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Brasil é fundamental para construir o futuro do Canva, diz executivo

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Bruno De Blasi/Canaltech
Bruno De Blasi/Canaltech

O Brasil não é apenas um grande mercado para o Canva, mas onde o futuro da plataforma é testado. É o que mostra o Country Manager da empresa, Alberto Ceresa, em uma entrevista ao Canaltech nesta quarta-feira (10), durante o Web Summit Rio.

O destaque ocorre em um mercado fundamental para a companhia, marcado por um público early adopter, ou seja, que adota novas tecnologias antes da maioria das pessoas.

"O Brasil é como se fosse uma antecipação do que depois vai acontecer no mundo", pontua o executivo responsável pela operação no Brasil. Na prática, isso significa que funcionalidades testadas aqui influenciam decisões globais do produto.

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Dois fatores culturais também se destacam no universo do Canva: o Brasil é um país social-first e mobile-first. Soma-se a isso um ecossistema dominado por microempreendedores e autônomos, perfil que representa, segundo Ceresa, cerca de 90% dos usuários brasileiros da plataforma.

IA como diferencial

Com esse público em mente, o Canva tem investido em ferramentas de IA que personalizam a experiência sem abrir mão da acessibilidade de preço. O Magic Memory aprende o estilo visual de cada usuário e usa esses dados para gerar conteúdo com identidade própria, não um output genérico.

Já o Magic Layers, liberado recentemente em português, permite editar camadas de uma foto de forma independente, abrindo espaço para ajustes precisos sem retrabalho.

A empresa também se reposicionou. "A gente virou uma empresa de IA, não mais uma empresa de design", disse Ceresa. O Canva AI 2.0, lançado recentemente, é parte dessa virada, e o Brasil deve ser um dos primeiros mercados a sentir os efeitos.

Outro movimento que pode mudar o jogo no Brasil é o Affinity, plataforma de design profissional adquirida pelo Canva em 2024. O produto mira diretamente escolas e empresas que hoje dependem de softwares caros para trabalhos mais avançados.

"É uma alavanca que o competidor tem mais medo, eu diria", afirmou Ceresa. A penetração no Brasil ainda está em processo, mas a proposta é clara: oferecer um produto de nível profissional por uma fração do preço das alternativas atuais.

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Mas a IA tem custo. Em um mercado sensível ao dólar como o Brasil, a escalada dos gastos com infraestrutura de computação é uma pressão real. Mas isso não é uma preocupação para o Canva – pelo menos, por enquanto.

Ceresa destaca que, além da missão de oferecer acessibilidade tanto em ferramentas quanto no preço, a empresa é lucrativa, na contramão do mercado de IA. "A maior parte das empresas de IA estão perdendo muito dinheiro”, observa.