Empresa desenvolve software para impressão 4D, tecnologia dos 'Transformers'

Por Lucas Agrela | 14.10.2013 às 11:25
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Enquanto as impressoras 3D começam a se tornar mais populares no Brasil, a AutoDesk, famosa por ser fornecedora do software de design AutoCad, anunciou que está desenvolvendo softwares para a impressão em 4D. No caso, a quarta dimensão seriam peças de montagem autônoma, como já mostram alguns projetos de robôs modulares do MIT (Massachusetts Institute of Technology).

Em termos de comparação, a tecnologia seria o que tornaria real os robôs gigantes do filme de ficção científica “Transformers”: peças tridimensionais que podem se montar automaticamente.

A empresa, uma das principais fornecedoras de software de modelagem 3D, acredita também que as impressoras 3D devem ter o preço reduzido nos próximos anos – inclusive no Brasil. “Você vai acabar tendo uma dessas em casa e pagará mais pela matéria-prima do que pelo aparelho, como já acontece hoje com cartuchos de tinta”, disse Chris Bradshaw, diretor de marketing e vice-presidente sênior de educação, mídia e entretenimento da AutoDesk, durante o evento AutoDesk University, realizado semana passada em São Paulo, e que contou com cerca de 2 mil participantes.

Confira abaixo a entrevista na íntegra do Canaltech com Bradshaw sobre a nova tecnologia 4D e a popularização das impressoras 3D.

Canaltech: O que é a impressão 4D? Qual é a quarta dimensão?

Chris: A quarta dimensão é o que chamamos de montagem autônoma. As peças poderão se montar sozinhas. Por exemplo, no mercado consumidor, será possível montar brinquedos para crianças ou até mesmo um berço. Mas 4D está em um estágio embrionário. Acredito que ele ainda deve demorar cerca de dez anos para de fato chegar ao mercado. No entanto, a tecnologia é baseada na impressão 3D. Um estágio avançado da impressão 4D será o que vimos no filme “Transformers”, é nisso que os pesquisadores estão pensando, o que é incrível. Você poderia enviar um produto desmontado e quando você precisar dele, ele se montará por conta própria.

CT: Mas essas estruturas são muito complexas, a impressão 3D conseguirá realizar essa tarefa?

Chris: Não há limites de complexidade para a impressão 3D. Na manufatura, essa tecnologia é usada para criar produtos que são muito complexos para serem feitos de qualquer outra maneira. Como tudo é feito camada por camada, é possível criar coisas muito complexas. Se você perder uma mão, por exemplo, você pode escanear o seu braço e imprimir uma prótese personalizada, já que cada acidente é único e exige um formato adaptado. O MIT (Massachusetts Institute of Techonoly) está trabalhando em projetos como esse.

CT: A AutoDesk investe em hardware e software nessa área?

Chris:Somente em software. Nossos cientistas estão buscando formas de oferecer uma visão mais clara de um ambiente na escala da nanotenologia, já que o microscópio não pode fazer isso. A ideia é disponibilizar uma tecnologia em que será possível visualizar até mesmo as reações químicas que acontecem nesse ambiente. Dessa forma, será possível realizar testes mais eficientes.

CT: Qual é o investimento da AutoDesk para a impressão 4D?

Chris: Quase zero. Nosso trabalho nesse mercado agora consiste em integrar nossos softwares, que já desenvolvemos há anos, com o hardware das impressoras. São ajustes necessários para tornar a tecnologia possível. Também há uma preocupação com uma usabilidade bastante simples, porque a impressão em 3D é algo caro. Tudo deve funcionar perfeitamente para que o usuário não enfrente problemas com gastos inesperados com matéria-prima desperdiçada.

CT; Que fatores devem derrubar o preço das impressoras 3D?

Chris: Primeiramente, a produção deve ser massificada para que haja uma redução de custo e o mesmo acontece com a matéria-prima. Mas os produtos precisam ser simplificados e nós estamos nessa fase. Hoje, ter uma impressora 3D em casa é mais uma espécie de hobby, já que o processo é demorado e muitas vezes o produto impresso sairá mais caro do que o comprado nas lojas. Mas em dois ou três anos o preço deve baixar [atualmente no Brasil, um aparelho desses custa em média R$ 6 mil]. Nos EUA, há impressoras 3D que já custam menos de US$ 1.000 (R$4.200).