputa judicial sobre o pagamento de valores de licenciamento durante o período em que os iPhones utilizaram os chips da marca, e a disputa dificilmente chegará ao final a tempo das empresas conseguirem fechar um acordo de fornecimento para os iPhones de 2020. Isso não quer dizer que a Apple nunca mais irá fazer negócios com a Qualcomm, mas a companhia de chips dos Estados Unidos já se recusou a fornecer modems 4G para o iPhone XS e o IPhone XR no ano passado, e dificilmente fechará qualquer contrato com a Apple antes da disputa judicial deles ser resolvida.

Longa disputa judicial entre a Apple e a Qualcomm impede companhias de fecharem contrato (Imagem: CNN)

Uma terceira fornecedora que a Apple poderia recorrer é a Samsung, afinal a empresa coreana, apesar de ser uma das maiores concorrentes da maçã no mercado de smartphones, já fornece para ela as telas OLED usadas em quase todos os modelos do iPhone. O principal problema é que, no momento, toda a produção de modems 5G da empresa está dedicada para produtos próprios, e a companhia não está fechando contratos de fornecimento com nenhuma outra marca.

Isso porque a empresa deverá lançar neste ano, além do quarto modelo do Galaxy S10, que virá com suporte a 5G, o Galaxy Fold (o primeiro smartphone com tela dobrável da Samsung), que também dará suporte à tecnologia. Isso, muito provavelmente, ocorrerá dentro dos próximos meses. Para completar, a Samsung ainda deverá anunciar a existência de um Galaxy Note 10 com suporte a 5G na sequência. Já é esperado que todos os modelos da companhia para o ano que vem (Galaxy S11 e Galaxy Note 11) venham com o suporte ao novo padrão, o que obrigaria a empresa a manter toda sua produção desses modems para uso interno.

Grande necessidade de uso para modelos da empresa impede a Samsung de ser uma fornecedora da Apple (Imagem: Samsung)

Entre os possíveis fornecedores para esse produto sobrou então apenas a Huawei, mas essa é uma parceria que tem pouquíssimas chances de ser fechada enquanto os Estados Unidos estiverem sob a presidência de Donald Trump. Isso porque a empresa chinesa tem sido abertamente combatida pelo governo de lá, que a acusa de ter roubado propriedade intelectual pertencente à AT&T, furado o bloqueio comercial do país no Irã e usado seus equipamentos para ajudar o governo da China a espionar as comunicações de pessoas ao redor do mundo. Considerando que o país recentemente passou uma legislação que proíbe o uso de equipamentos da empresa por membros do governo e no desenvolvimento da infraestrutura 5G do país, fechar um contrato de fornecimento de modems com a Huawei poderia ser desastroso para a Apple, já que ela estaria sujeita a retaliação do governo federal, tanto na forma de multas quanto no aumento de impostos ou até mesmo na proibição da venda dos modelos que utilizam o chip da marca chinesa no país.

Briga entre a Huawei e o governo dos Estados Unidos torna praticamente impossível um acordo entre a Apple e a chinesa (Imagenm: Huawei)

Claro, a Apple poderia também tentar um acordo com a MediaTek, que também possui modems do tipo. Mas a companhia de Taiwan fabrica chips voltados para aparelhos de menor desempenho e menor custo, que não atendem aos exigentes padrões de qualidade e desempenho dos produtos da Apple. Fechar um contrato com a companhia significaria uma queda de qualidade no produto final, ocasionando um grande impacto na imagem que a Apple cultivou durante toda sua história.

Recorrer à MediaTek, que não possui os mesmos padrões de qualidade da Apple, poderia ser um duro golpe na imagem da empresa (Imagem: MediaTek) 

Como é possível notar, a Apple simplesmente não possui alternativas fora da Intel, e está refém do tempo que a empresa irá levar para conseguir desenvolver o seu próprio modem 5G. Por isso, a empresa parece estar investindo no único “plano B” possível: desenvolver o seu próprio modem 5G.

No final do ano passado, começaram a circular diversos rumores de que a companhia teria destacado um time de engenheiros para desenvolver sua própria tecnologia de modems 5G, que teria um cronograma com lançamento esperado para 2021, mas que pode se ver obrigado a acelerar as coisas e preparar seu produto para 2020 caso a Intel não dê indícios de que irá conseguir terminar o desenvolvimento da tecnologia a tempo.

De acordo com o relatório da UBS, a Apple já estaria se preparando para o pior dos cenários — não ter um iPhone com suporte à 5G em 2020, o que fatalmente se traduziria em uma queda no número de aparelhos vendidos e no valor das ações da empresa. Isso explicaria o alto investimento da empresa este ano no setor de serviços, como o novo streaming de vídeos Apple TV+ e o sistema de de assinaturas para acesso a jornais e revistas de todo o mundo, pois a empresa estaria se preparando para que o sucesso desses serviços a ajudassem a cobrir o impacto financeiro causado pela esperada queda nas vendas do iPhone nos próximos dois anos.

Fonte: Phone Arena

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