Rios sob o gelo da Antártida podem contribuir com a elevação do nível do oceano

Rios sob o gelo da Antártida podem contribuir com a elevação do nível do oceano

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 14 de Fevereiro de 2022 às 17h40
Reprodução: Angie Agostino/Pixabay

Rios escondidos sob o gelo da Antártida podem contribuir com a elevação do nível dos oceanos, segundo estudo liderado pela Antarctic Science Platform (ASP). A pesquisa também ressalta a necessidade de monitoramento desses corpos de água que aceleram o derretimento do gelo glacial.

Por toda a Antártida, logo abaixo da espessa camada de gelo, existe uma rede de rios e lagos. Os pesquisadores explicaram que isso é possível graças ao manto isolante de gelo, ao fluxo de calor da Terra e à pequena quantidade de calor gerada conforme o gelo derrete.

Os rios sob o gelo fragilizam a base das camadas glaciais, as quais eventualmente se desprendem da plataforma (Imagem: Reprodução/ESA)

A água líquida atinge a base das camadas glaciais de modo que o gelo desliza em direção ao oceano a uma velocidade centenas de metros a cada ano.

Quando a água emerge bem abaixo do gelo, ela entra em uma cavidade frio e salgada no interior da plataforma de gelo que rodeia o continente. Ali, a água se mistura liberando nutrientes e sedimentos, mas também derrete parte do interior da plataforma congelada.

O problema é que, até agora, a maneira como essa dinâmica influencia o derretimento do gelo e, portanto, a elevação do nível do mar, é uma das áreas menos exploradas pela ciência.

Rios sob o gelo

Por isso, a equipe de cientistas da ASP decidiu investigar os rios escondidos sob o gelo antártico. Trabalhos anteriores sugerem que os rios formam estuários conforme escorrem para o oceano, e o novo estudo se concentrou em Kamb Ice Seam, na Antártida Ocidental.

Pelos próximos anos, a região será profundamente analisada para entender a influência desses rios no derretimento do gelo (Imagem: Reprodução/Sophie Berger/British Antarctic Survey)

Kamb é um “gigante” adormecida, explicou a equipe. Ali, costumava correr um rio subglacial a aproximadamente 160 anos atrás, mas mudanças na distribuição da água na base da geleira levou ao seu fim. “As mudanças em Kamb anunciarão grandes mudanças para as camadas de gelo e oceanos da Antártida”, disse a equipe.

A mais de 900 km da estação permanente da Nova Zelândia, a equipe fez um perfuro na plataforma de gelo de 500 metros de profundidade e 0,4 metros de diâmetros. Por duas semanas, manteve o furo aberto para coletar amostras e realizar observações.

A equipe descobriu um rio com menos de 200 metros de largura, bem mais estreito do que a superfície indicava. Então, ela implantou um robô chamado Icefin para explorar o espaço abaixo do gelo. O que mais surpreendeu os pesquisadores foi uma densa comunidade de possíveis anfípodes (crustáceos).

No entanto, os pesquisadores reforçaram a necessidade de que equipamentos sejam usados na região para o monitoramento a longo prazo. Pelos próximos anos, a equipe seguirá com o trabalho, observando atentamente qualquer mudança no fluxo do rio escondido no gelo.

Fonte: Via The Conversation

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