Satélite mostra iceberg gigante se soltando de plataforma de gelo na Antártida

Por Natalie Rosa | 02 de Março de 2021 às 14h45
Reprodução: ESA

Na última sexta-feira (26), um iceberg gigante se desprendeu da plataforma de gelo Brunt, na Antártida. O evento já era previsto por pesquisadores, que observaram ainda em novembro de 2020 a formação de uma fenda batizada de North Rift, já apresentando alto risco de desprendimento.

Em imagens capturadas pelo satélite Copernicus Sentinel-1, é possível ver o momento em que o iceberg se desprende da plataforma de gelo, em um processo que foi acelerado devido ao derretimento rápido. O iceberg, que foi apelidado informalmente de A-74 e mede cerca de 1270 quilômetros quadrados, sendo apenas um pouco maior que a cidade do Rio de Janeiro.

De acordo com informações da Agência Espacial Europeia (ESA), glaciologistas já vinham monitorando diversas rachaduras e abismos que se formaram na plataforma de gelo Brunt, que conta com 150 metros de espessura. A última rachadura, segundo dados do Sentinel-1, era mais instável e se movia em cerca de cinco metros por dia. No dia 26, então, o espaço aumentou rapidamente ao ponto de, finalmente, soltar o grande pedaço de gelo.

Satélite Sentinel-1 capturou o momento do desprendimento do iceberg da plataforma de gelo (Imagem: Reprodução/ESA)

Mark Drinkwater, chefe da divisão de missão científica da ESA, conta que mesmo que o desprendimento do iceberg tenha sido algo esperado há algumas semanas, poder presenciar o acontecimento ainda é cativante. "Ao longo das semanas e meses seguintes, o iceberg pode ser arrastado pela rápida corrente da costa que flui para a região sudoeste, encalhar ou ainda provocar mais danos colidindo com a plataforma de gelo do sul de Brunt", conta o pesquisador, afirmando que a situação continuará sendo monitorada com cuidado pelo satélite.

O monitoramento via satélites é capaz de prever acontecimentos que podem ser desastrosos nas regiões mais remotas, como a Antártida, registrando ainda o estado das plataformas de gelo com base em suas estruturas e nas mudanças que podem acelerar o derretimento, como as temperaturas do ar e do oceano.

Os cientistas garantes que o desprendimento do gelo não representa uma ameaça para a base de pesquisa Halley VI, do British Antarctic Survey (BAS), uma vez que ela foi reposicionada para um lugar mais seguro.

Fonte: ESA

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