Amazon pode encarar uma sindicalização em massa de seus trabalhadores nos EUA

Por Rui Maciel | 09 de Março de 2021 às 14h05
Divulgação/Amazon

A Amazon pode se preparar para encarar uma grande onde de sindicalização entre seus funcionários nos EUA. Isso porque um esforço histórico nesse sentido em um de seus armazéns no Alabama pode ter criado um efeito dominó, se alastrando por outros estados norte-americanos.

Segundo uma matéria do jornal The Washington Post (cujo controlador é Jeff Bezos, cofundador e CEO da Amazon), nas últimas semanas, mais de mil trabalhadores da varejista online nos EUA entraram em contato com o Sindicato de Varejo, Atacado e Lojas de Departamento (RWDSU, na sigla em inglês). Eles perguntaram sobre a criação de campanhas sindicais em seus próprios locais de trabalho, composto basicamente de armazéns e centros de distribuição, informou Chelsea Connor, porta-voz do RWDSU.

Alabama lidera o levante

Com mais de 5,8 mil funcionários, o armazém da Amazon localizado na cidade de Bessemer, no Alabama está realizando uma votação de sindicalização. Caso a proposta de criação de um sindicato vença, essa seria primeira entidade do gênero formada por trabalhadores da gigante do e-commerce nos EUA. E. com isso, novas organizações sindicais surgiriam dentro da Amazon: “Ajudaria muito se o Alabama votasse sim”, disse um trabalhador anônimo de Seattle ao Post. "As chances de fazermos algo aumentam".

Cerimônia de inauguração do armazém da Amazon em Bessemer: unidade lidera o processo de sindicalização da gigante varejista nos EUA (Foto: US House of Representatives - Office of Gary Palmer) 

A votação pela criação do sindicato em Bessemer começou no dia 8 de fevereiro e deve durar até 29 de março. A Amazon tem feito uma campanha agressiva, enviando mensagens aos trabalhadores dizendo-lhes para votarem pelo "não". Isso inclui a colocação de faixas e panfletos nos banheiros, de acordo com relatos.

Em certo momento da campanha contra a criação do sindicato, a Amazon começou a usar o Twitch para publicar anúncios anti-sindicais e que eram visualizados por seus trabalhadores. No entanto, a plataforma de streaming - que também pertence a Amazon - removeu esses anúncios, afirmando que eles violavam suas políticas de propaganda política.

Os esforços a favor e contra o processo de sindicalização na Amazon vêm recebendo atenção dos escalões políticos nos EUA, até mesmo de Joe Biden. Inclusive, o presidente norte-americano já advertiu a varejista sobre eventuais interferências no movimento. Segundo o mandatário norte-americano, em vídeo transmitido na semana passada:

“Não deve haver intimidação, coerção, ameaças ou propaganda anti-sindical. Nenhum supervisor deve confrontar os funcionários sobre suas preferências sindicais”.

Depois que a Amazon perdeu a chance de forçar a votação pessoalmente, ao invés do uso do correio, uma nova caixa do gênero da US Postal Services (ou USPS - os Correios dos EUA) apareceu do lado de fora do armazém em Bessemer. O site da Vice relatou que os trabalhadores receberam instruções, dizendo-lhes para colocar suas cédulas naquela caixa de até o dia 1º de março - ainda que a votação dure até 29 de março.

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Fonte: Business Insider  

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