Terra pode atingir superaquecimento nunca visto nos últimos 55 milhões de anos

Por Natalie Rosa | 16 de Setembro de 2020 às 13h16
Reprodução: mariananbu/Pixabay

A situação atual e futura do nosso planeta não é promissora, e isso já não é novidade. Agora, de acordo com um estudo recente publicado na revista Science, o problema parece ser ainda pior do que imaginamos devido ao superaquecimento do planeta provocado pela ação humana.

Para chegar a esta conclusão, pesquisadores fizeram a análise de elementos químicos de milhares de amostras de material de milhões de anos atrás, construindo o registro climático mais detalhado da Terra até então. Em um mesmo registro, os cientistas compilaram décadas de missões de perfuração no fundo do oceano, trazendo detalhes das oscilações de toda a era Cenozoica, que teve início após a extinção dos dinossauros. Desde aquela época até hoje, o planeta passou por quatro estados climáticos, entre muito frio e muito quente, com o pico, atualmente, apontando para um nível tão alto como foi naquela era.

Reprodução: PIRO4D/Pixabay

A partir dos dados coletados, os pesquisadores fizeram a captura da variabilidade natural do clima, mostrando que, basicamente, o aquecimento causado pela ação humana deve ser ainda maior que as consequências da tragédia que acabou com os dinossauros. Os pesquisadores consideraram ainda os impactos astronômicos no clima do planeta, com a Terra mudando a sua órbita lentamente e se inclinando em direção ao Sol, o que impacta consideravelmente em como a luz solar atinge o planeta em diferentes partes e momentos.

Há 66 milhões de anos, um asteroide atingiu o planeta com força equivalente à explosão de cerca de um bilhão de bombas nucleares, deixando uma vasta nuvem de cinzas, poeira e pedra vaporizada no céu, o que provocou uma chuva lenta na sequência.

Então, com animais e plantas sumindo da Terra, pequenas amebas submarinas continuaram a se reproduzir, criando conchas resistentes de cálcio e outros minerais do oceano profundo, seguindo assim por centenas de milhões de anos. Quando elas morreram, foram pulverizadas em sedimentos do fundo do mar, deixando registros de história antiga da Terra em forma fóssil, sendo assim possível fazer essas medições com precisão.

Segundo James Zachos, professor de ciências da Terra e planetárias da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, as projeções para o ano de 2300 são de elevações da temperatura global em uma escala que não é vista há 50 milhões de anos — e isso não vai levar milhões de anos para a próxima catástrofe, mas sim apenas algumas centenas.

Fonte: Space.com

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