Por que o Google vendeu a Motorola para a Lenovo? Entenda

Por Felipe Demartini | 30 de Janeiro de 2014 às 17h11

No fim da tarde desta quarta-feira (29), o mundo da tecnologia foi surpreendido com a notícia de que a Lenovo havia comprado a Motorola por US$ 2,91 milhões, em um negócio que, mais uma vez, faz parte da estratégia de expansão da empresa chinesa em busca da diversificação de seus negócios, de forma a reduzir a dependência do mercado de computadores.

O negócio pegou todo mundo de surpresa já que, há menos de dois anos, a mesma Motorola era adquirida pelo Google como uma forma de fortalecer a estratégia da companhia com o sistema operacional Android. Há quem diga que a mudança de posse, anunciada agora, seria uma indicação de que as coisas não correram tão bem nesse sentido. Do outro lado, estão especialistas que não concordam com isso.

Baseado em uma lista publicada pelo site What’s New, o Canaltech apresenta os quatro pontos-chave dessa negociação. São fatos que mostram que a venda pode ser extremamente benéfica tanto para quem vendeu quanto para quem comprou, ambas sendo companhias que buscam se posicionar melhor no mercado atual. Confira:

Ranking de marcas

A compra da Motorola transforma a Lenovo na terceira maior fabricante de smartphones do mundo, à frente de concorrentes diretos como a Huawei e a LG. No topo, claro, estão as toda-poderosas Samsung e Apple, que agora ganharam um rival de peso e, pior ainda, com tradição no mercado asiático, que se torna cada vez mais importante e disputado pelas marcas.

A união da Motorola com a Lenovo cria uma empresa com 6% de market share e quase 60 milhões de aparelhos disponibilizados no mercado global no quarto trimestre de 2013, segundo números da consultoria Strategy Analytics. São números que ainda estão longe de Samsung e Apple, com 29% e 22% do mercado, respectivamente, mas que colocam a nova companhia em uma posição muito melhor para competir.

Hoje, a Lenovo é a quinta maior fabricante de smartphones do mundo, com 4,2% de participação no mercado. A Motorola não aparece no ranking das gigantes e, de acordo com dados de mercado, concentra 1,4% de market share.

O maior colecionador de patentes

Um dos termos da negociação entre Google e Lenovo foi a permanência de patentes da Motorola no portfólio da gigante da tecnologia. O acordo foi aceito e, pelo que parece, a companhia agora possui o melhor de dois mundos: pode caminhar com as próprias pernas e possui uma grande biblioteca de tecnologias à disposição, para serem usadas a qualquer momento.

Ideia

Some a isso o acordo recente firmado com a Samsung, uma das principais fabricantes de celulares com Android do mundo, e o total de patentes nas mãos da empresa atinge a estratosfera. Pelo jeito, royalties e processos relacionados a quebras de tecnologias registradas não devem ser um problema tão grande para o Google no futuro.

Pelo menos pelos próximos dez anos, duração do contrato com a Samsung, o Google tem um prato cheio de inovações pela frente. Leve em conta, também, a aquisição da fabricante de termostatos NEST e a entrada de uma série de antigos designers da Apple ao quadro de funcionários da empresa e imagine o que pode sair dos corredores do Vale do Silício nos próximos anos.

Foco no que importa

Falando em caminhar com as próprias pernas, o próprio Google afirmou, ao comunicar a venda da Motorola para o mercado, que um dos focos da empresa é dar atenção maior a certos negócios da companhia. A empresa está falando, claro, do Android e, pelo jeito, o foco no sistema operacional é grande o bastante para abrir mão de uma fabricante de aparelhos.

Enquanto boa parte das indústrias de tecnologia busca diversificação, por meio de tablets, wearables e todo tipo de equipamento eletrônico, o Google segue na direção inversa. Para a empresa, esse tipo de retorno às origens e a um dos principais produtos da companhia será importante até mesmo para os consumidores, que poderão contar com atualizações liberadas de forma mais constante e problemas corrigidos com agilidade.

Android

Enquanto isso, a Lenovo foca em criar aparelhos melhores, sabendo que pode contar com as funções e infraestrutura do Android. Do outro lado, o Google já possui uma relação com as duas companhias e conta com a fabricante chinesa para botar mais aparelhos com o seu sistema operacional no mercado. Todos ganham.

Tecnologias mantidas

Falando em situações onde existe apenas ganho, e voltando ao assunto de patentes, parte da negociação entre Google e Lenovo envolve também a compra de duas mil patentes pela fabricante chinesa. Isso, aliado a uma série de marcas registradas também adquiridas pela companhia, permite que a empresa inove e lance aparelhos com condição de competir não apenas nos mercados asiáticos, mas também em todo o mundo.

A ideia de expansão da Lenovo chega até os Estados Unidos e Europa, de forma a se transformar cada vez mais em uma marca global e acabar com a noção de que se trata de uma companhia asiática com produtos voltados para os asiáticos. A América Latina também está nos planos.

Aqui, vale a pena citar também a recente compra do negócio de servidores da IBM, outro movimento da Lenovo para ampliar sua participação em mercados emergentes ou já desenvolvidos. Além disso, a ideia da empresa é manter mais presença no segmento corporativo, de forma a depender menos dos computadores e de sua decadência cada vez mais eminente.

A compra da Motorola Mobility pela Lenovo ainda depende da aprovação de autoridades americanas e chinesas para ser concluída. As companhias estão confiantes de que a negociação será aprovada sem restrição alguma.

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